domingo, 30 de março de 2008

AMANHÃ (Segunda-Feira): Café Blogue

Modas

O Meu Tigre diz que se tivesse agora uma filha, chamava-lhe Carolina Micaela.

sábado, 29 de março de 2008

A Avenida que também sou dela

A Reguada, no Avenida Central:

"(...) com o aval do alarmismo e dos pivots à americana, vai-se espalhando pela calada aquela doentia sensação de que há uma falta da tal autoridade neste país e, sem darmos conta, temos terreno fresado para a semente do respeitinho. Quem sabe, a rependurar fotografias do Presidente do Conselho no seu olhar de terna severidade, a paternalizar a reguada, as orelhas de burro, a testa contra o quadro de lousa e a demonização da adolescência com pêlos nas palmas da mão.


Enfim, manipulação tamanha que se torna mais gritante ainda quando se associam estes casos de indisciplina ao tal novo estatuto do Aluno. Coisa que, na cabeça dos opinadores, deu aval à fervura hormonal dos púberes alunos, tão sedentos de pecado. Ora, grande feito este do nosso sistema de ensino que em vez de ensinar matemática, faz por especializar os alunos em direito escolar." [ler mais]

sexta-feira, 28 de março de 2008

O Fim do Mundo em Cuecas de Fio Dental

Toca a rebate o sino, que isto está uma pouca vergonha: alunos grunhes, criminosos e assassinos, imigrantes e desemprego, terroristas, comedores-de-meninos, pedófilos, homens a engravidar, outros e outras a querer casar com uns e com outras, divórcios à la minute, gente que não reza, nem caga, nem meija nem vai à igreija. É o fim do mundo em pecado capital.

No mundo anevoeirado, cinzento de modernices, pintam-se ditadores às cores para vendê-los como amêndoas napolitanas. O medo virou doença e o autoritarismo moda. É sexy e dá direito a gajas boas.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Solução de Mercado

Por mim, abriam-se as fronteiras todas e vendiam-se os regimes no mundo como num hipermercado. Liberdade de escolha para se viver em repúblicas, monarquias, teocracias, estados comunistas, democráticos, fascistas, capitalistas, liberais, ambientalistas, islâmicos, laicos, anarquistas, niilistas. Ordenadinhos ali e à mão. Cada um escolhia o seu jugo e deixava de haver gente insatisfeita por esse mundo, a rapar cabelo ou a acorrentar-se em portões de embaixadas. Na concorrência até se apurava o produto e saía o consumidor beneficiado. Prefiro regimes políticos expostos na prateleira que escondidos no armazém.

Levanta-te e festeja, em mais de quantas bufadelas e vaivéns







Parabéns para o medicamento cujo princípio activo, o sildenafil, se destinava a melhorar a função cardíaca mas que acabou por despedaçar uns quantos corações na terceira-idade, para além de algumas cabeceiras e molas de cama de muita gentinha sem outros motivos para se levantar na vida. Usado em mistelas, com ecstasy e outras drogas, há quem com ele, atinja o Nirvana, para lá doutras coisas. E diga-se que por muita vontade que o tenha em comprar, se por ventura não houver intumescência noutras alturas do dia, de nada serve. O Viagra não dá erecção, apenas prolonga-a umas valentes horas. Portanto, sem acendalha e fósforo não vale de muito correr para comprar um tractor de lenha, azul...

Urbanismo Escatológico


O Meu Tigre não percebe porque é que se deixa fazer a merda e depois se embarga a merda a ver se cola.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Fitness Orçamental

Tal como nos Ginásios, a descida em 1 ponto no valor do IVA apenas aumenta na mesma fasquia a margem de lucros dos vendedores.Tão pouco se fará notar no bolso dos eleitores. E para medida eleitoralista, por aí, sai muito fraquinha....

terça-feira, 25 de março de 2008

Os Meus Dias da Rádio: Trio de Bloggers de Hoje do RCP

Transportes: SCUT's e não-SCUT's, combóios e metro; Desemprego no Minho e no País. Para ouvir, quem tiver pachorra...

Nuzinhos


O slowmotion vinca as rugas. Estais com'há-d'ir. :)

Brecha na Muralha


Neste mundo em permanente olimpíada, ganha quem vai à frente, sempre, ou por cima, sempre. E se se lamenta o estupro que fazem aos princípios fundadores dos jogos Olímpicos, vale dizer que é o que se faz com tudo o que cria e movimenta massas, com boas e piores intenções de início. É da democracia absoluta do gosto. Do que se vende com ela, e do poder que dá.

E enquanto se pode comprar, é ditadura chinesa que mantém os preços baixos e a calmaria para fumar a prepotência da democracia. E depois? No Tibete se não manda Mao, manda o Buddha reencarnado. É Teocracia e, por isso, tão pouco ocidental, tão pouco secular e tão pouco democrática, mas pronto, para nós será daquela que não incomoda... Somos aliás todos uns apaixonados budistas. Menos o Jerónimo claro, e o PCPortuguês, que se faz entender do que têm como liberdade: a burocracia dos comités e o estaminé de milhões a produzir barato, por meia dúzia de injecções e meia-dúzia de salsichas. Livres como os números em grande, que "um morto é tragédia, 1 milhão é estatística". Aglomerados que valem por todos como formigas, desde lá de cima, na vista de patrões disfarçados de camaradas.

De qualquer modo a real politik não ia deixar a China com elefantes brancos, nem uma nação de 1 quinto de humanidade dependurada. Nem nós sem ver a Vanessa com o Ouro. Ui, era a total crispação e lá se definiriam eixos e barricadas a estoirar tudo. Não! A paz tem de continuar como queijo bolorento a quem se raspa o verde do fungo até se quedar pouco. Mas como no queijo, no mundo dá a volta à bola. De que valem os moralismos ocidentais, por exemplo, quando a política proteccionista da U.E. faz miséria em África e arrasta torrentes de agricultores africanos, gente nova sem futuro por lá, a galgar o mediterrâneo em câmaras-de-ar? Por este andar, boicotava-se tudo quanto é sítio. E de embargos estamos falados, de Cuba ao Iraque de Hussein.

Uma coisa é certa: os jogos olímpicos vão deixar a China em pelot com tanto jornalista - já disse o presidente do COI - e cabe à imprensa internacional, a livre está claro, aproveitar o Dragão de perna alçada e ordenhar-lhe os podres. É a brecha na Grande Muralha que se pode aproveitar, e a informação é a mais eficaz arma na transformação das consciências e dos regimes ...

segunda-feira, 24 de março de 2008

Museu das Terras de Basto


À falta de Basto Tv...

Pomada que levantava mortos

O Meu Tigre diz-me que nesta Páscoa, houve uma casa onde ofereceram um verde-tinto tão bô que o mesmo compasso entrou lá para dar de beijar o Senhor, umas 5 ou 6 vezes.

domingo, 23 de março de 2008

A Avenida que também sou dela

Páscoa Parade, numa Avenida Matriz de Braga:

"...interessa mais abrir a camisa e os colarinhos ao enfartamento: vitela assada, anho ou cabrito ou lá o que seja, que sabe tudo a carne queimada e batatas. Vinho. Entram eles [os do compasso, fora d’oras - em casa como neste texto- , que no ano passado vieram mais tarde, ou mais cedo, conforme], de capa rosa-bordeaux-grená, a cor que houver no armário da confraria. Segue-se o ritual, Aleluia Aleluia Cristo Ressuscitou - já vai em milhares de vezes, e sem bolas de cristal. Beijinhos, bênções, cumprimentos e a ajudazinha para o S. Pedro, Santa Rita, Santa Comba Dão (e tiram!) ou São Sicrano e São Fulano. Entram notas no saco, envelopes, para mais santos e para foguetes - muito precisam os santos de dinheiro. Pum, pum: estoira-se graveto, mas cada um faz o que quer do seu. É a alegria em dias de míngua e subprime." [mais]

sexta-feira, 21 de março de 2008

Devaneios Vermelhos

as liberdades como as prisões tem varias formas
e estas pseudodemocracias livres do ocidente têm o dinheiro (nas dívidas, empréstimos e hipotecas) como maior prisão.
(...)
as crises...
tudo tem uma lógica por detrás:
a televisão, as falsidades e a publicidade tudo que alimente os alaridos da economia
[lá está…]
se reparares há uma tendência natural em concentrar tudo
sempre que há uma crise (também sempre especulativa) nos mercados, o que se vê são fusões: empresas e bancos que comem outros, uma cadeia alimentar, compram-nas a preço de saldo
[pois é…]
isto diminui a concorrência e favorece os monopólios
[por acaso já não jogo monopólio há bastante…]
depois eles impõe os preços que querem
quem se lixa são os mais pobres, cada vez mais escravos das dívidas e empréstimos
e se berrares: a igreja e aos arautos da moral dizem que és malcriado e vais para o Inferno arder!

quinta-feira, 20 de março de 2008

mistela


"...a diferença entre a esquerda e a direita está exactamente aí, nas diferentes concepções sobre a vida pública. De facto, não podia concordar mais: Isto está tudo do avesso. Em Portugal a direita apoia as tácticas sindicalistas e a esquerda privatiza serviços públicos. Como se isso não bastasse, o PS veio armar-se em defensor da moral e bons costumes, propondo a proibição de piercings, ainda que sob a capa da saúde pública. Vá lá alguém perceber isto..."

[O Mal pelos Leitores] "VINE A LES BIBLIOTEQUES E TRIA AL TEU GUST”

Bibliotecas, livraries e biblioteques…todas elas como o mesmo significado mas ambas com significantes diferentes que variam de acordo com o país onde se encontram e respectivas culturas existentes.


Em Girona (Espanha), “biblioteques” significam muito mais do que um local de leitura e pesquisa. Significam um lugar de encontros e desencontros, de trabalho, de “actualização” e, por incrível que pareça, de diversão. São lugares onde se vê crianças, ordeiramente diga-se, a brincarem com pequenos jogos didácticos, são lugares onde se encontram adolescentes a realizar os seus trabalhos escolares, onde idosos consultam o “seu” jornal diário ou a “sua” revista semanal e onde - como o meu caso –que através da rede wireless existente me permite “conectar” ao mundo

Outra realidade vê-se ainda hoje em Portugal, nomeadamente na Vila de Arco de Baúlhe, onde apesar de existir uma infraestrutura de grande qualidade o uso que se lhe dá é praticamente nulo!!

Pessoas de pouca cultura, pergunto-me?? Penso que não, porque desta pequena vila saíram e continuaram a sair profissionais de elevada qualidade!! Então... qual será o problema!? Falta de dinamismo, falta de divulgação e acima de tudo falta de hábitos. Este último, “pecado” do Homem, por sermos “seres de hábitos”, é o item mais difícil de conseguir, mas os outros dois podem e deviam ter sido cimentados ontem ou hoje, e não, como quase sempre, amanhã!!

Utilizando, porque não, o slogan que se vê por aqui… “Venha às bibliotecas e use-as ao seu gosto”

Rui Magalhães
(um arcoense em Girona)

Leitura complementar: Bibliotecas a Arder de Vazias

terça-feira, 18 de março de 2008

O Elogio do Verde


O horizonte também é verde em Cabeceiras de Basto - apesar de viadutos, urbanizações e aglomerados feitos de fora para dentro, e não que se os condene, são os tais males necessários porventura. Mas não admira, o norte do Concelho é montanhoso, cheio de bosques e aldeias de pedra metidas em socalcos, alguns prados e fauna que se extende com a flora, Barroso e Gerês adiante. A riqueza paisagística é o maior tesouro que tem, aliás, toda a Região de Basto. E com ela toda uma potencial economia em recursos que devem ser bem aproveitados. A iniciativa TERRA+VERDE é, neste sentido, mais uma que se soma nas boas políticas ambientais da edilidade tendo em vista desenvolvimento sustentável neste domínio no concelho. Exemplo, mais um, exportável.

Uma floresta dinâmica - com os seus principais agentes envolvidos e em sintonia, com a colaboração da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro - é uma provisão de futuro e uma salvaguarda ao desleixe que anos de desordenamento, falta de regulação e total estupro, na loucura dos fundos europeus, e com a introdução de espécies não-autóctones (eucaliptos, autrálias e mimosas a reboque), desbotaram a floresta portuguesa e a fizeram vulnerável a incêndios e tragédias humanas. Por outro lado, a aposta neste sector cria emprego, fixa pessoas nas aldeias de montanha, previne a desertificação e preserva tradições, costumes e produtos locais igualmente atractivos em termos turísticos e com isto, mais alternativas na empregabilidade.

A cooperativa criada facilita também a instalação da Central de Biomassa de Vila Nune, na recolha e gestão dos resíduos florestais. O equipamento é uma outra pequena grande vitória neste mundinho a ferver, de neve rareada e em que é urgente a diminuição da dependência de combustíveis fósseis.

Outros objectivos no futuro - lunáticos ou utópicos, de certo, dirão alguns - passarão pela agilização dos processos de instalação das energias renováveis diversificadas (eólica, painéis solares...) dentro dos limites concelhios assim como promoção da eficiência energética, através de fundos ou incentivos fiscais.

Vejamos, de outro modo: um plano director municipal que, se revisto, privilegie a construção em áreas de boa exposição solar, viradas a sul, e se possível, com pareceres e sugestões técnicas ou mesmo reformulado com base num estudo encomendado/protocolado às Universidades próximas. Um PDM, ou orientações municipais, que regulamente os materiais a utilizar na edificação: reciclados, de fontes auto-renováveis, que beneficiem a economia local e o ambiente; assim como as próprias configurações dos edifícios, utilizando o IMI (com mais ou menos anos de isenção, por exemplo) ou outros procedimentos fiscais para penalizar ou premiar o imobiliário verde.
***

Já agora que falamos em Planos de Urbanização: é uma pena que o PUVAB (Plano de Urbanização de Arco de Baúlhe) - talvez seja tarde de mais apontar - não englobe a Freguesia de Pedraça, que nesta zona é a que tem melhor exposição solar e, mesmo sob administração de outra Junta, tem grandes afinidades com Arco de Baúlhe (assim como outras freguesias). É aliás, uma espécie de Gaia virada ao Porto, se bem que no inverso dos pontos cardeais.

Fotos do Pedro Oliveira [o Espanha, :) ], assim como esta.


Banqueiros de Liberdade


João Jardim chama "bastardos" e "filhos da puta" a jornalistas. Um jornalista (Daniel Oliveira) chama-lhe "palhaço rico". João Jardim fuma o charuto da impunidade e, na palhaçada deste Estado de Direito, enriquece em 2000 euros e juros de mora do mesmo jornalista, condenado por difamação num tribunal da Madeira. Metáfora maior nos exemplos pelo Portugal livre abaixo.

Neste país, parece que a liberdade de expressão é um bem que se pede emprestado e se paga às prestações com juros de mora. Mas estes “banqueiros” ficam livres de a gastar e doar a rodos, a quem bem entendam. E, infelizmente, o poder, a propriedade e as liberdades individuais (ou o livre arbítrio) têm esta assustadora tendência para o monopólio.

A7 tipo G7 e para Jet7

A Auto-Estrada A7, por muito abençoada que seja, é uma roubalheira numa região desde já subtraída das sortes do emprego e salários, vão aqui as reflexões do boss do Renas e Veados:

segunda-feira, 17 de março de 2008

30 anos de Luta anti-Colonial



Bem, é tempo de dar ao "Lutador" o direito à auto-determinação e acabar com o terrorismo-pimba, o da chantagem-charuto, que faz da ilha oásis num continente de sacrifícios, "cubanos e paneleiros". Para dizer verdade, será até um colonialismo ao contrário. E nesse sentido, se Alberto João Jardim não quiser referendo, queremos nós!


Um pequena reclamaçãozinha, oh vá lá...


Pode ser por motivos de financiamento, mas as entradas na Piscina Municipal de Arco de Baúlhe são caras: 2.50€, dos 19 aos 60 anos. E mesmo um pack de 30 entradas fica por 62,50 ou seja 2,08 por entrada. Ou se quiserem: pagam 25 entradas e têm mais 5 grátis. Conclusão: pouco compensa.

Por outro lado: os mais novos(abaixo dos 19) e mais velhos (ou menos jovens...), acima dos 60 anos, pagam em diferenças de quase 1 euro abaixo. Ok, compreende-se até. É por motivos de recursos financeiros limitados: ou não trabalham ou a reforma é uma miséria. Quem sabe, é pelas dores de ossos. Mesmo assim são preços pouco públicos.

E quando os grandes factores de risco cardiovascular são cimentados na faixa etária mais penalizada no preço, é de fraca política de saúde pública e é um desleixe pela prevenção das maleitas que os afligirão pelos 50 acima. Nessa altura já é tarde de mais, mesmo com as promoções da idade...

domingo, 16 de março de 2008

Gripe Espanhola


Ao finar do dia de Domingo, é vê-los aos rodos, de roda de autocarros, ou camionetas (como se diz em Braga: que os autocarros andam dentro do perímetro da cidade e não fora dela), junto do nó viário, como lhe chamam também, em Arco de Baúlhe. A estes colossos de 50 ou 60 lugares, sentados ou de pé, uma bafareira embriagada e triste, risos mascarados de camaradas da circunstância, juntam-se carrinhas de 10 ou 9 lugares, de caixa fechada, como quem os embala em dias do meio da semana rumo a Espanha, dali a umas horas valentes, estrada fora desde o nó da auto-estrada, A7, virada a Chaves, porta aberta à Europa e aos salários de maior cobertura.

Este país não é para pobres, nem assalariados ou escravos de parca miséria, nos trocados que lhe dão por horas ao sol e à chuva, em obras sem trâmites de segurança sequer, a fazer paredes finas em tijolo-estuque, condutância dos calcanhares de tacão alto, acima e abaixo, nos andares. A botar placa, umas em cima de outras, e umas por cima das outras. No estreitado que faz as cidades por cá e por lá, menos soalheiras e mais cinzentas-escuro, da cor do inverno quando era inverno.

Digo-lhes ao menos, a um punhado de gerações, pais e filhos de pior sorte, netos alguns se calhar, que lhes vai valendo ainda os fins-de-semana passados na casa portuguesa - com certeza! - a alimentar a saudade, a barriga de misérias, o empréstimo ao banco, a carregar o telemóvel. Essas coisas. Porque não os vejo por perto, grande parte deles - neste país pelo menos - durante o eixo de 2a a 6a. Para eles é de lunes a viernes. E em Cabeceiras de Basto - porque me interessa e sou de cá lapa de coração - nesses dias em ditongo castelhano, é um vazio de mulheres viúvas de presença e crianças sem pais nem irmãos, década de 60 em anos de outra fartura, esquisita, porque é o senso de fartura que escraviza as massas e as faz migrar para longe. E com isso, os que cá residem aumentam e diminuiem como as marés. Com anos próximos, uma maré baixa. Digo-o, nos rodeios de literado (modéstia a parte - não o devo ser assim tão inchado).

A crise do imobiliário tem adoecido a economia espanhola que arreava de cornadura ao alto estes anos para cima,e que a fez 8ª do planeta. Está mal agora, para quem constrói em Espanha e com ela, em piores lençóis, ficam os que insistiam em calejar as mãos por lá, em troca de um fim-de-semana em Portugal. A sangria vai levá-los de novo para longe, mais ainda: Alemanha, Bélgica, Suíça, Holanda, Inglaterra - quem sabe Angola! Pelo menos, enquanto não houver lançadas as empreitadas de Alcochete-Jamé, TGV e Metros de superfície. Mas duvido que por cá fiquem, mesmo assim. Estas grandes obras é para pretos e ucranianos, mais ou menos licenciados, com menos vergonha que os nacionais em serem trolhas por cá. Se calhar sem grandes alternativas. Enfim, coisas do fraco amor deste país a nobres artes e que se desenha no que lhes paga: ordenados esguios, os possíveis no saque ao longo da nomenclatura dos concessionários.

Nesse entretanto, os apartamentos, que enchem o olho e recheiam planos de urbanização aos caciques, quedam-se vazios como chalés. E com o subprime, inflações e taxas de juro em catadupa, quem sabe, nas mãos dos bancos que pouco saberão fazer com estes mamarrachos às moscas. São, na impotência da criatividade, falsos monumentos ao empreendedorismo. Enganam, porque não têm sustentabilidade, são angustiantes como os dias escravizados de hipoteca.

Não lesa nervos nem vasos (nem a paciência dos deputazos)

O Meu Tigre diz-me que para compensar a proibição do piercing, os mesmos (iluminados) deputados do PS vão propor a generalização do tento na língua.

sábado, 15 de março de 2008

Cães de Fila



Ontem(como quem diz):" Quem se meter com o PS, leva!"

Hoje:"não é dia de festa, mas antes de cerrar fileiras"

Jorge Coelho

O Meu Tigre diz-me que o Ministério da Agricultura esqueceu-se de colocar o Pit-Coelhull ou Cão-de-Comício na lista de raças perigosas...

A Avenida que também sou dela

O Elogio ao Mário ou do Sindicalismo de Mercado, numa Avenida Central-Sindical!


"Na Broadway portuguesa do sindicalismo, Mário Nogueira é agora a estrela ascendente nos cartazes – Carvalho da Silva está de momento mais de mãos e pés gravados no cimento do passeio da fama, e de olhos a caminho de Belém, ele e mais uns quantos camelos, será? Mas do docente líder da FenProf, não lhe conheço carreira a olhar miúdos da carteira, é antes tão eficaz como um Pastor da IURD. Conseguiu pôr uma carrada de professores a fazer o que tanto contestam na política da Ministra da Educação: enrodilharem-se horas e dias na burocracia dos papeis, plásticos e telefonemas, mas por autocarros e mais de quantas bandeiras e cantigas em comícios à sua figura.[ler mais]"

Piercing (como Tiro) no Pé

Um partido que faz e leva a referendo uma lei de liberalização do aborto com o princípio da escolha livre e consciente, não pode cometer o contra-senso de nacionalizar a língua e o genital alheio. Não há vacas sagradas no que diz respeito ao que cada um quer fazer ao e do seu corpo, em mais de quantas maneiras.

Pode-se exigir fiscalização nas técnicas de assépsia e na formação dos tatuadores e piercers, como se as deve em qualquer produto que se venda ao público, mas nunca impor ao público o que deve ou não deve comprar.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Fim-de-Semana de Tainada e Duas de Treta


Já vem correndo o programa (começou a 11), mas aqui fica a sugestão aos meus leitores de longe - são alguns, e que cá queiram vir, a Cabeceiras de Basto:




15 de Março (Sábado)

09h30m - «Prova de pesca», Pista de Pesca Desportiva de Cavez
09h30m – Abertura da Exposição «A Floresta e os seus usos múltiplos», no Centro Hípico
Grande Corrida de Galgos (durante todo o dia), no Centro Hípico
10h30m – Conferência subordinada ao tema «A Importância do ProDeR no desenvolvimento da Floresta»
12h00m – Promoção Gastronómica do Cabrito e do Anho, nos restaurantes aderentes
15h00m – Conferência subordinada ao tema «Plano Global de Gestão de Caça Maior para a Serra da Cabreira», no Centro Hípico
16h00m – Apresentação do Livro «A pesca nas águas interiores de Entre Douro e Minho», no âmbito da Acção 8.1 do AGRIS
17h30m – Entrega de prémios aos vencedores da I Grande Corrida de Galgos e da Prova de Pesca
19h30m – Promoção Gastronómica do Cabrito e do Anho, nos restaurantes aderentes
21h30m – Revista à Portuguesa «Isto é demais», pelo órfão do Porto, no edifício Multiusos do Mercado Municipal

16 de Março (Domingo)

09h30m – Passeio de Bicicletas pela Floresta no Centro de Educação Ambiental – Org. Associação Desportiva Roladores de Basto
12h00m - Promoção Gastronómica do Cabrito e do Anho, nos restaurantes aderentes
15h00m – Festival Equestre, no Centro Hípico [colaboração do Regimento de Cavalaria nº6 de Braga]
18h00m – Encerramento da Semana da Floresta, do Cabrito e do Anho





Restaurantes aderentes

A Cafreal – Refojos
A Paragem – Portela – Alvite
Churrasqueira do Paço – Paço – Arco de Baúlhe
Cozinha Real de Basto – Refojos
Luís do Outeirinho – Outeirinho – Refojos
Marisqueira Cabeceirense – Refojos
Nariz do Mundo – Moscoso – Riodouro
O Botas – Arosa – Arco de Baúlhe
O Caneiro - Caneiro – Arco de Baúlhe
O Picadeiro – Centro Hípico
Sole Mio – Refojos
Tasquinha do Pinheiro – Pinheiro – Refojos


*programação, descaradamente roubada do Ecos de Basto.

Admirável Portugal Novo

Televisões, rádio e jornais fazem capa do alarido. que este Portugal é agora uma enorme favela, de gente que se mata e onde ninguém vive sossegado. O País dos costumes brandinhos nunca foi assim!, salvo claro: as querelas em feira, ajustes de conta, jogo do pau - como quem diz arte marcial provinciana, tiros e navalhadas, crimes passionais, aldeias varridas de um lado ao outro a tiro de caçadeira, PIDE's. Não. O País é pior e vale dizê-lo todos os dias, confirmá-lo em manchetes e debates televisivos ao desespero, vale alimentar o clima de medo e saciar a fome desta falsa (in)segurança com mais polícia, mais câmaras de filmar e mais leis restritas. Em suma, na soma: mais controlo, menos liberdade.

terça-feira, 11 de março de 2008

Falta de respeito pelas normas europeias

O Meu Tigre disse-me que levaram tudo do armazém da ASAE porque aquilo estava cheio de DVD's pirateados, congelados fora de prazo e roupa da contrafacção...

Filósofos cheios de razão


"E, com efeito, o mundo dos adultos está cada vez mais triste, mais crápula, mais ratazana. É uma bicharada que vai a correr prò buraco do coval, comprometida e lassa, sem alegria, sem carácter, sem sentimentos, sem dignidade nenhuma. Não são gente: são baratas medrosas, assustadas sempre, que andam de luto por eles-mesmos e se escondem quando pressentem uma luz, a ousadia dum gesto, a virtude de uma palavra. Adultos, cadáveres de jovens. Metem dó, metem nojo, tão velhinhos, e tão resignados. Cagarolas. Gostaria de os tornar a ver como eram, na infância. Mas"

Luiz Pacheco, O Teodolito

segunda-feira, 10 de março de 2008

Estes Bloguistas Incendiários II

"Saiba o P.L. que habituado a atentados ao património já eu estou há largos anos. E de resto, sobre a sugestão de visitar o interior do mosteiro, agradeço-a, mas vem demasiado tarde. Aliás, se a vila de Cabeceiras não fosse tão bela e enquadrada num privilegiado cenário natural, eu nem me preocuparia. O Minho é pródigo em caos urbanístico, já Miguel Torga comungava da mesma opinião e sublinhava que Trás-os-Montes ainda não padecia desta "modernidade" a martelo. Mas do alto da Senhora da Orada, ou do parque eólico de Fafe, sente-se o pulsar cabeceirense desenhado a tijolo-burro. "

Obrigatório: O Desencantamento em Betão II, pelo Francisco Rodrigues (Mesa da Ciência - Braga)

Isto sim é PS... mas OE!


Em Portugal, o 25 de Abril, encostou o espectro democrático, hipocritamente, do centro para a esquerda, quando não o devia. Sobrou este centrão híbrido, rosa-laranja, que não é nada e é tudo, que não se lhe descortinando grandes diferenças, engonha o país em questões menores sem um verdadeiro confronto político, para além das guerras de carácter e do insulto cínico. E sem uma agenda política, sem uma definição clara de um rumo, não há maneira de estancar a sangria de gente, das bases de apoio, ao longo dos zigue-zagues governativos. Sina, alías, de Governos portugueses seguídos, uns atrás dos outros.

Em Espanha não. Há uma clara Direita, e há uma clara Esquerda. E o PSOE é o que vejo de um partido socialista/social-democrata realmente: de esquerda, laico, moderno, humanista e batendo-se pelas questões fracturantes de Sociedade - dos direitos e liberdades civis - sem medo de as assumir, com a força de bases ideológicas congruentes com as pessoas que o compõe. Há ideais em Espanha. Aqui, vai havendo um circo de idiotas. Olé!

Imagem do Público.es

domingo, 9 de março de 2008

Tabuleiro Político

O meu Tigre pergunta-me: se a esposa de um Presidente é a Primeira-dama, então o marido de uma Presidente é um Primeiro-xadrez?

Under Barack Obama



Hillary Clinton (n'altura por cima, nas sondagens) a desejar meter-se debaixo de Barack Obama. E parece que conseguiu.
Paródia com Umbrella de Rhiana, cortesia do Mad TV.

sábado, 8 de março de 2008

A Avenida que também sou dela

Espectros de Sexualidade na Avenida Central de Braga, a Idolátrica de Luíz Pacheco e do Cónego Melo:

"(...) quem conhecer o quão dependente, de equilíbrios hormonais e outros químicos, estruturas proteicas e moleculares tão aparentemente insignificantes, está a definição de uma identidade sexual (no corpo e nos afectos), fica com a noção que o que faz diferente de homem para mulher é quase tanto como de um homem peludo para outro mais depenado. E nisto, mais razão se dá ao Governo de Zapatero/PSOE quando não se cansa de embandeirar a Lei de Identidade de Género e as outras contra a escala de cinzas da Igreja e o monocolorismo do PP espanhol. É que tem em conta as redundâncias da Natureza, e nisto, é mais pró-natura e humanista."[ler mais]

Guerra de Números

O Meu Tigre diz-me que na manifestação de hoje em Lisboa, enquanto que PSP (afecta ao Governo) admitia entre 60 a 70 mil professores, a FenProf e sindicatos clamavam que eram quase o dobro dos que realmente haviam no país.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Eu Bloguista Libert(in)ário me confesso


Não se assustem os leitores com a foto (mais um desvario), que com este senhor partilho a futura profissão e a pose fotográfica, e o meu socialismo é menos dependente do Estado, libertário ou liberal, sem armas em punho. Prefiro disparar palavras, escritas aqui e noutros blogues. E portanto, quando em jornais locais falam nestas coisas e porque é demais evidente, não me importo de dar a cara e enfiar o carapuço. (Não digo o termo usual, não vá ter o rodilho de fonia consequências maiores que estes últimos escritos imprimidos). Há, no entanto, um terrível equívoco nestas faladuras da prensa porque não sei a que se refere, por exemplo, o A.C. (que ainda não sei quem é, nem ninguém certamente) no que diz respeito a dor de cotovelo. Eu pelo menos de cotovelo, de momento, não ando dorido. Talvez dor de cabeça com gente que não percebe nada destes espaços e fica paranóico com os devaneios das pessoas. Pior ainda quando, no alto da sua anciã sapiência, a medrar as liberdades de expressão recheadas de propósitos demoníacos, [estes dois colunistas] apontam a juventude de salazares em potência.

Ora aí enlameiam-se logo: esta técnica do medo, a coisa desconhecida, e sobretudo à gente de tenra idade em política e cidadania, é por si uma gaffe pois faz lembrar as molduras do Estado Novo. É má educação política e também um erro de provisão de valores, porque o Portugal de futuro far-se-á de gente livre, e que se sente assim, e não de gente acanhada e de vista encurtada como mulas, em carreiros como gado, que embora apeneirada sob ícones da revolução de Abril, faz lembrar a mocidade portuguesa nos maneirismos e condutas. Registados, aliás, na amostra quando de algum modo - e é ler-lhes os textos - sorvem para si conquistas que foram do país democrático na generalidade, integrado na U.E, como sendo a melhoria das condições salubres e de vida das pessoas e afins, ou mesmo da Internet (um outro feito do regime e que parece exclusivo do concelho...). Dá a impressão, outrossim, que Cabeceiras de Basto, nesse aspecto, é um oásis num Portugal atrasado, de gente a arreganhar a poia para um buraco, e a largar restantes formas de fezes na rua em tudo quanto é vila, cidade e lugarejo. O que, mesmo na compulsiva autoflagelação à nossa mediocridade, sabemos que não é verdade.


Mas adiante, sirva como esclarecimento: o pressuposto da finalidade de um blog, como tentam apontar as ditas personagens, é então por aí muito mal diagnosticado. Um blogue, como é o meu, o do Marco e outros que tais, que tanto gosto de ler e referenciar, é um espaço de exercício pessoal, opinativo, livre, impulsivo muitas vezes, e que lhe dá esse sabor que arrasta multidões de gente (vá, nem tanto). Enfim, possíveis porque são de e da Democracia e, como ela, moldáveis, adaptáveis aos tempos e às novas verdades. Mais: quem me vem lendo desde há mais de 2 anos, sabe perfeitamente que não me custa recuar numa opinião se melhores argumentos aparecerem e até, de certo modo, podem notar algumas incongruências típicas de espasmos de alma, de quem vem aprendendo com a vida, estados de espírito mais ou menos elevados, e que resultam em muitas imbecilidades(?) publicadas, com mais ou menos sentido de responsabilidade e de humor. Mas é da minha conta e risco, e uma vida sem isso não tem grande piada.

Neste sentido, o O Mal Maior é agora mais do que era seu propósito no início: uma expressão do meu eu, como cidadão, futuro médico, pessoa, português, cidadão do mundo, de Cabeceiras, do Arco, da Faia, de Braga, do Minho, de Eindhoven ou Utrecht, de sítios onde nunca fui. Dão conta aliás, que o engrunho [ao blog], jabardo nele, escrevo coisas que não interessa nem no acto de dar palha à burra, meto imagens, fotos, desenhos, caras, minhas e de outros. É, albezes, diário de coisas pessoais (e talvez nem o devia ser), e do que delas podem os que me lêem tirar, porque me decidi expor e partilhar no altruismo de me enriquecer com os outros e os outros comigo.


Mais, o blog não tem nenhum objectivo de abalar governos democraticamente eleitos, da minha freguesia a S. Bento, e dos quais desbraguei bandeiras ao alto com muita vontade . Tão pouco de os deitar abaixo- e nem tenho força para isso, há gente demasiado pesada e difícil de mover do sítio - mas antes de os fazer funcionar olhando o burburinho em redor. E portanto nunca fiz por demolir as coisas que fizeram de Cabeceiras de Basto, concelho agora apontado no mapa por muito boas razões e outras más. Entre elas lamentáveis erros gestão partidária local, aquando de excursões compulsivas a santuários que não ficaram bem a um partido laico, quanto muito ecuménico, para lá de outras vertentes de política dura e ortodoxa, e quando o mesmo tinha - e tem! - todas as condições de se modernizar nas linhas e atitudes, dado o restante cenário partidário absolutamente desolador.

E incomoda, como admira, que os arautos de uma força política que fez das linhas orientadoras do seu governo democratizar o acesso às tecnologias de informação, de repente se esperneiem, abominando tudo o que, em espírito livre, delas se vai produzindo.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Estes Bloguistas Incendiários...







"Perguntem a alguns “blooguistas”, retratistas e repórteres cá do burgo qual a intenção ou os motivos subjacentes à foto difusamente divulgada, tirada por detrás das vigas de um prédio em construção na Av. Sá Carneiro, a mais de 100 metros de distância, para obter a imagem mais desfocada, mais desfigurada, do que é para nós a maior jóia cá da terra, o Mosteiro e as suas torres. Seria bem mais fácil e útil, conhecê-las por dentro, subir pelas escadas até ao zimbório e contemplar o encanto da paisagem e a beleza e a grandeza desta terra em franco desenvolvimento.Há uma fábula bem conhecida “o menino velho e o burro”, que nos deixa um ensinamento que deveríamos assimilar desde crianças, não deveremos ver as coisas apenas pelo lado mais simples ou conveniente. Quantas vezes bastaria dar um passo ao lado (à direita ou à esquerda, não importa), para ter outra visão da realidade e alcançar horizontes que a “objectiva” só por si, não capta, caso “o fotógrafo” assim não o queira.A estes, e aos seus mais apaniguados seguidores, deixo uma sugestão, para um exercício muito simples: Coloquem-se, agachados, por trás das costas de um “Judas” qualquer, e vejam se lhe conseguem ver a cara…"


Uma coisa é certa: destes opinadores escondidos sob iniciais se não se lhes descortina o nome que fará a cara... Enfim, estranho hábito cabeceirense - este sim - que parece arrastado desde a Velha Senhora.

quarta-feira, 5 de março de 2008

[um portão entre dois falos]

Um pormenor, cada um vê o que quer, mas não deixa de ser uma mostra bonita de uma casa burguesa, do sec. XIX, referenciada num romance de Camilo Castelo Branco.

terça-feira, 4 de março de 2008

Adenda a Professores Beatos, Demónios Ministeriais

Em devaneio vos digo: se de igual modo abomino manifestações contra partidos políticos, como se fizeram no Largo do Rato nestes dias e no Palácio de Cristal do Porto em 1975, também abomino comícios de um Partido em defesa de ministros ou políticas, na retaliação, por muito que lhe queiram dar outra envoltura.

Será mais corda na espiral de birra e sabe-se lá onde isto vai parar. Mas, talvez na ironia de um País com um Sistema Educativo de merda, sejam necessárias estas ressabiadas faltas de educação para limpar a merda do Sistema.

Não me saia, ao menos, pior a adenda que o soneto...

Professores Beatos, Demónios Ministeriais

Quem me ouvir falar amanhã, no Rádio Clube, pelas 16horas e tal, 92.9 para os mais dessintonizados, poderá por a minha cabeça a prémio, tal foi o afinco com que defendi a ministra da Educação, ou pelo menos que assim o tenha parecido. No jogo de diabolização, poderão entender, os leitores e ouvidores, que me quedei por demonizar a classe dos professores quase como o mal do sistema porque não lhes agradam reformas ou mudanças, boas ou más. Se calhar nenhumas. O Pedro Romano, no Avenida Central, é bem mais incisivo e com boas verdades, algumas se calhar generalizadas:


Aliás, os professores admitiram este cenário durante muitos anos. Nunca nenhum professor negou que fosse necessária uma reforma profunda deste sistema putrefacto. Queriam todos a mudança. Só não queriam aquela mudança em particular. «Aquela mudança» era toda e qualquer mudança que fosse proposta. Em abstracto, eram todos a favor de mudanças. Concretamente, a coisa ficava mais turva."

Em Portugal, a classe dos professores, como muitas noutros sectores (saúde também, pronto- talvez o acto de contrição lhes contenha o azedo), muito pouco fez para mudar um sistema que é um total falhanço... Não lhes questiono, até, que talvez lhes tenha passado pela cabeça tal intenção, mas há confortos de inércia no serventilismo público que convém que não se mexa muito. Pelo contrário, é preferível o queixume, conceito-atitude impregnado nas várias formas do sindicalismo português que nunca percebi os moldes e os objectivos*, que faz rodar governos, uns tão parecidos e iguais aos anteriores e aos seguintes, e que perpetua este limbo. O mesmo estado das almas que alimenta os professores metidos no gordo da burocracia, a chamar nomes a primeiros-ministros (ou mesmo que não lhes tenham chamado, vamos só fazer de conta que sim), e que encarreiram nos automatismos da coisa. E aqui sim, também subscrevo o Pedro Romano, porque as formações pagas por muitos professores (do próprio bolso, como dizem), em mestrados e pós-graduações, nunca tiveram no âmago grande interesse pela valorização pessoal, no que poderiam dar aos seus alunos, que não na forma de acelerar na progressão e consequentemente em menos trabalho(menos tempo com alunos - ora vejam lá) e mais dinheiro. Tão certo como tudo nesta vida e neste mundo, que me perdoem os excelentes professores que conheço na dedicação e nos valores. Mas, infelizmente, é da actual natureza das coisas.

*porque nunca os vi na rua a contestar o fraco produto saído das escolas públicas;

segunda-feira, 3 de março de 2008

Das construções


Numa reportagem recente na Notícias de Sábado, suplemento do JN do mesmo dia, dizia-se e fotografava-se de Trás-os-Montes, região de parcos recursos financeiros, como outras de igual pib, mas com um encanto puro e de beleza dos horizontes e das gentes ainda invioladas na orgia que nos estuprou no resto. E verdade seja dita, quem calcorreia este país de paisagens de cima a baixo, nota no litoral portugueses novos-ricos parolos e no interior pobres cheios de virtude.

domingo, 2 de março de 2008

Males Reciclados


Sim, Braga é cimento. Crescem mais os blocos de apartamento que as árvores. E tão próximos que, de Braga, quase só se conhece a chuva. O Sol, esse, mal se consegue encontrar. E não, não é um cinzento de edifícios antigos, é um cinzento de monocordismo arquitectónico, de aglomerados de betão armado. A colina sagrada, verde e coroada do Sameiro ao Bom Jesus e à Falperra, está a ceder ao compadrio... É, daqui a nada, um escadario de vivendas.


Escrevia assim em discussão num Post sobre a candidatura de Guimarães a Capital Europeia da Cultura, e parece que se encaixa no contexto de discussões à volta de Braga, é ver hoje no Avenida Central. Pena é que a doença do betão, que corrói a herança cultural e arquitectónica das gentes, se tenha espalhado como um cancro à distância e metastize nos paraísos metidos dentro, onde nos orgulhamos do sotaque e do sossego.

A Saúde sobre rodas, montanha acima


Aqui (mais) uma reportagem que dá conta de um dos mais felizes projectos da Câmara Municipal em conjunto com o Centro Saúde de Cabeceiras de Basto: o Posto Móvel de Atendimento ao Cidadão. Só um apelo a Rui Sá, e que serve como errata aos leitores de fora, Cabeceiras de Basto é um híbrido paisagístico-cultural mas é do Minho.

sábado, 1 de março de 2008

Meter água a direito por taxas tortas

O Marco Gomes tem um apontamento pertinente sobre as taxas de Água cobradas pela Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto.

Basicamente, e malabarismos de cálculo ao lado, famílias numerosas pagam mais por m3 de água por cabeça que uma família individual só porque o agravamento da factura (no seu pendor ambiental) não tem em conta quantos vivem numa casa e cegamente só penaliza o consumo absoluto. Isto, quando lares numerosos são por necessidade mais eficientes ambientalmente.

À atenção dos responsáveis camarários. Deus [ou a virtude para os ateus] está no pormenor, já dizia F. Lloyd Wright...

A Avenida que também sou dela

O Serviço Nacional de Mezinhas, em vez do de Saúde, delirado na Avenida Central de Braga, que podia ser hoje quelho central em Vilar de Perdizes.

"(...) Trema, pois então, a Medicina convencional de medo: médicos, enfermeiros e administrativos; que extensões de saúde, centros, hospitais às moscas e urjaincias para gente que lhe dói a perna ou não conseguem dormir de noite, fechados agora, cedo serão ocupados por bruxas, curandeiros, cartomantes, endireitas, cortadores de mau-olhado, padres exorcistas. Enterrado o Serviço Nacional de Saúde no enterior rasgado por autoestradas - tão caras que são, é como se lhe passassem ao lado - erguer-se-á o Serviço Nacional de Mezinhas, como alternativa e não tarda nada, com ele, a fundação da Ordem dos Feiticeiros, como os seus colégios de Ervanárias, Endireitas, Cartomantes e afins. A Psiquiatria substituída por padres (se calhar outras figuras de aura santa) de bíblia numa mão e Livro de São Cipriano noutra, botando fora rezas ao mau-olhado, a talhar o bicho, a expulsar o Demónio, a ensinar as virgens a levar as mãos aos brincos d’ouro com o toar dos trovões ao longe. (...)
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Os Dias do Teatro


Que Arco de Baúlhe tem tradição de teatro não há dúvida e que a tem em talentos, também pouco se pode questionar. Ontem foi exemplo disso: a A.R.C.A apresentou uma peça como produto de um Curso de representação que promoveu com Joaquim Jorge Carvalho, docente da EB.2,3 da vila. Este, a quem se lhe deve gabar também o entusiasmo com que organizou a feira medieval na Rua do Arco, numa iniciativa do agrupamento de escolas.

Da peça veio um bom aroma, fresco. Os actores, alguns alunos da escola, de freguesias em redor e gente de outras partes mais afastadas do concelho, com atados laços de amizade e trabalho com instituições e pessoas arcoenses, demonstraram uma qualidade de representação surpreendente, e daqui bato palmas, de pé e aos saltos, ao excelente trabalho feito pelos responsáveis da formação. Haja mais disto por cá.

E pronto, aqui estará um exemplo - embora me pareça perturbamente temporário - daquilo que eu gostaria de ver feito sem a providência de docentes como que caídos dos céus: as associações culturais locais em simbiose com a escola, principal formadora de cidadãos activos e informados. No mesmo contexto do que tenho escrito. E aqui, talvez faça um acto de contrição, mas compreendam os leitores alguma insatisfação minha com o resto dos dias e com tanta boa gente por aproveitar.

De resto, para quem não assistiu, recomenda-se:

"O Filho dos Dias"
Hoje, 1 de Março
Auditório Municipal em Refojos de Basto (Vila de Cabeceiras)
21h30.