com mais ou menos delinquência, mais ou menos ideologia, o filme em londres é tão semelhante ao de qualquer outro filme da primavera árabe, da líbia à síria. anormal num país do ocidente civilizado? temos pena. a calda original é a mesma. umas classes média e baixa esvaziadas de futuro.
De futuro ou de valores? Outras gerações antes desta viveram dificuldades... Não vejo protesto pela situação vivida mas sim roubo de objectos sagrados da sociedade de consumo e destruição para o show off nas redes sociais...
ResponderEliminarde futuro. não me parece que esta geração tenha menos valores que a anterior. temos visto manifestações com total civismo e sentido. como aliás foi em portugal no 12 de março ou tem sido em espanha e israel.
ResponderEliminaresta violência em londres é uma outra forma de expressão de uma crispação social latente,como o foi em frança, tragicamente com saque e destruição e virando classes mais baixas umas contra as outras.
esse sentimento não é mais que o resultado da distância económica e cultural entre os super-ricos e os outros. estes que além de expostos a um modelo consumista que só assim subsiste, têm de aguentar os custos da austeridade no poder de compram no aumento de impostos e na privação de direitos.
estas pilhagens não são nada comparado com o que a classe média e baixa tem sido pilhada nos últimos anos, nomeadamente na privatização de serviços públicos, no aumento dos gastos com a educação e saúde e no preço da nacionalização da dívida dos bancos. tudo para benefício suposto de um sector privado criador de riqueza e emprego. ironicamente, as empresas que criam alguma coisa são pequenas demais para aguentarem os custos sociais desta política. as outras incham enquanto vão precarizando o trabalho, sob a ameaça da deslocalização. isso sim, é pilhagem, mas como não vem acompanhada de fotografias de montras partidas.
e que dizer das recentes agressões dos agricultores franceses aos camionistas que levam produtos espanhois 2 vezes mais barato?concorrência desleal, trabalho precário, pessoas sujeitam-se a trabalhar por muito pouco dinheiro, argumentam os frances?
ResponderEliminarnós por cá já assim temos os chineses?e agora..começamos a partir-lhes as lojas todas?qual a solução para o cada vez mais trabalho e concorrência desleal?
oiça (não sei se estou a falar com a mesma pessoa). eu não estou a legitimar a violência. acho que só se parte para a violência quando se não tem a formação humana necessária para responder de outra forma ou em situações desesperadas. apenas aponto isto como consequência de más políticas. solução? pode muito passar pelo regresso ao modelo social europeu e pelo consumo consciente. não me vai dizer que só podemos concorrer com a china escravizando a nossa mão-de-obra? ou isso ou então uma mudança total do paradigma, que virá, mais tarde ou mais cedo, com a generalização da automatização do trabalho. isto é, a quase total transferência do processo de produção de bens pelas máquinas. esta discussão tem sido adiada mas é da ordem do dia, porque o emprego tradicional está em vias de extinção.
ResponderEliminarNão é a mesma pessoa... Também não penso que esta geração tenha menos valores que a anterior, são valores diferentes, não acredito no "antigamente é que era"!
ResponderEliminarO que observo é que muitos da minha geração (tenho 27 anos), cá em Portugal pelo menos, tiveram e têm a vida facilitada a muitos níveis e agora face às dificuldades que se vivem e se avizinham não têm ferramentas para lhes dar resposta..
Se me revolta a má gestão feita por sucessivos governos que nos colocaram na situação onde nos encontramos?Claro!Mas a gestão individual e familiar em geral não foi melhor!E mesmo o uso dos serviços públicos não foi racional tanto por parte dos utentes como dos funcionários, por isso a culpa não é só dos altos cargos...
Resumindo, concordo é com a falta de formação humana (ou de valores ;-)), que referes (tratámo-nos por tu). Essa é a maior riqueza, porque independentemente da mudança ou não de paradigma com essa temos de acreditar que cá estaremos para o que der e vier...
Anónimo 1
As causas socio-económicas profundas existem, e sobre elas podes (e podemos)teorizar ou discorrer. Mas nos motins do Reino Unido o que predominou foi o vandalismo e o roubo praticado por jovens, muitos deles miúdos, sem um objectivo nem uma justificação válida. Falta de valores e de referências éticas, uma educação falhada, famílias desestruturadas, envenenamento por subculturas juvenis urbanas que cultivam a violência, abuso de drogas e álcool na adolescência, políticas sociais inconsistentes, tudo isso ajudou.
ResponderEliminarSeja como for, não se pode confundir o que se passou ali com as manifestações de 12 de Março e de Madrid, ou com as revoluções árabes. Não foi um movimento libertário onde alguns cometeram excessos. Também não foi a revolta de um grupo de esfomeados ou amordaçados.
Foi a "revolta" de meninos queques que nunca fizeram nada, foi-lhes sempre tudo dado de mão beijada e agora para enfrentarem uma contrariedade da vida, destroem tudo... foi o que aconteceu lá, e provávelmente acontecerá noutros Países
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