quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Lambi um sapo... Ou o Correia já corre pelos Campos a caminho de ser CEO numa Multinacional Farmacêutica...

Como a organização nunca foi o meu forte. Basta ver os meus textos de frases dispostas em entulho, raramente pim-pam-pum. Fica o blogue dispensado nestes dias, da produção de algo consistente pelo menos. E a não ser que o tempo me dê de si que chegue, vou ficando calado a ver se finada a semana e passado o exame de psiquiatria, não fique tolo e vos arraste comigo para algum hospício - com todo o respeito por quem o é - porque nem sei se o mundo cá fora é sanatório de piores maleitas mentais.

Não admira que o Ministro da Saúde não tenha aguentado a histeria generalizada. Vicissitudes de um hábito português de democracia: colocar técnicos à frente de ministérios sem os túbaros políticos para debater, explicar e aplicar as reformas que, por aqui, ou ficam no meio ou pelas intenções, ou pela propaganda... Com o Carnaval à porta: o país de confetis, todo o ano.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Portugal por fumado

A relutância e a prepotência com que alguns cidadãos portugueses insistem em contornar a nova lei anti-tabaco é reflexo de uma cultura de "o meu quintal" instalada. Não há respeito pelo espaço público e ele tão pouco é bem definido na cabeça das pessoas. Tanto que não admira que as cidades sejam apertadas como tudo, e o espaço privado e individual roce a arrogância e se confunda com o que é de todos. Não abundam praças por isso, tão pouco jardins e tão pouco cidadania. Um país que não compreenda o espírito das suas leis, não se esforça por cumpri-las, e não cumprindo, tão pouco se pode cumprir como Nação, por muitas voltas que Fernando Pessoa dê no túmulo.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Mais um Nó de Basto?

O Jornal O Basto noticia que a Câmara Municipal de Celorico de Basto vai tentar negociar com o Governo, em troca da perda das "urgências" do seu Centro de Saúde, a construção de um nó na auto-estrada A7 na zona da Lameira. Seguindo a lógica portuguesa das contrapartidas.

Não pondo em causa a legitimidade da exigência, cabe-me duvidar do dispêndio da coisa. É obra para servir uma míngua de gente, largada no meio de uma paisagem agreste e com pouco casario por perto. Provavelmente só justificada se se fizer uma (e mais uma) variante, que lhe escoe a saída e a entrada, desde o Rego, cá em cima, até à vila de Celorico, lá em baixo. Bem, uma coisa é certa: com a saída na Lameira ficam compensados os comerciantes do sexo, que tanto ficaram a perder com o trânsito desviado da EN206...

Só espero é que tal negociata não ponha em causa, e adie por mais uns anos, a conclusão da Via do Tâmega até Arco de Baúlhe (Cabeceiras de Basto), cuja intenção já tem barbas. E brancas!

sábado, 26 de janeiro de 2008

A Avenida que também sou dela

Questões de Fé num'A Profilaxia do Medo, na Avenida Central de uma Cidade, que tendo igrejas e Mesquita (Machado), só lhe falta uma rua da Judiaria.

"(...)um Estado não deve ter fé, que não nos Homens, mas não pode cair no erro do fundamentalismo laico e fazer por negar aos seus cidadãos o direito a Deus, nas suas variadas maneiras. Sem financiar Madrassas nem Catequese, deve incluir nos conteúdos do seu Sistema Educativo, desde cedo, o estudo das religiões e a promoção da diversidade, pelo que de positivo traz, até para a economia do País, mais criativa e de horizontes alargados.


É que, neste mundo de intolerantes, a ignorância é o combustível do medo. E melhor profilaxia ao ambiente de terror é a livre troca de ideias e de conhecimento, que mais que fomentar a tolerância torna-a parte da fisiologia, não se eriçando os pêlos perante um turbante ou uma mitra. Os melhores vigias de um país são os seus cidadãos e sobretudo, quando conhecedores e esclarecidos, embebidos de um espírito aberto, acolhedor, dialogante e solidário, conseguem melhores resultados em Segurança que um quinhão de polícias, soldados e câmaras de filmar juntos. E muito mais barato.

Coisa a ter em conta, desde já, por partidos políticos de índole socializante e secular que, muito se gabando de serem motores de transformação da sociedade, não se deviam limitar a patrocinar viagens de militantes idosos a Fátima e ao Mosteiro da Batalha. Porque não incluir no itinerário a Mesquita de Lisboa, a Sinagoga do Porto, Templos Budistas e o Cinema Império?[ler mais]"

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Hoje: um mergulho no grotesco

Emir Kusturica and The No Smoking Orchestra no Coliseu do Porto

(No smoking... Quão oportuno...)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Braga Ambiental-Radical

O fenómeno de adesão às BUTE's da Universidade do Minho tem tanto de bem intencionado como aparentemente ridículo e disparatado. Será até radical, e apenas pela adrenalina. Braga deve ser a cidade mais mal-adaptada a ciclistas. Tem dos piores índices de atropelamento de peões e biciclar por aqui é correr num campo de minas.

E não admira. Os passeios são parcos em tamanho, cheios de cuspe e cocó de cão, ocupados por carros nas ruas, que apesar de construídas recentes, são estreitas como ruas medievais. Para não falar da colina íngreme que é a encosta onde se puseram os complexos pedagógicos. Talvez fossem adequadas umas bicicletas de montanha. É que Braga não é propriamente Aveiro ou Utrecht. Enfim, viva o ambientalismo pop , bonito como balões largados num hectar de cactos ou trenós para deslizar montes alentejanos. Talvez se pensasse em fechar ruas completas e frenar o trânsito automóvel de uma vez por todas, abrindo a cidade a uma atmosfera nórdica.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O Lugar da Vaia

O meu incómodo pelas vaias em cerimónias de Estado tem uma razão de contexto. Não creio que a celebrações com Figuras de Estado sejam lugares para vaias a um político, ou políticos, em particular ou às suas políticas, metidos que estão ali na formalidade simbólica do cargo. Entendo-o aí como uma vaia ao Regime em si. Mas se calhar é o que as pessoas querem, mas ainda não se aperceberam disso. Diga-se a título de exemplo: Ceausescu caiu depois de numa cerimónia de Estado do seu próprio regime. Ele era o regime. Os romenos assobiaram Ceausescu numa cerimónia de Estado e assobiaram o Regime. O comunismo caiu na Roménia. Mudou-se, a Roménia é agora um Estado democrático e um país integrado na U.E..

A contestação ao Governo, entendo-a aquando da vaia à inauguração de medidas, obras, promessas ou despromessas eleitorais. Compreendo-as na greve, nos assobios ao encerramento de urgências, nas berradelas à reestruturação dos serviços públicos,nas vigílias pela Educação, pelo que os políticos eleitos fazem em desacordo com o que prometeram, por pura birra, por puro engano , por pura falta de informação. Não tenho de concordar com a legitimidade dos protestos, eu protestaria por muitos outros motivos e com grande parte do espectro dos partidos. Mas há sempre uma democrática e legítima, como mais saudável opção: votar noutros partidos, entrar num e mudá-lo por dentro, tentar lobbilizar por movimentos cívicos. Ou então, se o mal é sistémico, fazer cair esta República e esta democracia. Plantar outra que recomece, que nasça direito e não entorte.

Mas não. Por cá vai-se assobiando, a torto e a direito, em todas as circunstâncias: em casa, no café, a tomar banho, na ceia de Natal, no emprego, tanto que se pensa que a determinada altura até nos tornamos neuróticos. Nesse o momento assobio e a vaia perdem significado. Como a história do pastor e do lobo que não havia. Expia-se a energia toda, arrepende-se no exagero e no fim até se vota neles de novo, por pena às vezes, ou porque a mão até treme naltura de marcar cruz noutro.

Fica outro meu exemplo não gosto muito da bandeira portuguesa, nas cores e na confusão dos símbolos, acho-a parola, mas é a bandeira nacional, respeito-a e gosto dela como se fosse uma mãe feia, canto-lhe o hino quando é preciso. [Mas com calma, longe estou da mocidade portuguesa, por mim, antes ia, o Hino à Alegria]

E aqui fica resumida a minha opinião: a vaia tem o seu lugar legítimo e apropriado. Não se contesta a tacanhice da Igreja assobiando durante uma Eucaristia, é aliás contraproducente a não ser que se a queira mandar toda a estrutura abaixo ou quando assim for, mudar-lhe os paradigmas de funcionamento. Ora, em cerimónias de Estado, onde o primeiro-ministro é figura tão simbólica quanto a bandeira, naquela mariquice protocolar, o assobio é aí ao Regime e como funciona. E portanto lugar de descontentamento adequado e privilegiado para pedir mudança, mas num todo. Era o que queriam os supostos manifestantes em Braga, era o que queria o Pedro Morgado?

Se reciclar, certifique-se que as garrafas estão vazias...


terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Prós e Contras Irritante como o Fumo Passivo

Ontem o debate na RTP1 sobre a nova lei do Tabaco revelou que uma lei justa, das poucas que se podem ter por aqui, está pelas horas da morte, graças a gente que tem uma visão distorcida e perversa da liberdade e do espaço público. Gostei de Sakellarides, definiu o verdadeiro espírito da lei com a sensatez devida, apesar do espernear histérico dos 2 da mesa contrária.E nessa detestei Sá Fernandes: é irritante, chato, prepotente. Ali, não fez falta...

Café Blogue: Conversas Improváveis

"Como conjugar urbanismo e saúde mental? O é que a História e o Marketing têm em comum? Quais as relações entre Jornalismo e Poder? Porque é que Comércio e Cultura devem andar de mãos dadas?


A blogosfera é um espaço de cidadania cuja importância se tem acentuado ao longo dos últimos tempos, tornando-se num pólo de importante participação cívica. Em muitos casos, o palco blogosférico tem substituído as tertúlias dos velhos tempos. Ainda assim, a discussão virtual não tem a alma da conversa viva em que o pulsar das ideias se sente no vigor das palavras entoadas e dos argumentos cruzados. É com este espírito que os blogues minhotos descem à cidade para Conversas Improváveis em que se propõe conjugar temas tantas vezes desencontrados. Ao longo de seis meses, alternando entre a Velha-a-Branca e o Salão Pedro Remy, três bloggers conversam com duas personalidades de áreas (mais ou) menos interligadas no quotidiano dos dias."

O primeiro café é no dia 28 de Janeiro na Velha-a-Branca:


A iniciativa é de vários blogues minhotos. Mais informação em www.cafeblogue.blogspot.com com link permanente, na coluna do lado. Em caso de dúvida ou de permanência de sintomas, consulte o seu médico ou farmacêutico...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Palmas p'o Sócrates



O Primeiro-Ministro recebido em aplausos na Praça do Município de Braga, na última Cimeira Ibérica. Há quem diga que foi gente contratada, há quem diga que pensavam que era o Zapatero ao longe...

De qualquer modo sempre achei de uma falta de respeito e cultura democrática, para com instituições políticas do País, o protesto e os apupos em cerimónias protocolares ou públicas desta natureza. Sinal de atraso. Não gostei quando o fizeram a Durão Barroso na Luz, não gostei quando o fizeram a Guterres no Pavilhão Atlântico no Final Four da ATP.

Não votei no Cavaco, e tão pouco tenho grande admiração por ele, mas é o Presidente da República, e tal como José Sócrates, eleito pela maioria das pessoas. Meu Presidente portanto e merece o respeito que de um cargo que o é à parte de qualquer homem e qualquer circunstância ...

Parece que alguém anda a meter cogumelos

Matt Groening na Manga

A versão animé japonesa dos Simpsons e do Futurama, pródigos feitos bem espremidos da mente do americano. E todos eles tão fáceis de reconhecer. De ficar de olhos em bico[cliché]...


domingo, 20 de janeiro de 2008

Culto de Personalidade

The Smiths - I Started Something That i Couldn't finish

sábado, 19 de janeiro de 2008

A Avenida que também sou dela

Um texto húmido sobre este País Alagado numa Avenida Central da Cidade-Penico:

"(...)Por cá, em advento de anos de seca, aumentam-se os recursos hídricos em lagoas de água choca. E saturado que está o Algarve a esbordar por fora, fazem-se algarves por dentro, em albufeiras artificiais do tamanho da Europa. E é lamentável, como igualmente irónico, o abandalho de tudo em alagamento num país já parco em terra e rodeado de mar por mais de quantos lados. Mas tem políticos e centrais propósitos: enquanto se alimentam as fornalhas das cimenteiras aproveita-se e afoga-se a Linha do Tua com o mesmo sentido de Estado com que Salazar afogou Vilarinho das Furnas .

[E não se afoga a do Tâmega, porque está muitos metros acima do rio, e com ela afogaria-se, se não já está afogada, toda uma região por desafogar.] (ler mais)"

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Bracara te Gusta

Por esta hora - e enquanto noutras praças se irá discutir se Sócrates foi apupado ou não, em frente dos Paços do Concelho da Arcebispal Cidade - o primeiro-ministro português e o presidente do governo espanhol passeiam-se pela Bracalândia para lançar a pedra do Instituto Ibérico de Nanotecnologia. Não sei se com direito a uma volta na montanha russa ou na roda gigante, antes do protocolo.

Mas Braga está policiada por quantas pontes e viadutos tem, a bem de não haver atentado ou coisa pior. Isto antes dos tiros de insulto, que vagos me pareceram, porque os lábios e a língua tinham umas horas de caimbras na espera [estava marcada para as 3 e eram 4 e tal quando desfilou a parada à pinguinhas]. Diga-se que apesar dos espasmos de vaia e assobio, a laia encaminhou-se por obter uma maioria absoluta de palmas a José Sócrates.

Eu, de telemóvel nas mãos, me confesso que o larguei por momentos só para aplaudir de bom grado Zapatero, que tem as eleições à perna. E espero bem que as ganhe, ou reganhe, aos reaccionários do PP espanhol. A bem dos Estados seculares, sem o mofo da sacristia a empestar as liberdades civis. ¡Arriba, Jose Luis!

Os Meus Dias da Rádio em Podcast [mais uma vez]


Cá vai para gente de paciência, e que não tendo apanhado sinal ontem pelas 4 da tarde. Foi acesa a discussão, temos um advogado pelo meio, mas também roçou a idiotice por vezes: estou por lá eu...

Braga, a Cónega da Península

Na cidade arcebispa, hoje Sócrates e su hermano Zapatero, bien mais socialista qu'él, no Mosteiro de Tibães, primo do de Refojos de Basto, vulga Igreja de São Miguel de cara virada à Praça da República, na vila de Cabeceiras de Basto, em forma de bacalhau.

E que lugar tão apropriado para os protestos contra a política de casamento civil do governo espanhol: em Braga, terra de tesão contido, idolátrica do sexo, do engate e da promiscuidade sodomita, de Luiz Pacheco. Onde a sensualidade que o poder dá, veste-se de um espectro disforme e mitral, carnavalesco.

Admira não termos entre os contestantes da CGTP, Médicos espanhóis sem matricula e outros do costume, os leigos defensores da Família Cristã a encher a rua do Souto, como encheram Madrid, a comprar recuerdos entre lojas de santos, indumentária clerical e o Bananeiro.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Os Meus Dias da Rádio

Hoje volta, em estilo de Janeiras ao Ano Novo, cantadas de atraso e às 16horas no Rádio Clube Português,versão Minho: comigo, o Pedro Morgado e o João Marques . É em 92.9 FM. Falar-se-á, pelo menos alguém por mim, de Instituto Ibérico de Nanotecnologia em Braga, Europa e Aeroporto da Ota - perdão!- Alcochete...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Tribunal para que é que vos quero?

Ou o País é rico ou o Ministro da Justiça é deveras incompetente. Ou então a reforma da justiça, na sua reformulação do mapa judicial, é para ficar a cozer como os processos, em banho maria até que alguém se lembre de meter mais um pouco de água na fervura.

A questão é bem desnudada no Diário de Notícias, que interroga a construção de um Palácio da Justiça numa comarca em vias de extinção, com uma média de "600 processo anuais" a dar entrada nos serviços, uma ninharia para tão grande investimento (3 milhões de euros ou 600 mil contos em moeda antiga). Coisa que não vai passando despercebida em vários blogues (1, 2 e 3) para mal dos nossos pecados. E são justas as inquietações, e ainda que em fase de apreciação e discussão, é que o novo mapa judicial proposto diminui as comarcas das actuais 233 para 35 seguindo a lógica das NUT e com provável inclusão da comarca de Cabeceiras de Basto na do Baixo Tâmega, com sede em Amarante.

E tornado o enorme elefante branco mais um monumento na paisagem betonada da Quinta do Mosteiro, em sede enorme de julgados de paz, talvez seja tempo de se insistir com outro afinco na construção Variante do Tâmega ou ponderar a reabertura da linha ferroviária...

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

[sarrabiscos #2]

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Uma Nova Escola

Já não são estranhas as minhas empatias com o novo Regime de Gestão das Escolas que o Ministério da Educação quer introduzir no próximo ano lectivo. Não que faça directamente parte da minha esfera, mas como futuro educador (directo ou indirecto) e como educando perpétuo vejo com algum interesse as questões do Ensino e o que se pode emendar nele.

O Sistema Educativo em Portugal é, em larga nota, muito pouco exigente. Apressam-se resultados sob a forma de números e retirados equações ajeitadas, no velho princípio português adaptado do "só para europeu ver". E a raiz do problema, como muitos dos males do emperramento regional, parte de uma gestão feita à distância, pelo prejuízo, unidireccional e autista por parte do Ministério e Direcções regionais num efeito dominó de ordens avulsas sem grandes consequências locais ou novidades, numa fisiologia contida, pachorrenta.

Se as escolas não são um motor de influência e desenvolvimento local é porque são vistas muitas vezes como externas à comunidade, onde os pais passam os filhos por ovo e pão ralado, antes de os lançar na frigideira do mercado do trabalho, iguais e maçudos como douradinhos. E parte disso é porque não se exige à escola uma maior contribuição dos pais e das outras instituições nas questões da qualidade do ensino. Pelo contrário: os pais normalmente delegam aos professores e à visão deles a educação do rebento, em competências técnicas e relacionais, e negligenciam-se no seu papel de reguladores e de principais interessados. E não havendo feedback não pode haver evolução na qualidade do ensino prestado.

A reforma da Equipa de Maria de Lurdes Rodrigues aumenta o papel dos encarregados de educação (de 10% para 20%) na Assembleia da Escola, rebatizada de Conselho Escolar, e na eleição dos órgãos executivos. Passam os docentes de 50 a 40 % da mesma. Os restantes lugares ocupados por representantes das autarquias, grupos sociais, interesses económicos, etc. Estes terão a função de debater e eleger o Director, uma espécie de Principal à americana, com base no seu currículo, mas sobretudo no projecto de intervenção na escola. Este deverá cumprir as exigências gerais dos objectivos definidos, diversificar as fontes de receitas da escola, adaptar e inovar nos conteúdos e nos modelos de ensino, negociar e a mediar os vários pontos de vista (dos professores, pais, alunos e instituições) com um inegável acréscimo para o sentido autonomia da instituição, para o a participação democrática efectiva e concomitantemente, para a eficiência e eficácia do Sistema.

Contesto apenas que o cargo seja bloqueado a um candidato que não seja professor. Mas é ponto por esclarecer, se bem que são óbvias as incompatibilidades, a parca eficiência e o desgaste de quem acumula a docência com a gestão de um projecto. Um pouco como um médico que, num hospital, tem de balancear entre investir na prática clínica ou nas competências de gestão dos recursos e funcionamento da instituição.

Ora para quem defende um ensino público e universal de qualidade, diversificado e com dividendos visíveis para a comunidade local e para a sociedade em geral este modelo é muito melhor que o actual. Melhora as potencialidades da escola no seu papel decisivo de prevenção de distúrbios sociais, no garante de igualdade de oportunidades e no sentido da cidadania. E isto porque também introduz uma cultura de exigência nos pais/comunidade obrigando ao recrutamento dos melhores técnicos e meios, ao cumprimento de objectivos e sobretudo não os absolve da responsabilidade concomitante nos sucessos e insucessos da instituição. Algo que contraria a fraca tradição portuguesa de lapidar todos os males num qualquer bode expiatório.

A Astrofísica do Liberalismo [ou uma tentativa de ensaio em escala atómica]

Uma sociedade por muita igualitária que se faça tende sempre para emancipação dos indivíduos, como hino à sobrevivência dos mais adaptados ao contexto de Conhecimento crescente. Nesta crescente hegemonia do papel da Ciência. Na lógica do olho em terra de cegos. Torna-se a selecção que arrasta as sociedades no progresso. Sociedades que reprimem o indivíduo, só se adiam no curso. Isto não é apenas da natureza humana, é da natureza das coisas, puxada pela força resultante do Big Bang.

T
al como o Universo se expande infinitamente para o Vazio, as relações entre os homens tendem a distanciar-se como galáxias e a arrefecer como elas. No contexto da Astrofísica, o socialismo conservadorismo é anti-natura.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Mais um Boletim de Saúde de fim-de-semana

Continua-se a fumar onde não se deve, em Cabeceiras de Basto. Não é por mais nada, mas irrita porque dá a sensação que basta fazer o download do dístico para contornar uma lei que por muito que pareça incómoda é para respeitar. É uma mostra de civilização, pelo menos.

E o mais irónico é que a dita é muito bem respeitada em Arco de Baúlhe, nos espaços que lhe conheço, e contra os habituais preconceitos de desordem que apontam aos habitantes vila. De resto é dar uma volta, e não chegam os dedos dos pés e das mãos para enumerar sítios onde se pode muito bem fumar no anzol dos outros. Triste mas é o que temos. Mais justificado por aqui um Roteiro do Não fumador...

Cara ou Corona?

Um Megamix da Diva do Dancepower dos 90's. No advento dos remixes ao eurodance da última década do século XX.

sábado, 12 de janeiro de 2008

[fora-de-jogo]


Bolorioso S.L.B. ...

A Avenida que também sou dela

Uma ousada reflexão sobre processos eleitorais nos Estados Unidos e das inferências ao sistema português em "Os Caucuses e o Fundamentalismo da Urna" na Central Avenue:

"(...)daqui [ do processo aberto dos caucuses] vem o abalo ao dogma do voto secreto como o mais democrático, no nosso fundamentalismo da urna. Nestas questões de escolha com grande impacto de futuro e em processos primários, limitados a esfera partidária ou a lugares comuns mais restritos e particulares, não vejo grandes desvantagens no voto assumido e discutido. É na minha opinião, bem mais fiável e democrático que o da urna, porque obriga a uma partilha de opiniões, muito maior empenho e dedicação das pessoas envolvidas e a uma maior exigência perante o candidato que apoiam, porque elas também fazem parte da sua cara e por isso, também do directo e contínuo escrutínio da acção governativa e do cumprimento das propostas. E aqui, como visto na nomeação de Obama em Iowa, com grande peso do voto jovem, muito mais atraente para a cidadania desde cedo.

É que vejamos o que acontece em Portugal. Os Partidos, na sua generalidade, raramente se sub-dividem em plataformas de interesses de sociedade claramente assumidas. Estas são expulsas para a esfera dos movimentos e pequenos partidos políticos, com objectivos limitados e por isso sem grande expressão e influência na vida do País. Em compensação há os guterristas, socratistas, alegristas, soaristas, mendezistas, menezistas, portistas (de Portas), nogueira-pintistas, cavaquistas, santanistas. Todos em redor da sua Nossa Senhora com interesses muito menos da generalidade que pessoais, com vínculos de irmandade e sem grandes perspectivas de mudar o país, que não na sua única e interesseira perspectiva do mundo, com o que lhes convém, em licenças de canteiro e cargos em empresas mais ou menos públicas." [ler mais]

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Postais do Arco da Velha #5

Pés Encharcados

Não. Não calcei botas com meias de leite. Chove. E quem não tem que falar, fala de meteorologia, do tempo. Do "é a vida", do "jamais", fala francês. Parece inteligente, como a decisão do Governo. Temos Aeroporto novo, no país abaixo de camelo. Em Lisboa, Viva! Novidade... :/

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Daqui por dois ou três anos estão loiros...

Os Gato Fedorento foram para a SIC...

[sarrabiscos]



terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Lei à moda do Car****...

Já não bastava (de basto... pfff!) as surpresas locais dos contornos à Lei Anti-Tabaco, para lá dos incómodos do surpreendentemente liberal A.C. do Ecos de Basto, tão tacanho e comedido noutras liberdades e direitos, e por Braga também há espaços fora-da-lei. Devidamente regulamentadose autorizados pela ASAE, pelos vistos, porque ninguém os incomoda. E portanto só não percebo porque se importam os outros em espaços de menor ou igual tamanho em respeitá-la. É que dá a sensação que isto é opcional, como queriam muitos.

Mas não vou reapontar a justeza da lei, - que a é!- porque não deixamos de ser livres de nos peidar sonoramente em casa e na rua. Só que no café é chato e incomoda os ouvidos e as entranhas de outros, amigos e estranhos, no estômago e nariz, e bem para além dos pulmões. Com uma ligeira diferença, não está comprovado que o gás da bufa, incolor, se por vezes de pintar à pistola, cause cancro, de boca laringe e boche. E com outra grande diferença, se bem aproveitada até gera energia eléctrica - é biomassa - e tão amiga do ambiente!

Para trás mij'á burra

The Return to Innocence - Enigma

Até podem chamar-me blafemo na minha pseudointelectualidade musical - quase pseudoalternativo - mas gosto desta música, porque me faz lembrar o 6º ano de escolaridade, naltura pré-púbere de muito menos musgo, e os bons amigos que mantenho desde aí.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Disto se alimenta o arcoismo III

Eu prefiro gente experiente

Nunca percebi o gáudio de dispor de 72 virgens no Céu, se me arrebentasse num carro bomba contra um tanque americano ou filial das Nações Unidas.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Arco de Baúlhe mais Queer que naltura do Bando do Zé do Telhado

A fotografia que enviei ao Boss do blog Renas e Veados, conhecido baluarte da blogaysfera nacional, ganhou o Concurso de Fotos do Renas, embora tenha sido a única na corrida... Mas foi oportunidade bem aproveitada para revelar as belezas da nossa terra a gente - em geral - de dinheiro, criativa e bem formada.

E não recebendo o habitual prémio de edições anteriores: umas agradáveis hastes cervídeas para ostentar nas minhas voltas do parolo; porque não uma edição do Portugal Pride no Norte profundo, pela velha rua do Arco abaixo?

Novidade seria, em altos retornos mediáticos e comerciais, e nem por isso estranho numa terra onde que já se faz por tradição o Cortejo da Erguida do Pau da Bandeira...

Há sempre saídas para a crise....

Postais do Arco da Velha #4

Fumaceiras de Basto

Terra sem lei, ou então eu não percebo nada de nenhuma delas. Julgava eu que chegava hoje a casa com a roupa imaculada...

Engano! Em Cabeceiras de Basto há bares e cafés da socialite, com dístico azul à entrada, onde descaradamente se fuma contra qualquer obrigação ou requisito da lei anti-tabaco, como seja ventilação e espaço fisicamente isolado para fumadores. E isto só pode ter 2 explicações: ou há autoridades compradas na vista grossa (e não me refiro à banda de Rui Reininho), ou estes estabelecimentos protegem-se no off-shore da ilegalidade da construção onde estão instalados. [Não vejo outras, quem souber que me explique...]

E desculpem-me os incomodados com o que eu digo. Não se trata de fundamentalismo ou mania de ser inconveniente, é uma questão de civismo denunciar o que é também uma evidente concorrência desleal com outras casas comerciais, cumpridoras da lei e devidamente regulamentadas.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Deus nos dê o Céu por esmola

Neste mundo em bebedeira de violência, onde não há lugar para a moderação, apenas para a intolerância e para o ódio, faz falta algo que una as nações e a Humanidade no seu todo e na sua diversidade. Sei lá: um ataque de extraterrestres, um cometa, uma era do gelo ou então que, de repente, as balas saíssem brotando-se em flores e as bombas nucleares espalhassem cearas de trigo.

Mas não havendo milagres programados, findados que estão os 3 segredos de Fátima, pedem-se mais uns poucos para ver se isto melhora. E só quero pensar agora, onde contar com a vinda mariana. Em que azinheira, gruta ou lugar?

Que seja em Portugal pelo menos! Neste Altar do Turismo, Costa Oeste da Europa e de gente brandinha... É que já se investiu largo numa Igreja Nova na Cova Da Iria e o Lisboa-Dakar está pelas horas da morte...

Obama nas Alturas

Uma mulher ou um negro, e este de middle name Hussein... são desde já novidade. E bom era que um dos dois lá chegasse para virar este mundo de preconceitos do avesso. Seria a semente para uma Humanidade maior que a cor da pele ou do falo... E já agora, só faltava, maior do que cada um mete na sua cama.

É que na Land of Oportunity (...) but where the president is never black, female or gay (diz Morrissey), o maior estalo que o Ocidente livre, na sua nação mais mediática, podia dar aos radicais do Vaticano, minaretes e neocreacionistas era eleger uma mulher, laica, negra e fufa...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Uma Biblioteca do Tamanho da Vida de Um Homem

A Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto resolveu, por unanimidade, atribuir o nome de António Teixeira de Carvalho ao edifício da Biblioteca Municipal sediada em Arco de Baúlhe. Eu aplaudo e aclamo desde aqui.

Não tenho jeito para homenagens, nem nos dias exactos nem nos locais, nem nas horas. E este texto, se podemos encaixá-lo nos parâmetros, parece tardio e fora de tempo, mas prefiro-o agora para que a memória não se encurte, porque as verdadeiras saudades vêm dias depois e continuam anos seguídos.

O Senhor Carvalho, para quem não o conheceu pessoalmente, licenciado em Filosofia - mas ele que me permita tratar-lhe por senhor, porque doutores há muitos, engenheiros às carradas, e de senhor ele é raro exemplo por estas bandas - nasceu em 1950, ano de muita boa gente parida por cá, no pós-Guerra, em plena ditadura. Mas não foi esta a doença que o corrompeu porque na aurora da democracia abraçou-lhe a iluminura como um girassol e seguiu-a mesmo por trás das nuvens.

Podia dizer que não lhe conheço a vida por dias nem anos, como friso cronológico, como nos facilitavam alguns nas aulas de História. Conheço-o pelo que dizia, pelo que fazia, pelo que fez sempre, pela sua terra e pela sua gente. No entusiasmo: pacífico e sereno como uma aldeia de pedra na montanha e, como ela, parte em mão humana da sua beleza imensa.

Foi presidente de Junta de Arco de Baúlhe no ano em que nasci (1983), mas de autarca apaixonado manteve sempre, mesmo em lugares de assembleia, a energia bem encaminhada e atirada para a frente. Homem de progresso aliás, amante das letras, das artes e das liberdades humanas, foi correspondente local de vários jornais nacionais, fundou jornais por cá, dirigiu outros, escrevia como ninguém e nunca deixou adormecer a sua comunidade no embasbacamento. Vem dele o primeiro puxão de orelhas à minha escrita, em 2002, salvo o erro, quando escrevi um artigo para o Ecos de Basto, depois de uma viagem à Hungria. Dizia ele que eu tinha uma escrita difícil de ler, confusa, que os tempos verbais não eram congruentes, que falava no passado e presente na mesma frase, e que haveria muita gente que não ia compreender-me. Palavras sábias e de verdade, e parece que ainda não aprendi com elas...

O Senhor Carvalho, no que de físico podíamos esperar dele, desapareceu em surdina no dia 8 de Dezembro do ano passado, no murmúrio dos dias, como sempre fez, para não parecer demasiado barulhento. Foi-se, respeitador com os nossos próprios sofreres e viveres, com uma pose formal, muito sua, de cangalheiro, como se o funeral fosse o nosso.

De qualquer forma, não fica findado o que posso dizer dele. Volto a escrever quando me apetecer passar do pensamento aos dedos, porque o senhor Carvalho vive neste formigueiro que resta a quem o conheceu. E não há datas por si que obriguem a lembrar pessoas, porque estas, quando Grandes, obrigam a pensar nelas em qualquer data...

E a melhor honra que se pode dar a um homem de tamanho interesse pela causa pública e pela dinâmica da sociedade civil é fazer da sua biblioteca um edifício vivo, pleno de actividade e local de convergência e partilha de conhecimento. Gostava, como ele gostaria certamente, de ter por lá espaços de tertúlia, de discussão e foz de gente interessa na cidadania e nas novas formas da imprensa e da expressão livre. Uma biblioteca do tamanho da vida do Senhor Carvalho...

E vamo-nos perdendo na narrativa dos dias


Lost in the Plot - The Dears

Parada Católica

Não vejo diferença nenhuma, para além do número de peças de roupa, entre manifestações de Orgulho Gay e as procissões de velas ou manifestações pela família cristã em Madrid.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

O Miguel Sousa Tavares ou é Cão ou é um Cigarro...


O comentador da TVI, visivelmente aceso, diz que não volta ao restaurante que frequentava há anos por ter estes 2 avisos, um ao lado do outro...

Neste blog começa 2008 no dia 2, mas para quase toda a gente começa...


Ressacado e sem fumo, mas aberto com fogo na torre de relógio da Catedral de Compostela, qual Big Ben Galego. Portanto mais cedo para mim, em Espanha. Mas pena é que estes outros da península estejam adiantados bem mais do que apenas uma hora em relação a nós.