Mostrar mensagens com a etiqueta Dinheiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Dinheiro. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 11 de novembro de 2008

a má educação

Vai aqui o comentário, arrancado a expensas do sr. Ernesto, que não fez por menos em vincar a sua desilusão por me manter calado face a 120 000 pessoas e professores, ou professores e pessoas, na rua a contestar a ministra. Antes de mais, calei-me porque já disse baboseira que chegue nos últimos meses. Nessa altura não fiz mais que juntar-me às baboseiras de tantos outros paladinos dos prós e dos contras, a dissertar sobre coisas que nem sabem se percebem ou se têm alguma opinião formada. De resto, apetece-me não querer saber. Li uma vez num livro (que me perdoem por não me lembrar em qual) que o sistema educativo deve ser o que mais modelos testa e onde todos parecem errados. Uma coisa é certa: o velho modelo está mal porque os índices não estão aí para enganar - mesmo que de valor muito relativo. Agora se a reforma de Maria de Lurdes Rodrigues mexe na carteira e no tempo-livre dos professores, é assunto sindical inerente a essa classe profissional - não meu, pois a docência não está nas minhas perspectivas profissionais futuras. Apenas compreendo e percebo que se proteste a burocratização do ensino, com auto, hetero e homo-avaliação - sei lá. Solidariedade por aí, pois também os médicos, de família e doutras especialidades, se tornaram agentes de burocracia do Estado e se aborrecem com isso - é um valente desperdício de energias, na realidade. Depois não admira- como dizem os Manueis e os Etecéteras - que se entreguem de corpo e alma ao mercantilismo para pagar a casa, o carro, a mota, as viagens - tudo que os livre do pantanal das chatices entre colegas de trabalho, as intrigas e os golpes palacianos. De verdade,garanto que, mesmo isso, não lhes dá a felicidade que procuram.

Desculpem o azedume, mas o problema de base é termos uma sociedade com cada vez menos paciência para se aturar a si mesma. Anda tudo com este síndrome de fuga, a querer fugir do local de trabalho, abominar quem lhes chateie, a odiar papelada e carimbos, os bancos, as contas por pagar, na febre do peeling e da magreza.

Esta sociedade é feita de gente tão egoísta-mental, tão embriagadamente insatisfeita com o que tem e o que nem precisa, que a bondade, o bom senso e o altruísmo têm de ser forçados em decreto-lei. Com isto, lamento que a unidade dos docentes só se note em tempos de guerra com os ministros e que depressa se amainem os ânimos e dispersem com as habituais contrapartidas: carreiras automáticas e dinheiro para passear decência. Tenho pena, na questão do ensino, que não sejam os professores a fazer pelo seu nicho, pela sua casa e mudá-la para melhor - nesse sentido de missão que dava carisma a algumas profissões, e que há muito que foi lançado às urtigas.

Com tantos youtubes e magalhães, tanta informação na disposição de um clique, não tivesse eu de dispender grande parte da vida a dedicar-me ao expediente de papelada, formalidades e pernas-por-fora para manter o fluxo comida e bugigangas, dava eu a educação aos meus. Aliás, dávamos todos.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

28.000€

... é, em números redondos, o correspondente ao Orçamento Anual da Junta de Freguesia de Arco de Baúlhe, com cerca de 2200 habitantes, e que mal serve para as despesas que a casa gasta. A saber: limpeza de ruas e logradouros, arranjo de muros e caminhos, iluminação pública, algum asfalto e encalcetamento de ruas, apoio financeiro e em material às colectividades locais e instituições de ensino básico e pré-escolar. E pouco mais daqui se pode tirar. Apre então para as promessas, que se não forem negociadas com a edilidade, são música para quem quiser arrotar qualquer bairrismo pela boca fora.
Ora, o Atlético Cabeceirense recebe em apoios com dinheiros públicos, via Cãmara Municipal, sensivelmente o dobro do correspondente ao que a Junta de Freguesia de Arco de Baúlhe dispõe. O Desportivo, a jogar em casa na casa de qualquer um - porque do novo campo de jogos e indemnização da AENOR, ninguém sabe nem ninguém pergunta - recebe quase tanto quanto a junta da mesma terra.
E para quê? Para financiar baboseiras e patetices, futebol com pouca gente de dentro e uma catrefada de jogadores de para lá da Lameira, formação que nem dela se ouve falar nem tão pouco se nota e um estádio com relvado para pavonear e bancadas cheias de ninguém.
Não, só pelo dinheiro que entra e pela impunidade da má gestão que lhe dão, mais vale largar umas caralhadas e concorrer a presidente destes clubes de poetas tontos...

sábado, 14 de abril de 2007

Enquanto famílias vivem com menos de um euro por dia

.. jornais exaltam de alegria o ordenado deste miúdo de 22 anos que, enfim, vai gastá-lo em carros, casas de praia, acessórios e putas, como muita gente o gastaria. Não é demagogia o que digo certamente, é um sinal dos tempos - estes tempos em que se dá uma fortuna de 26 000€/dia a um rapaz que só faz coisas com as pernas. Para a ciência, todo o dinheiro é dado em frete. Na política, os ordenados são fracos e cheios de insultos. E depois ainda se queixam da qualidade dos governos...