Ontem, o Pároco de Arco de Baúlhe investiu na edição de um "Boletim Interparoquial - Especial" tornado pasquim e manifesto eleitoral pelo Não. Nele não faltou o mexerico na consciência e as fotos de embriões às 10 semanas(?). "Vote Não" e a "vida é um dom de Deus". Enfim! O que fiquei a entender, porque de soluções não vi nada, é que o Pároco de Arco de Baúlhe prefere ignorar o problema em questão assobiando moralidades para o lado, que defende que a ignorância e a vitimização continue, nessa bela ilustração católica do sacrifício e da delapidação mártir. Viva a vida! Em sofrimento e na ingenuidade!
Que fique claro, contra o Aborto, também sou eu, senhor padre. Agora o que eu não entendo é a falta de solidariedade que se continua a pregar nos púlpitos e nos boletins de paróquia, que deveriam dizer respeito à interpretação da liturgia desse Domingo e de questões paroquianas em si, e não na posição do Sr. Padre.
Porque, para mim, Cristãs entendo antes as seguintes posições:
"Creio que é compatível o voto na despenalização e o ser - por pensamentos, palavras e obra - pela cultura da vida em todas as circunstâncias e contra o aborto. O "SIM" à despenalização da interrupção voluntária da gravidez, dentro das dez semanas, é contra o sofrimento das mulheres redobrado com a sua criminalização. Não pode ser confundido com a apologia da cultura da morte, embora haja sempre doidos e doidas para tudo." Frei Bento Domingues, Público.
«No seu drama, em lugar de uma punição penal, do que ela precisa sobretudo é de solidariedade. Estão a sociedade e a lei dispostas a apoiar eficazmente a mulher e, concretamente, a grávida? Este apoio tem de traduzir-se em educação, prevenção, aconselhamento, combate à pobreza e exclusão, co-responsabilização do homem, incentivos à família e à natalidade. Também para que despenalização se não confunda com liberalização nem se torne método contraceptivo.» Padre Anselmo Borges,
Diário de Notícias.
E que por muito próximas que estejam da minha, não entendo que também estas deveriam constar de boletins paroquiais, nem a do sr. Padre portanto! É que também não me parece que a Paróquia de Arco de Baúlhe esteja inscrita na Comissão Nacional de Eleições...