sábado, 12 de novembro de 2011

coerência

a dívida do estado pesa também pelas obrigações com as concessões de auto-estradas e outras parcerias publico-privadas. contratos ruinosos para o estado, como tem acusado o tribunal de contas, mas que toda a gente se escandaliza quando alguém fala em renegociá-los. a realidade é que o governo, se fosse bom, já os tinha revisto antes de impor toda e qualquer austeridade. e tanto é que deve como pode. aliás, passa a vida a renegociar o contrato com os funcionários públicos sem lhes perguntar nada.

2 comentários:

Paulo Pinto disse...

Exactamente. O Estado, através do(s) governo(s), mostra uma subserviência servil quando se trata do grande poder económico. O último exemplo é o dos lucros fabulosos da EDP, que não são incomodados «para não fazer baixar o valor da empresa no processo de privatização». Muitas parcerias publico-privadas foram estabelecidas sem cuidar do interesse público, e o abuso perpetua-se porque «não se pode» mexer nos contratos! Ao contrário do que dizem os banqueiros e outros senhores, o Estado tem mesmo que ter prerrogativas especiais, pois representa o interesse nacional e não é uma entidade com fins lucrativos.
Aliás, vemos bem que a indignação não se resume à esquerda ou aos representantes dos trabalhadores: gente insuspeita de radicalismo, de Marcelo Rebelo de Sousa à hierarquia da Igreja, de Bagão Félix ao Presidente da República, e até o tão amorfo Durão Barroso que agora parece outro, todos bradam contra a aberração a que chegámos. Muitos deles ajudaram a trazer-nos a isto, mas até esses se chocam agora com o Frankenstein que andaram a alimentar em pequeno. Mais vale tarde...

Eduardo disse...

Muito bem!