O Festival da Eurovisão, ao contrário das últimas edições, teve este ano o significado político de outrora. Voltou, em 2014, a ser palco maior do velho continente no uso da cantiga como arma. A vitória de Conchita Wurst, a drag queen em que se transforma Thomas Neuwirth, vai além da extraordinária performance e da qualidade da canção em si, independentemente das outras boas canções que poderiam ter ganho. É a afirmação do sentimento europeu de paz e de liberdade, espaço onde a verdadeira democracia só o é se abarcar toda a diversidade humana. É sobretudo a vitória de uma Europa, renascida das cinzas da Segunda Guerra Mundial, moderna, tolerante e democrática, contra a hipocrisia do preto e branco, a ditadura da normalização. É a tomada de posição contra a visão da Rússia de Putin sobre o mundo, cabeça de um regime musculado que tem incentivado a perseguição violenta de lésbicas, gays, bissexuais e trangenders (LGBT) naquele país. We're here, we're queer, get used to that.