Nas próximas europeias,
votar PS, PSD e CDS é votar essencialmente na mesma coisa, no mesmo projecto disforme de Europa, muito afastado dos princípios que fundaram a União. É votar no caminho de um federalismo forçado, que só não tem tentado desfazer as identidades nacionais, a soberania dos povos, como tem acicatado o mais ignóbil e assustador do nacionalismo. Como diz Pacheco Pereira, esta é "uma Europa que se deixou esvaziar do seu melhor". Pior, sob o uso de uma política externa desastrosa e das orientações económicas da Alemanha, tem alimentado a maior vaga de eurocepticismo que me lembro de assistir, dentro e fora do espaço europeu. Eu próprio vejo-me mais um eurocéptico desta Europa decidida nas cúpulas, que humilha os parlamentos e governos nacionais e despreza a opinião dos seus cidadãos na construção da União (lembrai a aversão da Comissão Europeia aos diversos referendos ao Tratado de Lisboa). Os próprios partidos políticos do arco do poder, retiram os olhos do cidadão das decisões que tomam à sua revelia. Estão-se a marimbar para o que os portugueses possam pensar da Europa. Nem querem que se discuta. Fazem antes das "europeias", mais uma ronda na dança das cadeiras, na pole-position nos lugares que já ocupam e só se revezam aqui e ali. Os partidos do governo a ensaiar o melhor resultado possível, sabendo que as perde. E os "socialistas" a tentar segurar a figura insossa do seu secretário-geral. Está o país, como diz Clara Ferreira Alves, entregue a "apparatchiks encarregues de ganhar eleições". Vide só a matilha do reumático que o PS põe na lista. Senadores, que de outro modo já fartaram o calo das nádegas em São Bento e vão reclamar o prémio de lealdade e "sova no lombo" assentando arraiais em Bruxelas. Vide a lista desta nova AD, que não se coibiu de afastar um dos eurodeputados mais trabalhadores, como Diogo Feio, certamente não tão bonito como aquele par de jarros na fronte: o nasal Rangel dos 101 Dálmatas e o carinha de don juan do Nuno Melo e o seu discurso Moët & Chandon com que brindou ao "fim do programa do ajustamento". Os portugueses que bebam champomix.
Texto muito certeiro do Sr. Vítor Pimenta. Só acrescentaria que votar em quem quer que seja será essencialmente a mesma coisa. Os eurodeputados portugueses estão para a europa como os membros do nosso governo estão para a troika, o mesmo que uma conversa de surdos/mudos.
ResponderEliminaratenciosamente anónimo das 15:01h
Ora nem mais, votar, seja em quem for, só resulta em mais uns cobresitos para os partidos. E eles que se lixem pois a nós já nos lixaram quanto baste.
ResponderEliminarmonarquia já.
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