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quarta-feira, 25 de março de 2009

100 anos e 3 dias

Estação da Livração
© J. Lago

Encerrou hoje o que restava da Linha do Tâmega. Não vão circular mais comboios entre a Livração e Amarante. Por mor da política paradoxal do governo na ferrovia, fecha-se ainda a do Corgo. O processo cobre-se ainda da arrogância da falta de aviso prévio - o Governo "socialista" imita, aqui em versão mais sofisticada, os piores tiques do cavaquismo. Chega a ser salazarista porque ignora, como sempre ignorou, os interesses e a dignidade das pessoas, fria e desumanamente como o Estado Novo afundou Vilarinho das Furnas.

Tenho cada vez mais vergonha destes políticos de serventia, quais caixeiros-viajantes do status quo económico, de si próprios e da sua nomenclatura. Ainda hoje, o primeiro-ministro foi no seu tom de televenda incentivar à compra de automóveis em prol da indústria em falência: fez o elogio do automóvel, certamente menos democrático, menos cómodo e muito menos seguro que o transporte ferroviário. Estas coisas não acontecem por acaso no mesmo dia.

No próximo fim-de-semana, se não caio em erro, é inaugurado mais um broto do delírio rodoviário: a escusada variante de 20 milhões de euros a Arco de Baúlhe, com o seu caprichoso e absurdo viaduto, para o gáudio e o colarinho, os vivas ao discurso acicatado e o viagra que mantém de pé a santidade local, em adiantado estado de putrefacção de regime. Quando não nos damos conta do poder que legamos no voto, temos país que merecemos.

também aqui

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Portugal de Lata

É impressionante que uma Nação que se embebeda de futebol 365 dias por ano, não consiga os mínimos nesse desporto para disputar medalhas nas Olimpíadas. Soma-se ainda o absurdo de exigir sucesso a atletas que se faz por lembrar de 4 em 4 anos.

Imperdível este post esclarecedor do Pedro Sales

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Só falta o retrato do Presidente do Conselho

Escola São João de Deus, algures por aí, pelo menos na Reportagem especial da RTP na caminhada para o Euro 2008. Caminhada, como dizem eles, e muito bem, deviam ir a pé que fica mais barato. Basicamente: nem História, nem Português nem Matemática. No quadro eram antes letras de canções de claque, cachecois vermelho-verde, hurras e anagramas a Cristiano Ronaldo. Do aglomerado carteiras uma onda mexicana da frente para trás e gritos. É esta a injecção de distração que ainda nos dão desde cedo, acabados os 3 segredos em Fátima e estando o Fado metido no mercado musical aberto. Na altura, grandes, quando tiverem de contestar salários e atentados à liberdade, fica-se a miséria por insultos e a bonança pelos gritos de golo.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Portugal dos Pequeninos grandezinhos

Num país com complexo de pequenez joga-se grande nas amostras de modernidade que contrariem os indicadores medianos, sobretudo no Livro dos Recordes. E Lisboa não tarda nada em afirmar-se no Guiness como a capital com mais pontes com mais 10 km, com ou sem feijoada.

Enfim, para lá da esperada cagada ambiental, espera-se um projecto de ponte que pelo menos sirva de postal arquitectónico. Ao menos isso. É que o novo-riquismo português - não lhe contestando a necessidade - tem esta fatal perversidade de estragar quase irremediavelmente a paisagem humana, cultural e natural que nos resta.

domingo, 16 de março de 2008

Gripe Espanhola


Ao finar do dia de Domingo, é vê-los aos rodos, de roda de autocarros, ou camionetas (como se diz em Braga: que os autocarros andam dentro do perímetro da cidade e não fora dela), junto do nó viário, como lhe chamam também, em Arco de Baúlhe. A estes colossos de 50 ou 60 lugares, sentados ou de pé, uma bafareira embriagada e triste, risos mascarados de camaradas da circunstância, juntam-se carrinhas de 10 ou 9 lugares, de caixa fechada, como quem os embala em dias do meio da semana rumo a Espanha, dali a umas horas valentes, estrada fora desde o nó da auto-estrada, A7, virada a Chaves, porta aberta à Europa e aos salários de maior cobertura.

Este país não é para pobres, nem assalariados ou escravos de parca miséria, nos trocados que lhe dão por horas ao sol e à chuva, em obras sem trâmites de segurança sequer, a fazer paredes finas em tijolo-estuque, condutância dos calcanhares de tacão alto, acima e abaixo, nos andares. A botar placa, umas em cima de outras, e umas por cima das outras. No estreitado que faz as cidades por cá e por lá, menos soalheiras e mais cinzentas-escuro, da cor do inverno quando era inverno.

Digo-lhes ao menos, a um punhado de gerações, pais e filhos de pior sorte, netos alguns se calhar, que lhes vai valendo ainda os fins-de-semana passados na casa portuguesa - com certeza! - a alimentar a saudade, a barriga de misérias, o empréstimo ao banco, a carregar o telemóvel. Essas coisas. Porque não os vejo por perto, grande parte deles - neste país pelo menos - durante o eixo de 2a a 6a. Para eles é de lunes a viernes. E em Cabeceiras de Basto - porque me interessa e sou de cá lapa de coração - nesses dias em ditongo castelhano, é um vazio de mulheres viúvas de presença e crianças sem pais nem irmãos, década de 60 em anos de outra fartura, esquisita, porque é o senso de fartura que escraviza as massas e as faz migrar para longe. E com isso, os que cá residem aumentam e diminuiem como as marés. Com anos próximos, uma maré baixa. Digo-o, nos rodeios de literado (modéstia a parte - não o devo ser assim tão inchado).

A crise do imobiliário tem adoecido a economia espanhola que arreava de cornadura ao alto estes anos para cima,e que a fez 8ª do planeta. Está mal agora, para quem constrói em Espanha e com ela, em piores lençóis, ficam os que insistiam em calejar as mãos por lá, em troca de um fim-de-semana em Portugal. A sangria vai levá-los de novo para longe, mais ainda: Alemanha, Bélgica, Suíça, Holanda, Inglaterra - quem sabe Angola! Pelo menos, enquanto não houver lançadas as empreitadas de Alcochete-Jamé, TGV e Metros de superfície. Mas duvido que por cá fiquem, mesmo assim. Estas grandes obras é para pretos e ucranianos, mais ou menos licenciados, com menos vergonha que os nacionais em serem trolhas por cá. Se calhar sem grandes alternativas. Enfim, coisas do fraco amor deste país a nobres artes e que se desenha no que lhes paga: ordenados esguios, os possíveis no saque ao longo da nomenclatura dos concessionários.

Nesse entretanto, os apartamentos, que enchem o olho e recheiam planos de urbanização aos caciques, quedam-se vazios como chalés. E com o subprime, inflações e taxas de juro em catadupa, quem sabe, nas mãos dos bancos que pouco saberão fazer com estes mamarrachos às moscas. São, na impotência da criatividade, falsos monumentos ao empreendedorismo. Enganam, porque não têm sustentabilidade, são angustiantes como os dias escravizados de hipoteca.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Admirável Portugal Novo

Televisões, rádio e jornais fazem capa do alarido. que este Portugal é agora uma enorme favela, de gente que se mata e onde ninguém vive sossegado. O País dos costumes brandinhos nunca foi assim!, salvo claro: as querelas em feira, ajustes de conta, jogo do pau - como quem diz arte marcial provinciana, tiros e navalhadas, crimes passionais, aldeias varridas de um lado ao outro a tiro de caçadeira, PIDE's. Não. O País é pior e vale dizê-lo todos os dias, confirmá-lo em manchetes e debates televisivos ao desespero, vale alimentar o clima de medo e saciar a fome desta falsa (in)segurança com mais polícia, mais câmaras de filmar e mais leis restritas. Em suma, na soma: mais controlo, menos liberdade.

terça-feira, 4 de março de 2008

Adenda a Professores Beatos, Demónios Ministeriais

Em devaneio vos digo: se de igual modo abomino manifestações contra partidos políticos, como se fizeram no Largo do Rato nestes dias e no Palácio de Cristal do Porto em 1975, também abomino comícios de um Partido em defesa de ministros ou políticas, na retaliação, por muito que lhe queiram dar outra envoltura.

Será mais corda na espiral de birra e sabe-se lá onde isto vai parar. Mas, talvez na ironia de um País com um Sistema Educativo de merda, sejam necessárias estas ressabiadas faltas de educação para limpar a merda do Sistema.

Não me saia, ao menos, pior a adenda que o soneto...

Professores Beatos, Demónios Ministeriais

Quem me ouvir falar amanhã, no Rádio Clube, pelas 16horas e tal, 92.9 para os mais dessintonizados, poderá por a minha cabeça a prémio, tal foi o afinco com que defendi a ministra da Educação, ou pelo menos que assim o tenha parecido. No jogo de diabolização, poderão entender, os leitores e ouvidores, que me quedei por demonizar a classe dos professores quase como o mal do sistema porque não lhes agradam reformas ou mudanças, boas ou más. Se calhar nenhumas. O Pedro Romano, no Avenida Central, é bem mais incisivo e com boas verdades, algumas se calhar generalizadas:


Aliás, os professores admitiram este cenário durante muitos anos. Nunca nenhum professor negou que fosse necessária uma reforma profunda deste sistema putrefacto. Queriam todos a mudança. Só não queriam aquela mudança em particular. «Aquela mudança» era toda e qualquer mudança que fosse proposta. Em abstracto, eram todos a favor de mudanças. Concretamente, a coisa ficava mais turva."

Em Portugal, a classe dos professores, como muitas noutros sectores (saúde também, pronto- talvez o acto de contrição lhes contenha o azedo), muito pouco fez para mudar um sistema que é um total falhanço... Não lhes questiono, até, que talvez lhes tenha passado pela cabeça tal intenção, mas há confortos de inércia no serventilismo público que convém que não se mexa muito. Pelo contrário, é preferível o queixume, conceito-atitude impregnado nas várias formas do sindicalismo português que nunca percebi os moldes e os objectivos*, que faz rodar governos, uns tão parecidos e iguais aos anteriores e aos seguintes, e que perpetua este limbo. O mesmo estado das almas que alimenta os professores metidos no gordo da burocracia, a chamar nomes a primeiros-ministros (ou mesmo que não lhes tenham chamado, vamos só fazer de conta que sim), e que encarreiram nos automatismos da coisa. E aqui sim, também subscrevo o Pedro Romano, porque as formações pagas por muitos professores (do próprio bolso, como dizem), em mestrados e pós-graduações, nunca tiveram no âmago grande interesse pela valorização pessoal, no que poderiam dar aos seus alunos, que não na forma de acelerar na progressão e consequentemente em menos trabalho(menos tempo com alunos - ora vejam lá) e mais dinheiro. Tão certo como tudo nesta vida e neste mundo, que me perdoem os excelentes professores que conheço na dedicação e nos valores. Mas, infelizmente, é da actual natureza das coisas.

*porque nunca os vi na rua a contestar o fraco produto saído das escolas públicas;

segunda-feira, 3 de março de 2008

Das construções


Numa reportagem recente na Notícias de Sábado, suplemento do JN do mesmo dia, dizia-se e fotografava-se de Trás-os-Montes, região de parcos recursos financeiros, como outras de igual pib, mas com um encanto puro e de beleza dos horizontes e das gentes ainda invioladas na orgia que nos estuprou no resto. E verdade seja dita, quem calcorreia este país de paisagens de cima a baixo, nota no litoral portugueses novos-ricos parolos e no interior pobres cheios de virtude.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Lambi um sapo... Ou o Correia já corre pelos Campos a caminho de ser CEO numa Multinacional Farmacêutica...

Como a organização nunca foi o meu forte. Basta ver os meus textos de frases dispostas em entulho, raramente pim-pam-pum. Fica o blogue dispensado nestes dias, da produção de algo consistente pelo menos. E a não ser que o tempo me dê de si que chegue, vou ficando calado a ver se finada a semana e passado o exame de psiquiatria, não fique tolo e vos arraste comigo para algum hospício - com todo o respeito por quem o é - porque nem sei se o mundo cá fora é sanatório de piores maleitas mentais.

Não admira que o Ministro da Saúde não tenha aguentado a histeria generalizada. Vicissitudes de um hábito português de democracia: colocar técnicos à frente de ministérios sem os túbaros políticos para debater, explicar e aplicar as reformas que, por aqui, ou ficam no meio ou pelas intenções, ou pela propaganda... Com o Carnaval à porta: o país de confetis, todo o ano.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Portugal por fumado

A relutância e a prepotência com que alguns cidadãos portugueses insistem em contornar a nova lei anti-tabaco é reflexo de uma cultura de "o meu quintal" instalada. Não há respeito pelo espaço público e ele tão pouco é bem definido na cabeça das pessoas. Tanto que não admira que as cidades sejam apertadas como tudo, e o espaço privado e individual roce a arrogância e se confunda com o que é de todos. Não abundam praças por isso, tão pouco jardins e tão pouco cidadania. Um país que não compreenda o espírito das suas leis, não se esforça por cumpri-las, e não cumprindo, tão pouco se pode cumprir como Nação, por muitas voltas que Fernando Pessoa dê no túmulo.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Só para entender o contexto...

«O salazarismo económico está de boa saúde e recomenda-se. A maioria dos grupos económicos prospera à sombra do Estado e depende deste. A rapaziada sai destes grupos para fazer a sua comissão de serviço no Estado e regressa às empresas como se fosse a coisa mais normal do mundo: em Janeiro negoceia-se em nome do Estado uma qualquer concessão e em Fevereiro regressa-se à empresa. Existem, com certeza, contratos entre o Estado e empresas privadas que só por vergonha não têm a mesma assinatura nos dois lados do documento. Promiscuidade já não é a palavra indicada: indecência é a palavra certa.»

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Terra de Abandalho ou o Buraco de Baúlhe

Isto nem com a Alumiação de Natal vai lá...

Como uma pessoa deprimida que não tem cuidado com o seu corpo e a sua cara, Arco de Baúlhe desleixa-se, engorda mal e ganha rugas borratadas. Continuo a chorar o quão é impressionante como igualmente lamentável que se deixem fazer edifícios de betão armado em plena Rua de Arco. Como se podem aprová-los e como é que se podem sequer pensá-los!

A casa que tinha, antes de construído o mamarracho, merecia melhor abordagem e é uma mancha no percurso da arquitecta que desenhou projectos muito agradáveis como a Central de Camionagem de Refojos e a Piscina Municipal de Arco de Baúlhe. Se bem que só fez por ajeitar um rascunho dos empreendedores da coisa. Mas seria preciso fazer um desenho? Bem, não que me queira armar em arquitecto, longe disso, mas era assim que imaginava um outro aproveitamento da casa dos Monteiro:


Nestas áreas históricas não pode haver retorno económico per se, imediato e inconsequente, só porque se comprou um edifício antigo e quer-se rentabilizar ao máximo o investimento. E sobretudo quando iguais erros se cometeram alguns metros abaixo.

É que por este andar, com o abandono e o desprezo pela sua história e marcas, dos edifícios de antigas pensões, casas de família e contrabandistas, Arco de Baúlhe nunca mais será coisa que se aproveite. E para lá caminha graças aos arcoenses com responsabilidade nestes actos criminosos.

Meta-se na cabeça: por este caminho, ao fundo do túnel, há uma vila que não será mais que um subúrbio abandalhado, sujo e deprimente. Para mal de anos de estórias deitados ao rio e para a generalidade do concelho de Cabeceiras de Basto, que perde diversidade na sua paisagem turística e na sua memória...

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

É preciso ter azar

... os pobres dos imigrantes que atracaram no Algarve para além de apanhados pela polícia costeira ainda foi pela do país errado. Era p'ra Espanha. Nem eles, de calças rotas e cheios de fome, nos querem para refazer a vida.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Bowling for Arco de Baúlhe ou a Malha aos exemplos de gestão perniciosa das escolas

De Cabeceiras de Basto: 1143(Vila) e 1252 (Arco de Baúlhe). Estes são os lugares no ranking das Escolas EB2,3 que calharam às duas do Concelho no ano lectivo passado. Nada que nos orgulhe portanto, bem atrás de concelhos como Vieira do Minho, Terras de Bouro e Amares, lugares acima logicamente.


Não seria esta altura, de Natal, para
apontar dedos e até se podia justificar com os habituais condicionantes culturais e económicos de muitas famílias do concelho, mais parideiras e mais limitadas à lavoura, ao coçar-da-túbera e ao mata-bicho... Diriam outros, porque: sem desculpas! - digo eu. Ainda por cima quando são mais que sabidas as excelentes condições físicas que são oferecidas aos professores e alunos em ambas as escolas. Sem par na região em redor, admita-se! E o mais interessante é que as infraestruturas até são melhores em Arco de Baúlhe do que em Refojos, para lá de quaisquer bairrismos parolos.

No entanto, de alguma maneira, as exigências maiores advindas (com piscina, pavilhão gimnodesportivo, transporte escolar, biblioteca municipal e afins...) parecem negligênciadas por um suceder de gestões pouco ambiciosas a que não escapam as mais recentes, eleitas e reeleitas. Falhas que não podem ser descaradamente apontados às autarquias, porque estas têm cumprido a sua função, ao contrário do órgão executivo da EB2,3 de Arco de Baúlhe e agrupamento de escolas associado.

O problema de base é que o actual sistema de eleição da direcção de agrupamento é tudo menos aberto e ponderado. É frágil às perversidades e à diabolização das pessoas, como que mandadas desde o inferno cor-de-rosa para amedrontar o paraíso independente de tanta laranja pendurada em salgueiro sobre lago de patos. Há todo um processo de intriga e jogo político, arremesso e batalhas em surdina, troca de favores e influências, caudal de vénias. E é isso que conta na eleição. Uma incomportável vergonha, porque a exigência de mais e melhor educação fica deitada para segundo plano e com isso as reais obrigações de uma liderança que se quer competente e abertamente escrutinada em prol dos mais interessados: os alunos. Estes, ainda longe da regateirice a que se submetem os pais e, pelos vistos, sem grandes exemplos de cidadania para o futuro.

Face a esta problemática, tão familiar em Cabeceiras de Basto, e em Arco de Baúlhe particularmente porque está para lá virada a reflexão, vejo com bons olhos o que o Primeiro-Ministro quer fazer dos conselhos directivos. Aliás, em muito boa hora, mesmo que tardia, por força da equipa do Ministério da Educação - perdoem-me os talibãs anti-Maria de Lurdes Rodrigues - a melhor de que há memória em tempos de legislatura democrática. E tudo porque quer realmente reformar o Sistema Educativo do País que, tido por todos como uma verdadeira bosta, tão pouco se dignam estes em querer desemerdá-lo.

Segundo a proposta, e lida na generalidade, os conselhos executivos tornam-se acessíveis por concurso a gente qualificada, com um projecto educativo (que se quer ambicioso), gozando de autonomia administrativa e financeira, com maiores responsabilidades na própria dinâmica do contexto comunitário e nos resultados escolares. E isto com um Conselho Colegial que, integrando os pais, professores, autarquias e colectividades locais, tem a obrigação de escrutinar e escolher a melhor proposta. No óbvio do seu papel transparente e inerente de querer o melhor para os seus filhos e para a sua comunidade.

Acaba-se assim com estas gestões de prejuízo, na fisiologia de base e completamente desligada do meio socioeconómico e cultural, a servir, e mal, interesses partidários por debaixo. Porque a responsabilidade das coisas funcionarem mal também será do conselho que a escrutina. E portanto, também este apontado quando for preciso na auditoria do dia-a-dia: na blogosfera por exemplo.

As comunidades devem escolher o melhor gestor da educação dos seus filhos a bem deste país e neste mundo extremamente competitivo, aliando todas as forças vivas locais na eleição e no julgamento da acção educativa. E com responsabilização. É uma questão de exigir resultados a quem os deve apresentar e de uma maneira transparente. De termos também uma educação de qualidade que forme cidadãos de valor acrescentado, com sentido crítico, empreendedores e argamassa de uma democracia madura e sustentável.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Deste Porto

... ressentido, ressabiado. Sem lei e cinza como uma Chicago dos anos 30. Talvez não seja mas parece o exemplo empírico, do engodo ao crime: regiões envoltas em depressão económica, onde valem as lutas pelo dinheiro que sobra e da pior maneira. Onde o Estado de Direito se desculpa na falta de Ordem com mais polícia, pelas poucas oportunidades que possiblita.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Os Impunes

Nunca se apuram responsabilidades neste país, e das tragédias nacionais, como da Luz do Sameiro a Entre-os-Rios, morre solteira a culpa ou, pelo menos, arquivada. Resultado de lugares e suas responsabilidades tomados de traseiro sentado e pés em cima da mesa. Quando soam os alarmes, da eficiência ou da eficácia, da fiscalização ao salvamento, tudo fica a cabo do destino e das vontades de Deus. O País chora e faz piadas negras. Tudo passa. E recolhem-se as pessoas e famílias na sua própria tragédia com o "é a vida, foi o que se pode fazer". Permanece o serviço no remedeio. Enfim... Exigências de mar salgado, mais umas quantas de postas de bacalhau e lágrimas misturadas de assobio.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

A Pobreza que entr' Agosto

Hoje basta olhar as capas dos jornais e cheirar cá fora o andamento. Cinco euros por dia. A pobreza não são só mulheres idosas de sacos plásticos, a procissão de caretas e desempregados, os tostões gastos em cafés e bagaços, conversas sem pés nem cabeça. A Pobreza deste país é a juventude que daqui foge, regressada de Verão ou ao fim-de-semana, pelo mesmo de sempre: salários medíocres, pagos como frete, baixos e chorados.

domingo, 30 de setembro de 2007

O País do Dr. Menezes ou O Portugal dos Pequeninos

O PSD de agora faz-me lembrar um Benfica da era Damásio e Vale e Azevedo, moribundo a espernear e a exaltar 2 ou 3 dias por um novo treinador até que se enche dele. O de agora é Menezes, qual Manuel José após Artur Jorge. Paulo Autuori se calhar. Uma bagatela de pequenas coisas. É o barómetro do próprio sistema politico-partidário português, refém ou de elites ou das bases e ambas crispadas umas com as outras. Menezes, por estimado colega de medicina que seja, não traz nada de novo ao PSD e tão pouco ao País ou à sua República. Mas tão pouco Marques Mendes trazia. O PSD alías era e é demasiado grande nos seus 30%, uma manta de retalhos de gente que não se entende, sem um fio condutor comum senão o poder e as crias para alimentar. Tal e qual o outro grande do sistema, no poder por mais uns 6 anos provavelmente, a caminho do tetra.

O PSD menezista é uma espécie de cantar do cisne esganiçado. Virá daí o partido dos caciques, de Isaltino a Valentim, dos eletrodomésticos e dos favorezinhos e, com o discurso e os dias, a supremacia do País dos Autarcas, da Irmandade do Feirante. Em seguida, morre... É este o país adiado, entregue a populistas sem ideologia que não a do poder a todo custo, contra tudo e contra todos. O tal País das Tetas a esvair-se da sua seiva leitosa por uma cambada de cachorros sequiosos. Um País entregue aos diminuídos, dos bairros sociais e da chave entregue, dos mal-agradecidos por um T3 ou um T4. Um País à João Cléber, pimbalhesco, julia pinheiróide.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Golpes de Vista Curta

O misterioso A.C., que assina a coluna "Golpe de Vista" do Ecos de Basto ,teve um espasmo intelectual, ao chegar à conclusão de que as escolas de aldeia fecham porque não tem crianças... Brilhante! E ficamos muito mais esclarecidos no que toca à justificação das reformas no Sistema de Ensino. É que, pelos vistos, parece ser só mesmo isso.

Do que se esquece A.C, é que a verdadeira Reforma da Educação em Cabeceiras de Basto, como no País inteiro, a ser municipalizada, pode contribuir, como farinha de cânhamo, para ao engodo da angariação partidária. É que os quadros de professores e funcionários, quer queira A.C. quer não queira, tendem a ser escolhidos mediante o interesse militante e em compensações pela fidelidade na campanha e não pela exigência e pela competência dos contratados.

E basta ver os recentes episódios da picardia partidária pelas rédeas nas direcções de certas escolas de agrupamento. Esta "esgrima "continua pelos quadros acima, todos eles. É de onde brota a charruada do costume. E enquanto for assim, ninguém pode ficar muito descansado com a qualidade do ensino para os nossos filhos - e ainda não tenho nenhum... Esta vai continuar apalermada, a servir mais para pagar salários de fiéis de fundos que para melhorar e aumentar a reserva de conhecimento dos portugueses. Felizmente que este entra, com algum lixo, a rodos com a Internet e pelas fronteiras arreganhadas que o Espaço Schengen, felizmente, proporciona.

Mas isto para não falar do absurdo de escolas que ficam por encerrar - sim eu defendo o encerramento das desumanas escolinhas de aldeia . Enfim, vamos ter uma catrefada de centros escolares para engrossar... a área das influências. E mais uma vez em prejuízo de uma educação desde o início diversificada, com as áreas complementares: de artes plásticas, teatro, música, cinema e fotografia, civismo, línguas estrangeiras, multiculturalidade e diversidade, educação para a saúde; e em que os alunos seriam cada vez mais responsabilizados e centrados no sua própria formação. Pelo contrário, investindo muito pouco na rede de transportes escolares -nas vias e na qualidade dos autocarros e carrinhas - vai continuar a desigualdade de oportunidades das crianças do concelho. Nas vilas: privilegiadas, na minimização do prejuízo; e no restante concelho: é o que se sabe....

Mas a A.C. só lhe compete fazer a defesa e o ataque no crossfire do comadrio da politiquice em Cabeceiras.