sábado, 28 de abril de 2007

A Bela Sirene

Liz Fraser, a vocalista enigmática dos Cocteau Twins - a minha recente paixoneta 80's - tem uma voz de outro planeta, interpreta como uma deusa e faz o inglês, com sotaque da Escócia, parecer uma língua de civilizações perdidas, a roçar o místico. E sim, para quem não conhece, é a senhora do Teardrop dos Massive Attack, e que os meus colegas e demais fãs do Dr. House bem conhecem do genérico. Melhor, só este Song to the Siren do Projecto This Mortal Coil. Disfrutem! (diria o Dr. Valério)

O Sexo Sentido

Há os que nascem ricos, os que nascem pobres e os que nascem menos-mal. Há os que nascem, e continuam, gordos ou magros, ou assim-assim. Mas há os, e as, que nascem como o sendo em corpo errado. De pequenos e pequenas, brincam como não deviam brincar, ou que não era suposto que brincassem. Ensaiam as poses dos do outro lado, dão um toque de andrógino ou de transexo. Debaixo do corpo neutro da infância, limpo e angélico, assexual, sobram coisas ou faltam coisas, que para eles ou para elas deviam ou não deviam estar ali. No entanto, pais e os demais, insistem que o cabelo seja curto que se use esta ou aquela cor, que se ponham brincos e se imponham saias e ténis, bonecas para elas e carrinhos para eles, e no entanto, vão estranhando a apatia e o desinteresse, a insistência em pegar naquilo que não deviam. Às vezes, nem isso acontece, só mesmo neles e nelas, aquela confusão com o que vêem em si por fora. Tubos e buracos que não deviam estar. Falta qualquer coisa, alguma coisa se tem a mais. Poderia referir que na exteriorização dos órgãos sexuais, a dimorfismo, é uma questão de intensidade e de bailado de hormonas. Não há nada a mais, nem a menos, apenas uma questão de desenvoltura, de agudização de tamanho, para dentro e para fora. Que a glande do pénis não é mais que um clítoris emancipado, maior e mais proeminente, mas menos enervado, sem o milagre da multiplicação e multiplicidade dos orgasmos. Que os lábios grandes de uma vagina, não passam de uma versão rosada do escroto. Mas isto seriam pormenores e, para muitos, dignos de riso e de censura. No entanto, estão lá, como o nariz e os olhos, como as mãos e os pés, como o coração e os pulmões. Existem para serem usados, como benefício do bem-estar de cada um primeiro e depois com os outros.

Difícil de entender? Talvez mais difícil será para eles e para elas. Imaginem, rapazes, que acordavam um dia de manhã com tetas e vagina, que dali a dias torciam-se de dores, de cabeça e baixo ventre. Imaginem que o arrastar de chinelos da mãe e o respirar do pai vos irritava. Que condenavam, durante esses 4 ou 5 dias no ciclo de um mês, o bater de portas de armário enquanto se esvaíam em cheiro e torrente de sangue nas frinchas do corpo. Imaginem que vos rodeava um mundo forçosamente cor-de-rosa. Que eram mulheres por imposição, nas expectativas, nas virtudes e defeitos. Capados de sexualidade, arredados do poder de penetração (salvo as bugigangas), antes assediados por uns tantos a desejar invadir-vos as paredes dessa entrada do corpo, folhada de peles e coroada de um pedaço de carne e pele rosada, que tanto desconhecem. Um mundo de um guarda-roupa mudado, de convénio, mas com roupa que por muito que vos coubesse, tão pouco vos serviria. No peito, um enorme peso, o das mamas.

Agora imaginem isso desde os primórdios da consciência de si. Imaginem o avolumar do pesadelo, na adolescência, com os pêlos que crescem e a voz grave, com o alargar dos ombros e o cheiro do acastanhar do sexo, com as mamas que se enchem como balões a expor as ancas largas e o cheiro adocicado, a voz demasiado agudizada – sem roupa que o tape. Nem corte de cabelo, nem barba que se semeie. Uma angústia que incapacita, que destrói insidiosamente por dentro, que encaminha e reencaminha numa tristeza que se agudiza e que se agrava, que como um ácido dilacera as entranhas e os sentimentos, em depressão e suicídio. No fim, sobram amores e cidadãos inutilizados, perdidos. Mais importante que o sexo que se tem, é o sexo que se sente.
***
Ora, como em muitas outras questões do respeito pela emancipação da pessoa humana, Espanha aprovou há semanas a Lei de Identidade de Género (não confundir com Orientação Sexual), que além de moderna é de uma humanidade extraordinária. Sem recurso a cirúrgia, mas apenas com tratamento hormonal e acompanhamento médico e psicológico, é possível alguem do sexo masculino ou feminino, que se sinta o contrário, mudar e regularizar-se num novo nome na sua verdadeira identidade sexual.
O agora Julio Cuesta Bernal, foi o primeiro cidadão espanhol a fazê-lo. Emocionado, mas sobretudo completo, após 25 anos de luta e 50 anos de sofrimento. Um outro exemplo vem da América, onde Mike Penner, cronista desportivo do L.A. Times, assinou o seu último artigo como tal - aliás, um dos mais lidos de sempre naquele jornal. O próximo assinará como Christine Penner.
Por cá, é a indefinição, e aquele irritante confundimento, que mata Gisbertas e que imuniza os preconceitos com que se educa .

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Deverá ser melhor que qualquer Encontro Nacional de ex-Combatentes do Ultramar


Junta-te à festa, clica na imagem!

Não Escrevi nada Ontem, o que não quer dizer que seja um saudosista salazaróide!




Mas a esta hora, o Marcellinho já devia 'tar a caminho do exílio...



Umas Boas Abriladas... atrasadas!

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Óbito

Boris Yeltsin (1931 - 2007)

domingo, 22 de abril de 2007

Novo Populismo vs Nova Esquerda

ÚLTIMA HORA:
Eis os candidatos para a 2ª Volta: Sarkozy(30%) vs Ségolène (26%)
Le Pen ficou-se pelos 11 %: a estrema-direita ficou atrás de François Bayrou (centrista). E para extremista já chega Sarkozy.

Allez Ségolène!!!

E que bom seria a passagem da socialista à 2ª volta das presidenciais francesas no dia em que a mulher portuguesa deixa de ser uma criminosa por tomar decisões acerca da sua vida pessoal e sexual.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

O Portugal dos Diminuídos

No Avenida Central - transformado numa Bancada Central de ressabiados do futebol - espelha-se este complexo nortenho de perseguição. Dos bracarenses, ou arsenalistas que sejam, não se desfigura outra coisa se não a crispação de quem se sente diminuído pelo domínio lisboeta nas arbitragens e em tudo o que de mau tem o Futebol. No meio da agitação surge o provincianismo e esta atitude anti-moura quase a roçar o mau-gosto e o nacionalismo mais pacóvio.
O Norte é o que é por aquilo que sempre quis ser: complexado. Do resto da mensagem retiro: Lisboa manda no país e em Lisboa ninguém manda. É o folclore deste país onde toda a gente se corrompe e se cunha, e toda a gente se sente na moral de delapidar.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Cartaz Maior


É já amanhã!
1º Concurso/Festival de Bandas de Medicina e convidadas no Y-Not (Bar), na Rua da Quinta da Armada em Braga. Realizado pelo Núcleo de Estudantes de Medicina da Universidade do Minho (NEMUM).

domingo, 15 de abril de 2007

A Decadência dos Últimos

`

É mais uma mostra do degradante futebol regional que não abona localidade nenhuma. Campos vazios de gente, nem latas de Spur-Cola nem bifanas. Quem lá vai, grita golo e intervala com chacota e críticas a tudo e todos. A maior parte dos jogadores nem da terra são.

Perde-se dinheiro público e perde-se qualquer utilidade na formação desportiva da juventude do concelho. Estes Atléticos e Desportivos não passam de Futebolivos e Futeboléticos. Fácil, mas sem expressão e sem dignidade - o futebol regional não é tudo, nem tão pouco é rei! É tão triste como a "relva comida". Por mim fechavam-se todos estes buracos de má gestão e de bairrismo caquético e vergonhoso.

Há que diversificar porque nem toda a gente gosta de correr atrás da bola no saibro. Aposte-se antes em FutSal, Xadrez, Judo, Natação, Atletismo, Polo Aquático e outros desportos de mais saudável aproveitamento e sem estas perversidades de ordenados pagos e por pagar. Financie-se as associações e instituições que as promovam, ou continua-se a deitar dinheiro fora e os diversos equipamentos desportivos desertos de utilidade.

Obrigado ao Mesa da Ciência pelo video

sábado, 14 de abril de 2007

Por Uma União Europeia Livre de Autoritarismo

Subscrevo o desafio do Devaneios Desintéricos, em protesto contra esta Polónia que abandona o espírito de liberdade, democracia e de solidariedade da Europa:
"Exmo Sr Embaixador da Polónia,
Ciente do árduo percurso do Povo do seu país rumo a uma Democracia expurgada de totalitarismos como os que historicamente se abateram sobre a Polónia, é com genuína inquietação que assisto à implementação de medidas governativas tendentes a instaurar um clima de desrespeito pelos mais basilares Direitos Humanos. As soluções propugnadas pelo executivo de Varsóvia, ao terem como consequência o desrespeito pela liberdade de não prossecução de um dado credo, a perseguição de minorias sexuais e modelos familiares atípicos, assim como as sugestões vindas a público de uma proibição total do aborto ou, por outro lado, a apologia da pena de morte feita por alguns membros do Executivo que representa, traduzem uma divergência inaceitável com os valores que assumimos comuns nesta União Europeia.
Ciente que o Povo polaco, como outrora, saberá levantar-se contra a instauração da intolerância e do desrespeito pela dignidade humana, junto de vós lavro o presente protesto."
Enviem vocês também este protesto para : politica.embpol@mail.telepac.pt

De cabala para burro

Do aproveitamento político, desta ridícula montagem mediática em torno do currículo académico de José Sócrates, por parte de Marques Mendes ninguém duvida. Aliás, é a única maneira do pequeno presidente laranja engrandecer a sua imagem, se bem que a bicos de pés e em ridículo. José Lello( na RTPN) ontem deu estrutura a uma cabala montada, metia grupos de trabalho no vasculho da vida de Sócrates e na investigação nocturna de Lisboa - e à procura de quê? Nem tento responder porque se Marques Mendes foi politiqueiro de mau gosto naquela declaração no final da entrevista ao Primeiro-ministro, e sobretudo a tentar desviar as atenções da alternativa falhada e impreparada que é o PSD, Lello escorregou demasiado ao dar aso a mais politiquice. Até que pode haver cabala ou teoria da conspiração, mas denunciá-la nos tons de irritação e naquele contexto só deu um ar de perseguição que não abonou nada a imagem afectada do PS.

Enquanto famílias vivem com menos de um euro por dia

.. jornais exaltam de alegria o ordenado deste miúdo de 22 anos que, enfim, vai gastá-lo em carros, casas de praia, acessórios e putas, como muita gente o gastaria. Não é demagogia o que digo certamente, é um sinal dos tempos - estes tempos em que se dá uma fortuna de 26 000€/dia a um rapaz que só faz coisas com as pernas. Para a ciência, todo o dinheiro é dado em frete. Na política, os ordenados são fracos e cheios de insultos. E depois ainda se queixam da qualidade dos governos...

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Biomaçaroca

As minhas palmas para um investimento que contribui para a diversificação das fontes de energia renováveis e para o desenvolvimento sustentado de Cabeceiras de Basto. Sem dúvida mais um balão de oxigénio no emprego e economia locais: venha daí a Central de Biomassa!

Adenda à remoção do post anterior: virtuosidades

Ontem, os que tanto fizeram chacota do julgamento na TV pedido por Valentim, babaram-se com o deplorável julgamento de personalidade do primeiro-ministro. Os políticos, infelizmente, são cada vez mais avaliados pela sua vida pessoal e pelo carácter, que pela sua competência.
E calha a todos: " Marques Mendes é baixo e disléxico, Louçã fuma charros e convive com homossexuais, Ribeiro e Castro vai à missa, Jerónimo dança mal, Odete despe-se na TV e saem-lhe coisas brancas da boca, Paulo Portas meteu um dente... " [é o que se diz, eu não sei nem me interessa]

Aprovado e com aproveitamento*

Este Post foi removido pelo autor
*O assunto já cheira mal

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Inversão do Ónus da Prova e o País ao Contrário


O caso do Eng(?). Sócrates e das suas supostas ligações perigosas à Independente só atestam, que neste país, o código civil é um, a conduta é outra: há que provar a inocência, como em Eastwick e na Alemanha do século XVII ... E , quando se é inocente, a suspeita, muitas vezes infundada e injusta, fica impune. Quando se fala verdade, o mais provável é ser-se condenado.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Bons Ventos

***
É, sem dúvida, uma agradável surpresa e uma aposta acertada no que diz respeito a formação superior em áreas em que há uma enorme carência de pessoal especializado e que em muito enriquece a economia local a médio e longo prazo. É mais um sinal da competência da equipa responsável pela política educativa e de formação profissional de Cabeceiras de Basto.

Os mesmos do medo do país dividido

... apelam agora à regionalização. Pelos vistos, sem ela, mais dividido ficou o país, entre regiões filhas da mãe e outras de madastras. Só falta a dupla inconsequente de Marcelo e Portas admitirem o erro em que meteram o país, quando o envenenaram de um populismo que só lhes serviu (e de pouco) o ego.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Independentemente

... o Ministro Mariano Gago, o mais competente ministro do Ensino Superior de sempre, acaba de mandar encerrar a Univ. Independente, contra as previsões chauvinistas do costume. Pelos vistos até aqui o Governo inova. E, quer se queira quer não, era mais que lógico o encerramento - era uma morte adiada - poucos se inscreveriam agora na Universidade Independente, fosse para o que fosse, tal foi a delapidação. Quanto ao Primeiro-Ministro, só peca por tardar o esclarecimento da tão oportunista chacota à sua licenciatura.

"Para trás, mija a burra"

Isto, realmente, sem a liberdade dos comentários não tem grande piada mesmo...
[Comentários de novo activos, mas não para todos os posts...]

domingo, 8 de abril de 2007

Arco de Baúlhe, como eu o gostaria de escrever

"Arco de Baúlhe: 6 voltas em Derredor, por Antero Barbosa

1.ª

Como se vai para o Arco? Até ver, é desta forma: Cama, casa-de-banho, porta, porta da rua, rua, Porto, via de circunvalação, A3/A4, deixas a A4 de lado rompes na A3, que a seguir também deixas de lado, auto de Guimarães, atravessas a cidade, ladeias a Penha, deixas a estrada de Felgueiras, desces para Fafe, Fafe ao lado, por Moreira de Rei, subida da serra, fonte à esquerda bica fria na boca, sobes, curva à direita, curva à esquerda, curva curva curva, contracurva, corcovos sucessivos, um lombo dá lugar a outro, voltas a descer e a subir, Vázea Cova e nova descida e nova subida, mini-alto, grande recta surpresa com seu Café da Recta ao fim, descida inclinada, gelo, cuidado!, deixas Cabeceiras ao lado, desces, Outeiro, Alvite, Santa Senhorinha, pequena subida breve salto de coelho, estás no Arco.Tanta coisa que tiveste de abandonar, que ficou de lado! É o decreto-lei da vida. Mas estás no Arco.



2.ª

Baúlhe é misto de vila e aldeia. Animal bifronte, como o sagitário ou o gnu. A vila é o centro, a baixa, com seus cafés, confeitarias, seus largos, suas lojas, padarias, drogarias, alfaiate, pronto-a-vestir, mecânico auto, stand de carros, vestidos de noiva, ruas becos calçadas, passeios, pessoas, encontros, diálogos, vivacidade, pequeno bairro de Paris, carros, motas, bicicletas, a pé, homens donas raparigas, crianças, moinas à porta do bar, casal de gravata e vestido, velhotas muitas negras, e com jeito, se te encostares aos grupos, hás-de encontrar o médico geral, o ingenheiro, o adbogado, a enfermeira, a professora, a profissional ... até o abade pode surgir a todo o instante preto de batina.

3.ª

Em volta, designadamente a ocidente, persiste a área rural, embora contruída em azinhagas. Campos, arvoredo, pássaros, erva, poças, regos, lameiro, sapos caracóis lesmas, cheiroso loureiro, belo velho carreiro abandonado, estreito entre muros entre leiras à mercê das badaladas dos sinos do centro. É aí que ocorre a matança dos porcos. Vêm dos lados de Montalegre, numa carroça cheia de grunhidos, retiram-se quatro, prendem-se no quinteiro, estão dois agressivos bancos preparados oito homens seis mulheres e a cozinha e as panelas e a salgadeira e as facas enormes afiadas, agarra-se o primeiro, à unha, aos gritos, sete-cães-a-um-osso, vai! força! ei!, espeta-se com ele contra o banco, agarram-no com todos os braços, a confusão manda uns contra os outros, a faca entra na barbela do pescoço, o animal berra uiva atroa a aldeia, o sangue esguicha e espicha no alguidar, berra, vai resfolegando vai esperneando vai afrouxando, deixa de coicear, deixa de espernear, está morto, atira-se para o chão, venha outro, e outro e outro, trato igual, a seguir são chamuscados, os pelos, o coiro, com maçarico, são lavados com sabão e esfregados com pedra de bloco, estão loiros como leitões da Bairrada, estão lindos, agora abre-se-lhe o ventre, dois de cada vez, um em cada banco, penduram-se na loja, ao alto, contrariamente a outras regiões de focinho para cima, repara olha, duas gotas de sangue escorrem no rabicho.

4.ª
Meio-dia. Calor. Calma. Devagar, lento, tranquilamente, vais à Churrasqueira do Paço, sentas-te na sombra da mesa, vitela assada, frango assado, costeleta assada, tudo assado na brasa à mostra, vem o bife grelhado, tostado gostoso suculento, vem a infusa de vinho tinto coroado de espuma, o arroz a batata o pão a salada, já estás de coração sossegado, encostas as costas contra a cadeira, breve massagem, olhas lá para fora o ar quente, vem a sobremesa e o café, demoras um pouco mais, voltas ao centro da vila, não sem antes passar pela estação, velha suja desactivada com ferros entrelaçados pairando, apenas museu ao ladodo dito, entestas na estrada de Pedraça, mas não vais à verde Pedraça, duzentos metros à frente desces pela esquerda, deslizas escorregas quase cais na praia fluvial do Caneiro, sentas-te na areia contra o muro, metes os calções, fumas um cigarro demoradamente, olhas as vozes os gritos o barulho os vultos as pessoas, os corpos que cachoam na água, paisagem fresca e molhada, mergulhas também, o corpo torna-se de água, assim gastas a tarde.


5.ª

Curioso, tentaste obter a informação a todo o transe e nada. Afinal aonde fica o arco? "Nunca ouvi falar", "Não sei". Procuras interrogas buscas olhas. Ninguém te sabe dizer, não o encontras, nem as ruínas sequer, um arremedo. Arco só se fôr o íris quando chove. Persistente, insistes, lanças iculcas, voltas a inquirir, pedes que o façam por ti alargando o número de hipóteses. Nada, não há arco nenhum nem nunca houve. Então desistes, conformado. Arco, o arco de Baúlhe, só existe mesmo como palavra, redonda, incrustada no topónimo.

6.ª

Regressas de noite. A condução torna-se difícil. Não há terras, não há placas, apenas estrada, negra, lambida pelos faróis. No alto, onde se escondem as corcovas da serra, nasce um banco de nevoeiro, escorre, caminha, cresce. Não se enxerga um palmo. Vais a dez à hora. No entanto, outros carros apitam para ultrapassar, passam rápidos, suicidas. O nevoeiro é um muro cerrado, cuidado, quase te despistas, os passageiros vão assustados. Mas tu tens que prosseguir, tens que teimar. Todo concentrado, arrancando os olhos, rasgas o nevoeiro, rasgas o nevoeiro, rasgas o nevoeiro, rolos e rolos escuros, porventura a estrada entrou pelo mar dentro, e aturdido cansado tenso rompes, devagar devagar caracol. Estranho! Parece uma praga! Dá a ideia que o Arco se apoderou de ti, te enfeitiçou, e exige o regresso, exige que voltes para trás, que voltes novamente para o Arco. "
***
Este texto de Antero Barbosa, retirado do seu blog, é delicioso. À segunda volta, o autor consegue definir, melhor que ninguém, a essência e a diferença desta terra, só não conseguiu encontrar o Arco no seu significado de pedra. Ou não perguntou devidamente ou simplesmente perdeu-se na tradução - aqui ninguém se explica muito bem. De qualquer forma, publico a foto para que veja, e vejam, como é.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

"As opiniões são como as vaginas"

E este Blog entrou na Menopausa... A partir de hoje, não haverá comentários e será um blog essencialmente de actualização semanal. De qualquer modo, os estimados leitores podem sempre enviar e-mail com os seus comentários para malmaior[arroba]gmail.com que poderão ser respondidos e publicados n'O Mal Maior.
Bem Hajam!

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Temos Penimnha [antes de ir de viagem]


A SIC acaba de atribuir, na gala Globos de Ouro, o Prémio Carreira a Herman José. Aos 50 anos o apresentador, e o maior humurista português de sempre, é mastigado e deitado fora no ambiente hipócrita dos trajes de gala.
Penim não sabe cuidar do que têm: perdeu o Gato Fedorento para a RTP e agora passa o atestado de óbito a Herman José. O Humor tem dias que não dá p'ra rir...

5 dias de Galiza


Onde muitos estão mais para cá e outros tantos virados para lá. Eu, e alguns mais, vamos para para falarmos para além do entre nós. Do galaico-português, condenado, vai restando pouco e tão pouco a Unesco ajuda. O galego vai-se acastelhanizando e, com isto, também se vai o vínculo connosco. Nós, de verdade, nem queremos saber, vamos pela movida...

domingo, 1 de abril de 2007

Última Hora

A Estação Ferroviária de Arco de Baúlhe
vai ser terminal do TGV.

Prémio Fotojornalismo Visão/BES



A foto vencedora de 2006 (Manuel Almeida) retrata um oficial da ONU a transportar um polícia ferido em Dili. Este que foi o ano do regresso de Cavaco Silva, fotografado em campanha por Rodrigo Cabrita que recebeu uma menção honrosa.
Para disfrutar aqui