De 1945 a 1998, as grandes potências nucleares fizeram explodir 2043 bombas atómicas em ataques (2) e testes. O vídeo do japonês Isao Hashimoto torna-se verdadeiramente desconcertante a partir de 1962.
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domingo, 17 de novembro de 2013
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
sábado, dia de feira
Bombos, concertinas e gado. Ingredientes para apurar a Feira de Santa Luzia que vem conhecendo decadência nos últimos anos, muito pela transformação do Largo da Serra ou Justino de Souza (ou mesmo antigo Largo da Feira) naquele espaço ambíguo e disfuncional, que nem é praça nem jardim.
Serve assim este sábado para lembrar Arco de Baúlhe da sua Feira Anual, que já foi de início a 13, dia oficial da Santa e com 3 de duração. E já agora, que teve uma quinzenal, a 15 e a 29 de cada mês, finada em tempos não muito distantes. Ou então, para informar também, como diria o vigário Henrique de Sousa Lobo em 1758, nos "dias 21 e 22 de Julho uma feira a que vem mercadores vários com suas fazendas e juntamente a comprarem linhos que nesta terra se fabrica com abundância. E é feira franca e é no lugar do Arco"
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quinta-feira, 17 de novembro de 2011
ignorância
não acho que tenhamos feriados a mais, nem tão pouco acredito que reduzir 3 ou 4 façam aumentar a produtividade do país. pior ainda quando entre os feriados a abater está o 5 de outubro. além do preconceito mesquinho de uma direita com comichões conhecidas com o ideário republicano, revela-se a ignorância histórica sobre uma data que também faz a efeméride da fundação do país, no mesmo dia em 1143, com o tratado de zamora.
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segunda-feira, 15 de agosto de 2011
coça das antigas
"Dom afomso etc A todollos Jujzes e Justiças dos nosos Reignos a que esta carta for mostrada Saude
Sabede que o conçelho e homeens boons d atey honrra de dom fernando de meneses do noso conselho nos emviarom dizer que estando elles seguros sob guarda de deus e nosa nom fazendo nem dizendo mall algua pessoa que fernam coutinho mandara ao dicto logo de atey huu luis aluarez seu escudeiro E meem rrodrjguez e lopo martjnz morador em canedo termo de çellorico de basto., E outros homeens de pee armados d escudos e lanças e espadas dizendo que queriam tomar per força huu laurador que sse veera do dicto logo de çellorico morar ao dicto llogo d arey
E que tanto que ao dicto lugar chegarom começarom de os doestar chamando lhes Rapazes fi des putas cornudos dizendo lhes outras mujtas maas pallauras desonestas E que veendo elles aquello lhes diserom que se fosem em boa ora E os nom desonrrasem que sse algua cousa queriam que Requeresem o Juiz ou ho seu ouuidor do dicto dom fernando e que lhes fariam dereito dizendo lhes elles que nom eram alli vijndos por ijsso.,, mais que fariam o que lhes Era mandado. que emforcariam dous ou tres delles ., mouendo contra elles doestando os de mujtas desonestas pallauras.
E que veendo elles como os sobredictos moujam contra elles começarom de chamar da nossa parte ., No quall apillido acudirom todollos moradores do dicto logo d arey asy homeens como molheres E se emvurilharom todos huus com os outros em aRuido do quall aRuido ssayrom feridos os dictos lujs aluarez e meem rrodrjguez e lopo martjnz., E que o dicto lopo lujs aluarez sse veera a morrer e os outros eram saaos e sem alleyjom das dictas feridas.,"
a tradição de porrada entre varões de diferentes freguesias já vem de tempos antigos, e, então tal como hoje, o mote não tem a ver com o tamanho dos colhões, mas se andam com eles mais ou menos vazios.
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quarta-feira, 10 de agosto de 2011
uma mão cheia de nada
mais ou menos o português para "hatful of hollow", nome do álbum dos the smiths que estampa a t-shirt desta estudante nos protestos contra o aumento das propinas em londres, em meados de novembro último. a banda inglesa é também um ícone das convulsões sociais na inglaterra dos anos 80 de thatcher e, ironicamente, a banda preferida do torie david cameron, actual primeiro-ministro britânico.
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segunda-feira, 27 de junho de 2011
20 anos
Passam 20 anos da elevação de Arco de Baúlhe à categoria de vila (aprovada em 20 de Junho de 1991, a nova categoria foi publicada em Diário da República a 16 de Agosto do mesmo ano). Aproveitando a organização de um arraial minhoto na Rua de Arco de Baúlhe, no dia 2 de Julho, desafiam-se todos os arcoenses e simpatizantes a vestirem de azul e amarelo.
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quarta-feira, 11 de maio de 2011
mitterand
fez 30 anos da sua eleição como presidente da república francesa. é a par de olof palme, um dos grandes estadistas e nome maior do socialismo democrático europeu do século xx. já não se fazem homens desta matéria. em portugal, então, as figuras da área são de uma total pedantice.
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quinta-feira, 28 de abril de 2011
o nome das ruas
a notícia é antiga mas a falta de discussão há muito me enerva. a câmara municipal de cabeceiras de basto montou uma outra comissão cheia da gente do costume para dar nomes às ruas das vilas deste concelho, arreados que foram homens com conhecimento, como o estimado professor alexandre vaz. só mais um pecado original num processo que devia envolver o maior número possível de pessoas e documentos pela importância destes assuntos na preservação da memória colectiva e na identidade específica destas populações.
se nas matérias das outras vilas não me vejo na legitimidade de mexericar, já correndo a lista da toponímia proposta para arco de baúlhe, depressa a náusea dá lugar ao vómito. fica à vossa consideração: rua do bairro da cerca nova 1,2,3 até 7; alameda (quê?) do carvalhal, rua e travessa das gaiteiras; mais umas quantas ruas e travessas de quantos lugares e lugarejos há. foi este o modo escolhido. não se vê uma única referência a acontecimentos históricos e a personalidades locais e nacionais, excepção seja à rua da viscondessa do peso da régua, que tão daimosa foi com o município, quando na propriedade dela foram arreigar obra.
de resto, onde está uma rua da liberdade? não há direito? uma praceta ou rua de camilo castelo branco, que tantas referências fez a arco de baúlhe na sua novela de "eusébio macário"? onde está uma rua do zé do telhado, cujo bando se juntou várias vezes na casa da ramada, na quintã? e a rua bento elísio de azevedo, daqui natural e deputado na assembleia constituinte de 1975? e um jardim ou uma praça júlio henriques, talvez em frente à "casa do povo" onde nasceu o mais ilustre cientista arcoense, que tem uma monumental alameda em coimbra? onde está uma referência a alfredo machado, presidente de junta nos anos 60 e responsável por uma das primeiras revoluções urbanísticas no arco (1,2 e 3)? onde está uma travessa do pintor abel croca? porque não rua padre manuel gonçalves, arquitecto da famosa (goste-se ou não) igreja do barco nas caxinas, em vez de rua do alambique?
não me alargando em mais comentários e propostas, isto é o que dá quando se tem como referência no arco apenas e só o presidente da junta.
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segunda-feira, 25 de abril de 2011
nem tudo foram cravos
Se alguém quisesse acusar os portugueses de cobardes, destituídos de dignidade ou de qualquer forma de brio, de inconscientes e de rufias, encontraria um bom argumento nos acontecimentos desencadeados pelo 25 de Abril. Na perspectiva de então havia dois problemas principais a resolver com urgência. Eram eles a descolonização e a liquidação do antigo regime. Quanto à descolonização havia trunfos para a realizar em boa ordem e com a vantagem para ambas as partes: o Exército Português não fora batido em campo de batalha; não havia ódio generalizado das populações nativas contra os colonos; os chefes dos movimentos de guerrilha eram em grande parte homens de cultura portuguesa; havia uma doutrina, a exposta no livro Portugal e o Futuro do general Spínola, que tivera a aceitação nacional e poderia servir de ponto de partida para uma base maleável de negociações. As possibilidades eram ou um acordo entre as duas partes, ou, no caso de este não se concretizar, uma retirada em boa ordem, isto é, escalonada e honrosa. Todavia, o acordo não se realizou e retirada não houve mas sim uma debandada em pânico, um salve-se-quem-puder. Os militares portugueses, sem nenhum motivo para isso, fugiram como pardais, largando armas e calçado, abandonando os portugueses e africanos que confiavam neles. Foi a maior vergonha de que há memória desde Alcácer Quibir. Pelo que agora se conhece, este comportamento inesquecível e inqualificável deve-se a duas causas:
Uma foi que o PCP, infiltrado no Exército, não estava interessado num acordo nem numa retirada em ordem, mas num colapso imediato que fizesse cair esta parte da África na zona soviética. O essencial era não dar tempo de resposta às potências ocidentais. De facto, o que aconteceu nas antigas colónias portuguesas insere-se na estratégia africana da URSS, como os acontecimentos subsequentes vieram mostrar;
Outra causa foi a desintegração da hierarquia militar a que a insurreição dos capitães deu início e que o MFA explorou ao máximo, quer por cálculo partidário, quer por demagogia, para recrutar adeptos no interior das Forças Armadas. Era natural que os capitães quisessem voltar depressa para casa. Os agentes do MFA exploraram e deram cobertura ideológica a esse instinto das tripas, justificaram honrosamente a cobardia que se lhe seguiu.
Um bando de lebres espantadas recebeu o nome respeitável de «revolucionários». E nisso foram ajudados por homens políticos altamente responsáveis, que lançaram palavras de ordem de capitulação e desmobilização num momento em que era indispensável manter a coesão e o moral do Exército para que a retirada em ordem ou o acordo fossem possíveis. A operação militar mais difícil é a retirada; exige em grau elevadíssimo o moral da tropa. Neste caso a tropa foi atraiçoada pelo seu próprio comando e por um certo número de políticos inconscientes ou fanáticos e em qualquer caso destituídos de sentimento nacional. Não é ao soldadinho que se deve imputar esta fuga vergonhosa, mas aos que desorganizaram conscientemente a cadeia de comando, aos que lançaram palavras de ordem que nas circunstâncias do momento eram puramente criminosas. Isto quanto à descolonização, que na realidade não houve.
O outro problema era o da liquidação do regime deposto. Os políticos aceitaram e aplaudiram a insurreição dos capitães, que vinha derrubar um governo que, segundo eles, era um pântano de corrupção e que se mantinha graças ao terror policial: impunha-se, portanto, fazer o seu julgamento, determinar as responsabilidades, discriminar entre o são e o podre, para que a nação pudesse começar uma vida nova. Julgamento dentro das normas justas, segundo um critério rigoroso e valores definidos. Quanto aos escândalos da corrupção, de que tanto se falava, o julgamento simplesmente não foi feito. O povo português ficou sem saber se as acusações que se faziam nos comícios e nos jornais correspondiam a factos ou eram simplesmente atoardas. O princípio da corrupção não foi responsavelmente denunciado, nem na consciência pública se instituiu o seu repúdio. Não admira por isso que alguns homens políticos se sentissem encorajados a seguir pelo mesmo caminho, como se a corrupção impune tivesse tido a consagração oficial. Em qualquer caso já hoje não é possível fazer a condenação dos escândalos do antigo regime, porque outras talvez piores os vieram desculpar.
Quanto ao terror policial, estabeleceu-se uma confusão total. Durante longos meses esperou-se uma lei que permitisse levar a tribunal a PIDE-DGS. Ela chegou, enfim, quando uma parte dos eventuais acusados tinha desaparecido e estabelecia um número surpreendentemente longo de atenuantes, que se aplicavam praticamente a todos os casos. A maior parte dos julgados saiu em liberdade. O público não chegou a saber, claramente, as responsabilidades que cabiam a cada um. Nem os acusadores ficaram livres da suspeita de conluio com os acusados, antes e depois do 25 de Abril. Havia, também, um malefício imputado ao antigo regime, que era o dos crimes de guerra, cometidos nas operações militares do Ultramar. Sobre isto lançou-se um véu de esquecimento. As Forças Armadas Portuguesas foram alvo de suspeitas que ninguém quis esclarecer e que, por isso, se transformaram em pensamentos recalcados.
Em resumo, não se fez a liquidação do antigo regíme, como não se fez a descolonização. Uns homens substituíram outros, quando os homens não substituíram os mesmos; a um regime monopartidário substituiu-se um regímen pluripartidário. Mas não se estabeleceu uma fronteira entre o passado e o presente. Os nossos homens públicos contentaram-se com uma figura de retórica: «a longa noite fascista». Com estes começos e fundamentos, falta ao regime que nasceu do 25 de Abril um mínimo de credibilidade moral. A cobardia, a traição, a irresponsabilidade, a confusão, foram as taras que presidiram ao seu parto e, com esses fundamentos, nada é possível edificar.
O actual estado de coisas, em Portugal, nasceu podre nas suas raízes. Herdou todos os podres da anterior; mais a vergonha da deserção. E com este começo tudo foi possível depois, como num exército em debandada: vieram as passagens administrativas, sob a capa de democratização do ensino; vieram «saneamentos» oportunistas e iníquos, a substituir o julgamento das responsabilidades; vieram os bandos militares, resultado da traição do comando, no campo das operações; vieram os contrabandistas e os falsificadores de moeda em lugares de confiança política ou administrativa; veio o compadrio quase declarado, nos partidos e no Governo; veio o controlo da Imprensa e da Radiotelevisão pelo Governo e pelos partidos, depois de se ter declarado a abolição da censura; veio a impossibilidade de se distinguir o interesse geral dos interesses dos grupos de pressão, chamados partidos, a impossibilidade de esclarecer um critério que joeirasse os patriotas e os oportunistas, a verdade e a mentira; veio o considerar-se o endividamento como um meio honesto de viver. Os cravos do 25 de Abril, que muitos, candidamente, tomaram por símbolo de uma Primavera, fanaram-se sobre um monte de esterco.
Ao contrário das esperanças de alguns, não se começou vida nova, mas rasgou-se um véu que encobria uma realidade insuportável. Para começar, escreveu-se na nossa História uma página ignominiosa de cobardia e irresponsabilidade, página que, se não for resgatada, anula, por si só todo o heroísmo e altura moral que possa ter havido noutros momentos da nossa História e que nos classifica como um bando de rufias indignos do nome de Nação. Está escrita e não pode ser arrancada do livro. É preciso lê-la com lágrimas de raiva e tirar dela as conclusões, por mais que nos custe. Começa por aí o nosso resgate. Portugal está hipotecado por esse débito moral, enquanto não demonstrar que não é aquilo que o 25 de Abril revelou. As nossas dificuldades presentes, que vão agravar-se no futuro próximo, merecemo-las, moralmente. Mas elas são uma prova e uma oportunidade. Se formos capazes do sacrifício necessário para as superar, então poderemos considerar-nos desipotecados e dignos do nome de povo livre e de Nação independente.
antónio josé saraiva, os filhos de saturno (1980), retirado daqui
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sexta-feira, 25 de março de 2011
trombeta do apocalipse
ano do senhor de 1967 e o mesmo de eduardo nascimento na eurovisão, manequim da montra do lusotropicalismo. serge gainsbourg (je t'aime moi non plus) leva a viena, pelo mónaco e na voz de minouche barelli, este 'boum badaboum'. outra bela orquestração, espelhos e o glamour dos sixties para dizer ora zumba na caneca que não tarda o fim do mundo. sem cuecas de preferência.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
dormir com a história
Ainda um trecho bucólico de paysagem, a que não falta a doce tranquilidade da agua corrente do pequeno ribeiro de Santa Senhorinha e eis-nos em ARCO DE BAULHE, na famosa hospedaria do ou da Pacheco, conhecida por todo o viajante que transita do Minho para Tras-os-Montes, deliciosamente celebre, como a Capua de Annibal, para quem arroste fadigas e leitos ruins, immunducues e trombas sugadoras de insectos, por essas hospedarias e tavolagens das duas províncias do Norte. Uma consolação essa modesta mas aceiada hospedaria do Arco, onde o viajante encontra um banho fresco que o predispõe maravilhosamente ao almoço, servido na sala de jantar varrida e limpa, a toalha escrupulosamente branca, o vidro dos copos como que lapidado de fresco…
camilo castelo branco, in 'o minho pittoresco'
a 'casa das tojeirinhas', um belo exemplar da arquitectura burguesa do século xix, com o seu belo portão 'arte nova', em arco de baúlhe está agora aberta ao público para reserva e dormidas. uma excelente iniciativa que devolve ao arco um cheiro dos anos dourados das sua pequena hotelaria. neste caso então, ao viajante ainda lhe sobra o privilégio de dormir numa das hospedarias do roteiro camiliano. bem haja pela iniciativa e que incentive outros investimentos semelhantes na vila.
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sábado, 11 de setembro de 2010
O nosso 11 de setembro
Há 25 anos, em Alcafache, o maior desastre da história ferroviária em Portugal.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
A História Googlada
No dia em que o maior acelerador de partículas do mundo, do CERN na Suíça, entrou em funcionamento, a Google associou-se com pinta ao marco. Eu associo-me à segunda roda mais importante depois da invenção da primeira.... roda. Não há ainda imagens do bosão de Higgs, a tal "partícula de Deus", mas, tal como se diz por aí, a Verdade da Origem do Universo está mais perto de Genebra que do Vaticano, Meca ou Jerusalém.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
domingo, 24 de fevereiro de 2008
As Ruínas do Império Roby
Arco de Baúlhe não tem uma Quinta do Mosteiro, com largas parcelas de terreno susceptíveis ao estupro imobiliário. Mas tem quintas de marialvas, em decadência, de fidalgos do nada, de que lhes resta pouco mais que o título, que em República de nada serve, e claro as heranças, em lavouras e casas brasonadas.
No Arco, há pelo menos 2 casas: do Arrabalde (foto à esquerda e em baixo) e de Cimo-de-Vila (em cima); entregues aos elementos naturais e às perversidades humanas - esta última, ardida há uns meses, sem causa aparente, tão estranhamente a meio de uma enxurrada de água. E entre elas, uns hectares (talvez, porque tão pouco sei de medidas em larga escala, e raramente falo em anos-luz de terreno), com uma Escola EB 2-3 pelo meio, uma piscina municioal, uma biblioteca, gimnodesportivo e um amontoado de zinco que serve sede da Cruz Vermelha.As casas entretanto, caem aos bocados, e a memória com elas. Estão subaproveitadas, deitadas ao desleixe e não há quem lhes deite mão. Boa mão, sublinhe-se, porque se o Estado não tem direito de obrigar as pessoas deste país a cuidar do lhes calhou na rifa, grande parte delas com um porta-misérias de bolso, tem de pelo menos o dever de facilitar e proteger a sua História da erosão e do lucro. E nem tudo o que se ergue novo é obra, e muito tem de ambientalista (re)aproveitar o que o tempo nos foi deixando no caminho.
As casas aliás, são da pertença da Família Roby, ligada a um punhado de tantas outras em Braga inclusivé (e perdoar-me-ão o lapso pois afirmo de memória) a Casa de Ínfias, junto do Liceu de Sá de Miranda e de grande beleza, porque entretanto foi restaurada. Isto, apesar do arvoredo de betão armado, dos muitos blocos de apartamentos construídos em redor, para não falar nas leiras da quinta cortadas em mais de quantos nós e feitios pela circular de Braga. Obras que, na puberdade da pintelheira urbana bracarense dos últimos anos, salvou-lhes a fidalguia de uma total decadência, típica da desamparada aristocracia portuguesa. Destes que poucos sobraram - e se calhar até muitos... - para a vida social e política do País. (E não é que entre eles temos Pedro Bacelar Vasconcelos de foto e texto dignos de espreitadela na NS (do JN) deste Sábado.)Dos irmãos Roby, os recentes, e não os que calcorrearam a África Portuguesa de um lado ao outro, nem tão pouco (que eu saiba pelo menos) o outro que desflorou a vida e o escrito a muita menina de boa família, lá vão vendendo às postas, bocados de terreno, a uns e a outros, à Câmara de Cabeceiras de Basto, para mais uma obra, um alargamento de via. Mas entretanto cai-lhes a pintura das paredes, as pedras e as telhas, a madeira e o esqueleto das casas e com isto muito boa parte da memória, no seu património arquitectónico com alguns interessantes pormenores, e potenciais postais turísticos da vila cada vez mais dormitório e pachorrenta.
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
O Carvalhal, o Rato e o Mosteiro ao Fundo
Arco de Baúlhe, Cabeceiras de Basto, 17 de Fevereiro de 2008, e uns quase 40 anos depois: o Carvalhal é um local privilegiado depois de demolidas as barracas, soalheiro, de vistas largas ao Norte e às torres do Mosteiro ao fundo, mas ao perto, nem por isso é vistoso. Por ele ao comprido, a subir ou a descer, faz lembrar um aterro de entulho. E é pena, porque lá em cima, coroa-se um outro largo: o do Rato, como em Lisboa, onde Sócrates se anunciou ao país e a CGTP assobia. Não ali claro, em Lisboa! No Largo do Rato do Arco, entre uma e outra casa, correram conspiradores ao regime de Salazar, da Esquerda(kirikiri kirikiriki...), alguns deles socialistas.
Aliás, toda a Área até lá em baixo, onde se calça o edifício da Junta de Freguesia é para inscrever na História do concelho: aquelas pequenas casas, uma de amarelo e azul (cores da vila), a outra encostada, mais um punhado de casas ao fundo são bonitas, antigas e carregadas de acontecimento. Numa delas, discursou Bento de Azevedo à varanda, deputado à assembleia constituinte de 75, também António Teixeira de Carvalho nos seus 20 e poucos. O PREC, a Revolução e a Reacção.Recebeu o Lugar retornados, nas tais casas pré-feitas que entretanto foram abaixo, recebeu gerações de crianças, umas ficadas outras idas.
Com o Plano de Urbanização aprovado, que não se repitam erros. E mesmo que se liberalize a construção que se dê atenção às exigências, e aos abusos, que se façam respeitar os critérios. E ali que se preserve e salvaguarde o património que vai escasseando no Arco, tantos são os atentados. Que se requalifique de urgência o espaço, que não se faça construção desenfreada. Sinceramente, desta, preferia pouca.
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Rei Morto, Fantasma Posto
Não compreendo a relutância de alguns partidos, senão todos à esquerda e no meio, em aprovarem um voto de pesar por um Chefe de Estado que foi morto de forma violenta no exercício do cargo, mesmo que pertencendo à História e na distância da mesma, por muito que se conteste o mandato e a dinastia ou a Rege. Enfim, um contra-senso se atendermos à aura pacifista de alguns deles, em lenços palestinianos - e nisso me associo.Também não se compreende porque não apontaram pelo menos, em coisa devida, um momento histórico fulcral e sem precedentes para a Implantação da República. De resto nem vale a pena apontar: o Bloco de Esquerda até já acalmava as suas "crianças" de exaltar assassinos, quando há formas não violentas e humanas de mudar as coisas. Depois, não admira que se ruborizem as bochechas de Louçã quando as tem de defender, em rotundas de verborreia, nas entrevistas com Mário Crespo...
sábado, 1 de dezembro de 2007
Feriado à Restauração da Independência: de quê afinal?
Nunca em tempos como este, de Zara e Santander, fronteiras abertas, museus e ruas invadidos por espanhóis, hospitais falados em galego e catalão, trolhas levados daqui para Castela e Leão, empresários e políticos para lá da raia mais interessados em nós que nós mesmos, surge tão ridícula a comemoração, burocrática que seja, de acontecimento tão descontextualizado.
E sobretudo quando foi entregue o País aos de Bragança, Casa Real do piorio, súbdita de ingleses e incutidora da mentalidade do "compro tudo feito", manufactura e produtos de ciência, e que desde ali nos emperraram para uns bons séculos de perguiça.
Vale que ninguém dá por ela. Só se queixam hoje de ter calhado num Sábado, sinal que calha o outro a seguir. Talvez se pudesse celebrar a independência da Língua, coisa que por lá não a têm como a nossa, e que nos valerá a sobrevivência num acordo ortográfico com o Brasil. País de maior força e tamanho no mundo, para impedir a ameaça de extinção de que se queixam já emigrantes dos Estados Unidos à Alemanha.
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