O raciocínio é simples: os autarcas de Basto preferem ganhos económicos a curto prazo em detrimento de tudo o resto. É uma tautologia local, ou seja, independentemente da personalidade, e demais corpo, que ocupe o cargo (presidente) a posição é sempre a mesma: queremos as barragens, haja o que houver, aconteça o que acontecer.
O ritmo discursivo é conhecido: barragens, elas não são benéficas mas são necessárias para região; munícipes, os ganhos económicos, o desenvolvimento local e a energia, ai, a energia, sobrepõem-se ao embuste rendeiro do Plano Nacional de Barragens e à destruição que ela prevê para Basto.
Desta vez foi o atual, e recém-eleito, presidente da Câmara de Ribeira de Pena, Rui Vaz Alves, a confirmar a vericidade da tautologia atrás enunciada. Em declarações à comunicação social, Rui Vaz Alves destaca que as barragens são uma "mais-valia" para Ribeira de Pena, do ponto de vista "económico e financeiro", mas fez questão de frisar que não quer que ela se concretize "a qualquer custo e de qualquer forma".
O (grande) problema é que as barragens previstas para o Tâmega não podem ser relativizadas e muito menos justificadas com o argumento de que os seus malefícios, custos, vá, possam ser eliminados ou menorizados. O mal, o custo, destas barragens é tremendo, seja à cota X ou Y, seja com investimentos pequenos ou graúdos. Como apontamento final, deixo uma frase batida: se as barragens trouxessem, por si só, desenvolvimento e progresso, elas há muito que estariam encostadas ao litoral ou, então, o Interior português estaria a ser vendido como um caso de estudo do dinamismo económico. Os factos andam por aí. É vê-los.

o cenário "caldo verde" repete-se (a foto é de 
