quarta-feira, 24 de março de 2010

Para lá e cá do Marão, sabem os que por ali estão

rio caldo barragem da Caniçada 1978 estrada que ia para a vila do geres antigamente


Fomentar o crescimento de uma região à custa do sacrifício das gentes de outra, só tem um nome: colonialismo. E é de colonialismo do Interior português que fala, quando eminentes administradores, como o Pina Moura, vem pelo próprio pé, abanar com falsas promessas do "bom" a uma região deprimida, a troco da sua riqueza.

Mas eis que ex-ministro da economia, prontamente colocado ao serviço da Iberdrola, engoliu em seco, num debate em Vila Real, perante um parecer técnico, elaborado por 15 investigadores da UTAD, que arrasa por completo o Estudo de Impacte Ambiental. Pelas palavras, pelos actos e, sobretudo, pelas omissões. O megaprojecto não é sustentável do ponto de vista ambiental, ignora quaisquer impactos económicos negativos sobretudo quando retira hectares de cultivo a populações inteiras que tão pouco poderão fazer uso dos recursos hídricos.

Mas para Pina Moura, pleno bondade, está fora de questão refazer o EIA. E dali, quanto muito, terá levado umas notas para reflexão em casa, uma vez descartada (na sua cabeça) a suspensão da empreitada.

Ora essa, e logo depois de Sócrates gastar albufeiras de saliva na coisa, com a historinha do potencial hídrico subaproveitado. É bem visto que este keinesianismo de clientela, tem apenas o propósito maior de fazer render o peixe às construturas e cimenteiras, tão sedentas de lucro, à custa da cartelização do mercado da energia. Para estes o lucro, para o estado os encargos com as compensações. A factura, está visto, há-de ser paga pelo consumidor de electricidade e pelo contribuinte. Ambos a mesma pessoa.

(na imagem, retirada daqui, a paisagem lunar que fundeia a esvaziada barragem da caniçada no gerês)

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