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terça-feira, 14 de julho de 2015

longe mas ainda parte

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Mágico


 Light in Babylon, Hinech Yafa

sexta-feira, 11 de abril de 2014

da incerteza

Joan Miró.  Ballarina. 1925. Oil on canvas. 115.5 x 88.5 cm. Galerie Rosengart, Lucerne, Switzerland.


A incerteza está aí. De fina imperceptibilidade enreda-nos em torrentes de tristeza que no abraço da insegurança encontra a condição precária em que nosso quotidiano se tornou. O dia de amanhã é tão imprevisível como a primeira gota de chuva que esperamos em algum momento cortar o sufocante enganador seco de uma tarde de trovoada. Tanto está aí o sol resplandecente como a sua luz se mistura de forma indelével com a frescura da precipitação que nos agita no interior mas logo acalma quando a toada passa e a terra apura os sentidos libertando o cheiro da sua natureza fértil.

A incerteza esta aí, como dia de trovoada. Porém, desenganem-se os mais incautos se pensam que a incerteza que vivemos é tanto sinónimo de perigo quanto uns poucos ou mais trovejos e umas cargas de água. A incerteza que vivemos é a do risco, é a da crise das democracias porque as instituições, de outrora (poderá dizer-se,  ainda com algum cepticismo) de pedra firme, se sustentam agora na volatilidade de desejos de uma cúpula de senhores e senhoras em quem mora a tão só a infame vontade de derrubar essas casas de pedra firme a que fomos costumados acreditar e a depositar confiança sob a forma de representação legitima.

Não há representação legitima quando é o próprio processo de representação que se descredibiliza pela força que instituições transnacionais assumem nos atropelos à mais importante soberana condição dessa representação – a vida das pessoas que sustentam a casa de pedra firme(?) chamada Estado.
Até aqui nada de novo. No entanto, a incerteza gerada pela perda de confiança é como gume laminoso que profundamente nos dilacera. Mesmo que a ferida não sangre, com o constante pungir da lâmina, a ferida cicatrizará quando já toda a lâmina estiver dentro de nós, movendo uma dor que nos afasta da condição humana.

É daqui, estou convencido, que ao longo dos anos, e hoje cada vez mais, a humanidade tem sido levada à loucura sob promessas de paz; é daqui que se desencadeiam as passagens de maior crueldade da nossa história. Basta que para tal façamos uma breve reflexão: nunca em nenhum outro momento estivemos tão seguros pelos avanços que a tecnologia permite (em relação à medicina; à previsão de catástrofes; em relação ao avanço de diversas indústrias; em relação à energia, etc…) mas igualmente e paradoxalmente, nunca nos sentimos tão inseguros pela dor que a noção paranoica do risco no aflige.

A noção do risco afasta-nos do nosso papel enquanto cidadãos e enquanto membros de uma comunidade. Sob a sua invisibilidade descreditamos as instituições e escusámo-nos a participar (nem que sempre contrariando e remando contra a maré). Assentamos sobre a noção do “eu” individualizado mais do que nunca e deixamos que laços se vão desprendendo sem sequer perceber que já se romperam há muito, por vezes de forma irreversível. Não podemos viver adiando a morte na ilusão de que amanhã o esquecimento nos entorpecerá um pouco mais os sentidos. A cegueira é contagiante. Quanto a trovoada se pressente (mesmo que o seja todos os dias) só o fortalecimento dos nossos laços comuns, do que nos une, poderá libertar  a insegurança que nos afasta.


Se há algo que aprendi em Orwell é que só no amor reside a maior acção revolucionária de todas.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Quão longínqua a Humanidade?

Norilsk, na Sibéria (Rússia), pela fotografa Elena Chernyshova


Todos os dias somos surpreendidos com a capacidade de sobrevivência de homens e mulheres em diferentes partes do mundo, de onde nos chegam relatos pelos canais mediáticos de todo o tipo. Alguém viveu duas década num túnel de esgoto de uma cidade para poupar dinheiro, ou um bebé que tendo sido encontrado num cano de esgoto, foi retirado e sobreviveu. Os inúmero relatos de violência extrema nas centenas de guerras e guerrilhas em todo o mundo, ou como comummente conhecido, no submundo, onde convenientemente multinacionais se encontram sugando recursos, patrocinando e perpetuando conflitos internos para permanecerem como arautos da democratização capitalizada no mercado livre (veja-se onde começou e onde pára a Primavera Árabe), veja-se o caso do Líbano nos seus inúmeros conflitos, veja-se ainda o caso de gritante atropelo à Humanidade, da Faixa de Gaza. Por outro lado, temos a emigração de guerra ou a do desespero, temos os refugiados, aos milhares tentado uma porta para a Europa, naufragando na costa ou retidos na ilha italiana de Lampedusa. A tudo isto e a tanta outra coisa a comunidade internacional, na alta moralidade dos seus líderes critica veemente, mas assobiando para o lado, não se unindo naquela que seria a verdadeira discussão do problema na vontade de o resolver - atacá-lo na raiz.
Há, assim sendo, uns que lutam por sobreviver pelas condições socioeconómicas, culturais, por factores externos que os impelem à sobrevivência. Enquanto outros, como os habitantes de Norilsk na Rússia, escolhem (livremente) viver, dia após dia, numa convicta afronta aos limites da sobrevivência, respondendo que a Humanidade é tão longínqua quão longínqua for a vontade. 
A fotografa Elena Chernyshova esteve na cidade de Norislk, para o projecto "Days of Night, Night of Days", sobre cidades com características únicas e especiais. Em Norislk as temperaturas variam entre os -10 e os -55 graus Celsius durante todo o ano, durante dois meses experimentam a noite polar, isto é a cidade não vê a luz do sol. É a sexta cidade mais poluída do mundo, de onde resulta que a esperança média de vida seja dez anos mais baixa do que no resto do território russo. Ali vivem perto de 175 mil pessoas. 

Hoje, a gentes de Norilsk fizeram-me rever a pergunta que dá título à publicação. Na sua longínqua vida parecem, por escolha própria, ter encontrado entre a força de viver e a condição humana o apego à terra, de forma tão genuína que quando saem desta inóspita cidade, a lembram com saudade. 

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domingo, 5 de janeiro de 2014

Emocionai-vos

Vivemos um tempo interessante. Na vertigem de um tempo em que ser emocionalmente apático é ser-se apto, há quem trabalhe em sentido contrário. Este vídeo apresenta uma instalação artística intitulada de Emotional Arcade. Baseia-se num jogo simples, em que o vencedor é aquele que mais sente. Algo simples mas que encerra uma atitude complexa que nos rege individual e colectivamente: o desejo humano de controlar e manipular as nossas emoções e suas manifestações. Neste mundo moderno, que recompensa o silêncio em detrimento da emoção, emocionar é, deveras, um acto revolucionário.