
Em Lisboa, quase que imperou o bom senso de alhear o púlpito e o sermão de Domingo da escandaleira do comício político-religioso em alturas de referendo. E no que toca não ao aborto em si, mas sim, à liberalização da prática (até às 10 semanas) - e sobretudo ao acesso de mulheres confusas e outras mais ou menos decididas a uma assistência médica legal e sobretudo conselheira, a uma opinião não interesseira; a Igreja teima em não usar de um bom senso e de um sentido de realidade que lhe parece longe de atingir para além da esmola.
No entanto Policarpo cedeu à autoridade de Ortiga, no alto da influência e da virilidade pujante do Arciprestado Bracarense, esse outro (e mais um) bastião do conservadorismo desconexo, e perdoem-me a infâmia, hipócrita. Sim, porque na mente, ou melhor, na boca destes senhores, a sexualidade é o monocarril para o Inferno e dignidade têm os mecenas para obras da ostentação.
Sim (e ironizo), a sexualidade é o último recurso nas relações humanas, e completamente controlável na sua pecaminosidade, reservado para o reproduturismo militante ao qual muitos destes pastores tão bem sabem renunciar no encapotamento daquele anexo diabólico de látex com o qual se expia a possibilidade de contaminar o rebanho com alguma da sua prole. Antes obrigar os fiéis à santa missão de expandir a humanidade com famintos e adictos da caridade, neste mundo difícil e perigoso em que muito custa dar-à-luz; este pequeno grande Inferno redondo e pintado de um azul e verde rarefeitos que a nomenclatura da Santa Sé insiste em piorar com as suas teimas.
1 comentário:
Pelo que tenho visto, este Arcebispo de Braga não me parece que seja muito conservador. Comparado com os anteriores é mais modernista e actual. Mas a igreja e os padres são o que são e com este Papa temas como a Sida e os preservativos nem se discutem.
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