domingo, 27 de janeiro de 2008

Mais um Nó de Basto?

O Jornal O Basto noticia que a Câmara Municipal de Celorico de Basto vai tentar negociar com o Governo, em troca da perda das "urgências" do seu Centro de Saúde, a construção de um nó na auto-estrada A7 na zona da Lameira. Seguindo a lógica portuguesa das contrapartidas.

Não pondo em causa a legitimidade da exigência, cabe-me duvidar do dispêndio da coisa. É obra para servir uma míngua de gente, largada no meio de uma paisagem agreste e com pouco casario por perto. Provavelmente só justificada se se fizer uma (e mais uma) variante, que lhe escoe a saída e a entrada, desde o Rego, cá em cima, até à vila de Celorico, lá em baixo. Bem, uma coisa é certa: com a saída na Lameira ficam compensados os comerciantes do sexo, que tanto ficaram a perder com o trânsito desviado da EN206...

Só espero é que tal negociata não ponha em causa, e adie por mais uns anos, a conclusão da Via do Tâmega até Arco de Baúlhe (Cabeceiras de Basto), cuja intenção já tem barbas. E brancas!

6 comentários:

  1. Muita da responsabilidade pela não conclusão do Via do Tamega recai sobre os autarcas locais que nunca se entenderam nem nessa nem em muitas outras questões... Falta cooperação e diálogo entre as autarquias de Basto.

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  2. Ora nem mais Paulo. O poder autárquico em Portugal é um antro.

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  3. Quanto ao "Nó da Lameira" penso que nao fazia sentido se a Via do Tamega estivesse concluída. De facto como dizes deve ter sido o lobby das comerciantes do sexo a fazer pressão.

    Como somos um país rico e próspero podemos gastar o dinheiro dos nossos impostos a construir novos nós, novas vias e novas rotundas...


    Artigo 64.º

    (Saúde)
    ...
    3. Para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado:
    a) Garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação

    O acesso de que fala o n.º 3 pelos vistos é um acesso rodoviário...

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  4. Anónimo13:22

    Penso que o concelho de Celorico se queixa e com alguma razão, de ser o único concelho atravessado pela A 7 que não tem acesso directo a ela. É, no mínimo, uma atitude para a qual devemos revelar abertura e tentarmos entender o ponto de vista daquele município. Penso que o Paulo Vieira toca no cerne da questão, ao levantar a questão da não execução da Via do Tâmega, que ligaria, caso estivesse construída a sede da vila de Celorico às portagens da A 7 no Arco em 6 minutos, aproximadamente. Mas como n está feita, nem se prevê que venha a estar tão cedo, até se compreende a reivindicação do nó de acesso na Lameira, prometido pelo Estado ao concelho, através de Durão Barroso, então Primeiro-Ministro. Mais uma vez, o estado não cumpriu e o mais grave é que a sensação que transmite é querer fechar, ao arrepio do que diz a constituição, direitos básicos da população no acesso à saúde por exemplo. De encerramento em encerramento, de promessa em promessa não cumprida, lá vamos nós pouco a pouco, a caminho do fecho do interior do país.

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  5. Bem, o concelho de Mondim de Basto também é atravessado, e nem por isso de raspão, e sem um acesso à auto-estrada. Mas mesmo assim o problema podia ser muito bem solucionado se se pensasse e executasse uma via rápida desde as pontes sobre o Tâmega(em Atei) até à vila de Mondim, diminuindo em muito o tempo de viagem actual até ao Nó de Basto. Mas o autarca mondinense também nunca teve grande interesse. É mondincentrista... Talvez queira a sua vilazinha (arranjadinha diga-se) protegida dos males da modernidade...

    O mais caricato é que estas obras podiam ter um impacto muito maior na região se fossem pensadas a 4. Mas não. A região também só existe no nome, há muito que está esquartejada por mais de quantas regiões burocráticas.

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  6. Anónimo23:10

    Concordo plenamente contigo. Não há uma consciência regional de Basto, como um espaço com identidade própria, histórica, cultural e paisagística e os nossos autarcas olham demais para o seu próprio umbigo. Mas este é um problema nacional, que deriva da falta de um poder regional forte politicamente e reivindicativo. Temos hoje um Poder central cada vez mais centralista ( passe o pleonasmo), que se acentuou com o Eng. José Sócrates ( veja-se a reforma na saúde, na Administração Interna e na Justiça), não temos poder regional e, finalmente, temos um poder local composto por 308 capelinhas ( leia-se municípios), cada um a reivindicar para si, sem ter a perspectiva de desenvolvimento conjunto. Neste emaranhado local, ganha terreno o caciquismo e o poder de influência junto do poder central. Olhe-se para Basto e facilmente chegaremos a essa conclusão.

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