sábado, 29 de março de 2008

A Avenida que também sou dela

A Reguada, no Avenida Central:

"(...) com o aval do alarmismo e dos pivots à americana, vai-se espalhando pela calada aquela doentia sensação de que há uma falta da tal autoridade neste país e, sem darmos conta, temos terreno fresado para a semente do respeitinho. Quem sabe, a rependurar fotografias do Presidente do Conselho no seu olhar de terna severidade, a paternalizar a reguada, as orelhas de burro, a testa contra o quadro de lousa e a demonização da adolescência com pêlos nas palmas da mão.


Enfim, manipulação tamanha que se torna mais gritante ainda quando se associam estes casos de indisciplina ao tal novo estatuto do Aluno. Coisa que, na cabeça dos opinadores, deu aval à fervura hormonal dos púberes alunos, tão sedentos de pecado. Ora, grande feito este do nosso sistema de ensino que em vez de ensinar matemática, faz por especializar os alunos em direito escolar." [ler mais]

4 comentários:

Eduardo disse...

Caro Vítor, tudo o que tu dizes seria perfeitamente normal se a família nos últimos 25 anos pelo menos, não tivesse progressivamente e de forma continuada decidido projectar na escola a educação dos seus meninos. O que se passa hoje na realidade, é que do autoritarismo existente no sistema de ensino do antes do 25 de Abril passou-se rapidamente a um excesso de liberdade e os pais ( de uma forma geral claro) pura e simplesmente "desistiram" de educar, passando essas responsabilidades para a escola.
E a escola por si só não consegue cumprir essa função, e hoje o que temos: Crise generalizada de valores. A família está em crise, enquanto instituição e a escola também, porque o normativo legal que foi sendo implementado nos últimos anos, retira total respeito à figura do professor. ´
Vítor é importante percebermos que o que vimos no episódio do vídeo do youtube, e aí estamos de acordo, certamente será um caso isolado e custa-me a admitir, que o dia-a-dia das nossas escolas seja aquele. Mas é bom também termos em conta que há casos graves de indisciplina e agressão a professores em muitas escolas deste país que ficam impunes. E isto é que me parece ser inadmissível e inaceitável. E neste ponto eu não falo sequer em autoridade do professor. Eu falo num conjunto de regras de civilidade e respeito pela figura do professor, que tem que existir numa sala de aulas, quando se procura transmitir saber e conhecimento.
Dizer, como tenho visto em muitas análises que a culpa é unicamente dos professores é caírmos no erro colossal. Todos são responsáveis a começar nos pais, que devem incutir nos filhos o respeito pelos valores e pelas regras de convivência. Mas desculpa o termo, não vejo a Ministra da Educação a ter uma única palavra sobre isto, pois não tem "tomates" para também apontar o dedo aos pais e à família sem qualquer tipo de demagogia, enqaunto aquela provecta professora tem sido "assada" na Praça Pública, como se fosse ela a única culpada. E era importante que a Maria de Lurdes viesse a público, pelo menos dizer que aquelas cenas e o comportamento daquela aluna são inaceitáveis. Mas aí concordo com o Paulo Portas ( com cujo pensamento político estou nos antípodas), que com certeza não é a Maria de Lurdes que na segunda-feira seguinte vai enfrentar as turmas deste país, depois de visualizadas as cenas tristes e por isso é fácil aligeirar responsabilidades.Por último quero-te dizer que me parece ser um exercício perigoso, avalizarmos determinados comportamentos, refugiando-nos sempre na necessidade de liberdade. Meu caro, eu também sou pela liberdade, mas a Liberdade não justifica tudo, e eu sei que ela termina, quando interfiro com a liberdade do outro. Abraço.

Eduardo disse...

Desculpa lá, reparei agora que não são palavras tuas mas a reprodução de uma citação de um outro blog ( por sinal muito bom) mas com cujo pensamento, suponho que estejas de acordo. Se n estiveres, retiro algumas das minhas observações. Abraço

Vítor Pimenta disse...

Meu caro Eduardo, o texto é meu. Eu escrevo no Avenida Central todos os sábados.

O que eu acho que se deve discutir é a forma como as escolas devem gerir e prevenir este comportamento e não meter os tribunais e as energias deles em punir adolescentes quando há muitos adultos que deviam ter, antes eles, a justiça a morder-lhe os calcanhares.

Eduardo disse...

Concordo e subscrevo. Acho que as escolas devem implementar regulamentos internos que previnam este tipo de situações lamentáveis a todos os níveis. E parabéns pelo Avenida Central, pois por este andar é candidato a provocar uma revolução histórica na cidade de Braga desde 25 de Abril de 1974. Reflecte o poder da cidadania em todo o seu esplendor. Abraço