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sexta-feira, 28 de março de 2008

O Fim do Mundo em Cuecas de Fio Dental

Toca a rebate o sino, que isto está uma pouca vergonha: alunos grunhes, criminosos e assassinos, imigrantes e desemprego, terroristas, comedores-de-meninos, pedófilos, homens a engravidar, outros e outras a querer casar com uns e com outras, divórcios à la minute, gente que não reza, nem caga, nem meija nem vai à igreija. É o fim do mundo em pecado capital.

No mundo anevoeirado, cinzento de modernices, pintam-se ditadores às cores para vendê-los como amêndoas napolitanas. O medo virou doença e o autoritarismo moda. É sexy e dá direito a gajas boas.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Democratóides Paranóides

Isto fará confusão a quem lê, mas é quase isso mesmo, uma confusão. Pela blogosfera em diante falam-me de um país de autoritarismo, onde ninguém pode ser nem dizer, mesmo sem razão, o que lhe vier à mona. Neste país há bosta de cavalo a forrar o chão, é dos cavaleiros do apocalipse, falsos profetas vestidos de ministros e bestas do tamanho de aeroportos. E um gremlin em bicos de pés, a insinuar na oposição. Não há liberdade e nem se pode saír à rua, por outras questões além do calor. Há o medo medonho dos superiores e dos inquéritos que nos desnudam nas poucas vergonhas, os atrevimentos em dar à língua. Há um partido dito de esquerda, encostado à direita e sentado ao centro, que obriga doentes terminais a trabalhar até se apagarem - santa paciência!!!
Neste país, erguido íngreme sobre um oceano revolto, há uma televisão de Estado que dá a voz a fascistas e anuncia lobbis homossexuais e travestis com a seriedade de quem anúncia um genocídio eminente, que leva ministros e oposições a debate, sobre os temas mais pertinentes e os mais disparatados, e lava a roupa suja com eles. Há o desrespeito institucional cobrado com disciplina, estranhada com histeria. Há a serventia apontada em rotatividade conforme os governos que sobem e descem. Há aquele descontentamento perguiçoso, e na moda, de quem engordas as banhas em frente à televisão, a fumar e a comer como um sapo de subsídios. Os abades como putos obesos do pudim de todos.
Há o dinheiro da Europa deitado ao mar e às searas, as florestas de eucaliptos e os koalas na televisão. Há um Cavaco em retrato, em cada casa como um santo antoninho, com microcâmaras nos olhos e microfones nos dentes a vigiar-nos os pecados domésticos. É o país do medo onde dominam todos e não manda ninguém. Onde a Opus Dei vive casada com a Opus Gay, e com o filho liberal do coito interrompido e em missionário, adoptado sob o mesmo tecto. Onde os combóios e os aviões servem de arremesso e de catapulta de conspirações e magnatas dos interesses. É um rectângulo de cúmulo, onde todos vivem o fim do mundo porque o regime é de extrema-esquerda e é de extrema direita, como se governasse uma besta, não de 7, mas de duas cabeças - de Cunhal e Salazar.
Alguém me arrange um Cocktail de 25 de Abril/1 de Maior com uma rodela de 25 de Novembro, sff...