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quarta-feira, 25 de abril de 2012

celebrar o sonho

compramos ouro

em 38 anos de 25 de abril, vale fazer todas as contas sobre o que se ganhou com a revolução e o que já se perdeu entretanto. destas contas, com todas as subtracções feitas, sobra o voto livre (em teoria que seja), conquista principal desta como de tantas outras revoluções. em boa verdade, na crise existencial da democracia, não estamos sozinhos. não é mal que só por aqui medre. a frança, e restante vizinhança, nossa e dela, vive o colapso das conquistas de maio de 68 e da abalada construção europeia. sonhos, de resto, grandes e bonitos como o sonho daquela madrugada de abril. e isso é o que ainda vale a pena celebrar hoje, o sonho.  sem arredar pé de o celebrar, na certeza de que pior será o dia em que nenhum sonho nos resta.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

nem tudo foram cravos

Se alguém quisesse acusar os portugueses de cobardes, destituídos de dignidade ou de qualquer forma de brio, de inconscientes e de rufias, encontraria um bom argumento nos acontecimentos desencadeados pelo 25 de Abril. Na perspectiva de então havia dois problemas principais a resolver com urgência. Eram eles a descolonização e a liquidação do antigo regime. Quanto à descolonização havia trunfos para a realizar em boa ordem e com a vantagem para ambas as partes: o Exército Português não fora batido em campo de batalha; não havia ódio generalizado das populações nativas contra os colonos; os chefes dos movimentos de guerrilha eram em grande parte homens de cultura portuguesa; havia uma doutrina, a exposta no livro Portugal e o Futuro do general Spínola, que tivera a aceitação nacional e poderia servir de ponto de partida para uma base maleável de negociações. As possibilidades eram ou um acordo entre as duas partes, ou, no caso de este não se concretizar, uma retirada em boa ordem, isto é, escalonada e honrosa. Todavia, o acordo não se realizou e retirada não houve mas sim uma debandada em pânico, um salve-se-quem-puder. Os militares portugueses, sem nenhum motivo para isso, fugiram como pardais, largando armas e calçado, abandonando os portugueses e africanos que confiavam neles. Foi a maior vergonha de que há memória desde Alcácer Quibir. Pelo que agora se conhece, este comportamento inesquecível e inqualificável deve-se a duas causas: 
Uma foi que o PCP, infiltrado no Exército, não estava interessado num acordo nem numa retirada em ordem, mas num colapso imediato que fizesse cair esta parte da África na zona soviética. O essencial era não dar tempo de resposta às potências ocidentais. De facto, o que aconteceu nas antigas colónias portuguesas insere-se na estratégia africana da URSS, como os acontecimentos subsequentes vieram mostrar; 
Outra causa foi a desintegração da hierarquia militar a que a insurreição dos capitães deu início e que o MFA explorou ao máximo, quer por cálculo partidário, quer por demagogia, para recrutar adeptos no interior das Forças Armadas. Era natural que os capitães quisessem voltar depressa para casa. Os agentes do MFA exploraram e deram cobertura ideológica a esse instinto das tripas, justificaram honrosamente a cobardia que se lhe seguiu. 
Um bando de lebres espantadas recebeu o nome respeitável de «revolucionários». E nisso foram ajudados por homens políticos altamente responsáveis, que lançaram palavras de ordem de capitulação e desmobilização num momento em que era indispensável manter a coesão e o moral do Exército para que a retirada em ordem ou o acordo fossem possíveis. A operação militar mais difícil é a retirada; exige em grau elevadíssimo o moral da tropa. Neste caso a tropa foi atraiçoada pelo seu próprio comando e por um certo número de políticos inconscientes ou fanáticos e em qualquer caso destituídos de sentimento nacional. Não é ao soldadinho que se deve imputar esta fuga vergonhosa, mas aos que desorganizaram conscientemente a cadeia de comando, aos que lançaram palavras de ordem que nas circunstâncias do momento eram puramente criminosas. Isto quanto à descolonização, que na realidade não houve. 
O outro problema era o da liquidação do regime deposto. Os políticos aceitaram e aplaudiram a insurreição dos capitães, que vinha derrubar um governo que, segundo eles, era um pântano de corrupção e que se mantinha graças ao terror policial: impunha-se, portanto, fazer o seu julgamento, determinar as responsabilidades, discriminar entre o são e o podre, para que a nação pudesse começar uma vida nova. Julgamento dentro das normas justas, segundo um critério rigoroso e valores definidos. Quanto aos escândalos da corrupção, de que tanto se falava, o julgamento simplesmente não foi feito. O povo português ficou sem saber se as acusações que se faziam nos comícios e nos jornais correspondiam a factos ou eram simplesmente atoardas. O princípio da corrupção não foi responsavelmente denunciado, nem na consciência pública se instituiu o seu repúdio. Não admira por isso que alguns homens políticos se sentissem encorajados a seguir pelo mesmo caminho, como se a corrupção impune tivesse tido a consagração oficial. Em qualquer caso já hoje não é possível fazer a condenação dos escândalos do antigo regime, porque outras talvez piores os vieram desculpar. 
Quanto ao terror policial, estabeleceu-se uma confusão total. Durante longos meses esperou-se uma lei que permitisse levar a tribunal a PIDE-DGS. Ela chegou, enfim, quando uma parte dos eventuais acusados tinha desaparecido e estabelecia um número surpreendentemente longo de atenuantes, que se aplicavam praticamente a todos os casos. A maior parte dos julgados saiu em liberdade. O público não chegou a saber, claramente, as responsabilidades que cabiam a cada um. Nem os acusadores ficaram livres da suspeita de conluio com os acusados, antes e depois do 25 de Abril. Havia, também, um malefício imputado ao antigo regime, que era o dos crimes de guerra, cometidos nas operações militares do Ultramar. Sobre isto lançou-se um véu de esquecimento. As Forças Armadas Portuguesas foram alvo de suspeitas que ninguém quis esclarecer e que, por isso, se transformaram em pensamentos recalcados. 
Em resumo, não se fez a liquidação do antigo regíme, como não se fez a descolonização. Uns homens substituíram outros, quando os homens não substituíram os mesmos; a um regime monopartidário substituiu-se um regímen pluripartidário. Mas não se estabeleceu uma fronteira entre o passado e o presente. Os nossos homens públicos contentaram-se com uma figura de retórica: «a longa noite fascista». Com estes começos e fundamentos, falta ao regime que nasceu do 25 de Abril um mínimo de credibilidade moral. A cobardia, a traição, a irresponsabilidade, a confusão, foram as taras que presidiram ao seu parto e, com esses fundamentos, nada é possível edificar. 
O actual estado de coisas, em Portugal, nasceu podre nas suas raízes. Herdou todos os podres da anterior; mais a vergonha da deserção. E com este começo tudo foi possível depois, como num exército em debandada: vieram as passagens administrativas, sob a capa de democratização do ensino; vieram «saneamentos» oportunistas e iníquos, a substituir o julgamento das responsabilidades; vieram os bandos militares, resultado da traição do comando, no campo das operações; vieram os contrabandistas e os falsificadores de moeda em lugares de confiança política ou administrativa; veio o compadrio quase declarado, nos partidos e no Governo; veio o controlo da Imprensa e da Radiotelevisão pelo Governo e pelos partidos, depois de se ter declarado a abolição da censura; veio a impossibilidade de se distinguir o interesse geral dos interesses dos grupos de pressão, chamados partidos, a impossibilidade de esclarecer um critério que joeirasse os patriotas e os oportunistas, a verdade e a mentira; veio o considerar-se o endividamento como um meio honesto de viver. Os cravos do 25 de Abril, que muitos, candidamente, tomaram por símbolo de uma Primavera, fanaram-se sobre um monte de esterco. 
Ao contrário das esperanças de alguns, não se começou vida nova, mas rasgou-se um véu que encobria uma realidade insuportável. Para começar, escreveu-se na nossa História uma página ignominiosa de cobardia e irresponsabilidade, página que, se não for resgatada, anula, por si só todo o heroísmo e altura moral que possa ter havido noutros momentos da nossa História e que nos classifica como um bando de rufias indignos do nome de Nação. Está escrita e não pode ser arrancada do livro. É preciso lê-la com lágrimas de raiva e tirar dela as conclusões, por mais que nos custe. Começa por aí o nosso resgate. Portugal está hipotecado por esse débito moral, enquanto não demonstrar que não é aquilo que o 25 de Abril revelou. As nossas dificuldades presentes, que vão agravar-se no futuro próximo, merecemo-las, moralmente. Mas elas são uma prova e uma oportunidade. Se formos capazes do sacrifício necessário para as superar, então poderemos considerar-nos desipotecados e dignos do nome de povo livre e de Nação independente.

antónio josé saraiva, os filhos de saturno (1980), retirado daqui

da liberdade


green windows - no dia em que o rei fez anos

no ano em que "e depois do adeus" de paulo de carvalho serve como primeiro sinal à revolução em abril, josé cid, mike sargeant entre outros, levam esta entrada ao festival rtp da canção. a melodia e o arranjo lembram beatles, influencias grandes do pop importado da altura. a letra é uma excelente paródia à situação política da primavera marcelista.  mesmo assim, mantém-se actual, subtil, apontando baterias às diversas dinastias e linhas sucessórias do poder e à alegria parva e submissa do povo. não foi cid que deu ao mote à revolução, antecedendo "grândola vila morena", mas o que se seguiu não seria muito diferente. a democracia empurrou a sociedade portuguesa para cima, ainda que com muitos sonhos por cumprir, outros feitos em pesadelo. mesmo para quem não encontra motivos para celebração, que se festeje ao menos a liberdade de dizer o que nos apetece sem a permanente lâmina do lápis azul sobre a cabeça de quem ousa pensar.

sábado, 25 de abril de 2009

Sinal de Polegar Erguido, do lado de lá do Atlântico


Chico Buarque - Tanto Mar

[00:20] Sinal 2: Morena naltura, agora só apanha escaldões


Zeca Afonso (e muita malta animada) - Grândola, Vila Morena

sexta-feira, 24 de abril de 2009

[22:55] Sinal 1: Depois, a gente cá se há-de amanhar


Paulo de Carvalho -
E Depois do Adeus

domingo, 27 de abril de 2008

Duas Mulheres, Dois Poemas a Abril



Odete Santos e Maria Barroso, a declamar no final da conferência, "As Mulheres, o Estado Novo e o 25 de Abril". E Odete tão espontânea e imprevisível que não lhe apanhei o início. O vídeo, neste blog que vai fazendo as vezes à Basto TV. :)

sábado, 26 de abril de 2008

Uma Biblioteca do Tamanho da Vida de Um Homem (II)



Um 26 de Abril, a saber a 25, como disse Joaquim Jorge Carvalho, na cerimónia formal da atribuição do nome de Dr. António Teixeira de Carvalho à Biblioteca Municipal de Cabeceiras de Basto, situada em Arco de Baúlhe.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

O meu 25 é de Abril

Para lá da discussão ideológica em torno da data em que se assegurou o regime democrático que temos - ou o que podemos ter - é o 25 de Abril, e não o de Novembro, o mais belo e legítimo, nas canções e nas imagens, porque foi o dia em que Portugal fez a excisão do cancro que manteve a Nação moribunda no século XX.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Cabeceiras de Abril


Para lá das Corrida da Liberdade, amanhã 25 de Abril, entre Arco de Baúlhe e Refojos de Basto, a Sessão Solene da Assembleia Municipal, a Guarda de Honra dos Bombeiros Voluntários de Cabeceiras de Basto, a assinalar:
  • A cerimónia de atribuição do nome do Dr. António Teixeira de Carvalho à Biblioteca Municipal, em Arco de Baúlhe, no dia 26, às 15horas.
  • Conferência de Drª Maria Barroso e Drª. Odete Santos, sobre as “As Mulheres, o Estado Novo e a Revolução" (na imagem). também no dia 26, às 21h30
fonte: CMCB

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Não Escrevi nada Ontem, o que não quer dizer que seja um saudosista salazaróide!




Mas a esta hora, o Marcellinho já devia 'tar a caminho do exílio...



Umas Boas Abriladas... atrasadas!