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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Um dia de luto para Portugal, recuámos 20 anos

 

Os cortes na Ciência e no Emprego Científico atingiram mínimos históricos, recuando 20 anos no número de bolsas de doutoramento e pós-doutoramento atribuídas. Além das consequências devastadoras para os candidatos é a investigação científica em Portugal que está a ser ferida de morte. Recordo que na Finlândia, há precisamente 20 anos, perante uma crise financeira e económica, houve uma aposta pensada na educação e na ciência concretizando uma estratégia de médio e longo prazo que deu e continua a dar as armas económicas e sociais para resistir, com sucesso, às "tempestades" dos ciclos económicos. Aqui, no canto mais ocidental da Europa, os apátridas que nos governam estão a destruir o futuro desta nação, condenando-a à obscuridade da ignorância e a um modelo económico e social de terceiro mundo. Assistamos, então, passivamente à implosão dos sonhos colectivos, enquanto eles, os apátridas, se governam e se vangloriam do "milagre económico" que está a acontecer nos seus bolsos e nos bolsos dos seus donos. 

 Ler os dados da vergonha: Hoje a investigação recuou 20 anos.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Falácias e mentiras, rumo a um futuro pior

As pensões e salários pagos pelo Estado ultrapassam os 70% da despesa pública, logo é aí que se tem que cortar”. O número está, desde logo, errado: são 42,2% (OE 2014). Quanto às pensões, quem assim faz as contas esquece-se que ao seu valor bruto há que descontar a parte das contribuições que só existem por causa daquelas.
Este é o primeiro ponto (de onze) de um texto em que o perigoso esquerdista Bagão Félix desmonta as falácias e as mentiras, sobre as pensões e os números, que temos ouvido deste (des)governo e apaniguados. De obrigatória leitura, aqui: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/falacias-e-mentiras-sobre-pensoes-1619400

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Estúpidos consensos

"Quatro cafés, dois restaurantes, duas lojas de móveis, uma escola de música, dois cabeleireiros, uma farmácia, um minimercado. Antes tinha mais lojas, duas de decoração, uma de tapeçarias, outra de electrodomésticos e mais umas quantas que já não recordo. Fecharam todas devido a falta de clientes. Os cortes salariais, os aumentos de impostos sobre o trabalho, sobre o consumo e sobre a propriedade, a escalada de preços de bens essenciais como combustíveis, electricidade e gás natural, todos eles fornecidos por empresas mantidas à margem da crise pela assinalável representação que registam nos partidos que têm sido Governo, reduziram o rendimento que os clientes de todas estas lojas tinham disponível para consumir e os resultados destas e de outras políticas erradas da última década vêem-se no papel pardo que tapa as montras das lojas fechadas. As pessoas que nelas trabalhavam deixaram de se ver por lá. A minha rua é assim, uma rua como tantas outras.
Hoje, logo pela manhã, Nos cafés de todas estas ruas, ouviram-se maravilhas sobre o último consenso alcançado entre António José Seguro e os partidos da maioria quanto à reforma do IRC. “É muito bom sinal que tenham chegado a acordo em matéria tão sensível” e “são as pequenas e médias empresas que criam emprego”, vomitava um especialista em domesticação aos microfones da Antena 1. Ouviram-no, sem sobressalto, proprietário e clientes, habituados como toda a gente a estes “toda a gente sabe”. E, no próximo ano, alguns destes últimos deixarão de aparecer com tanta frequência depois de constatarem como o seu rendimento disponível sumiu em nova carga brutal de impostos sobre o trabalho e fruto de mais cortes sobre salários e sobre pensões. Por essa razão, o dono do café verá os seus lucros reduzirem-se novamente e, muito provavelmente, quer para reduzir custos, quer porque o movimento não justifica ter uma empregada, não renovará o contrato da rapariguita que ali trabalha. O mesmo para as lojas da vizinhança, que os clientes deste e dos outros cafés visitam a seguir ao pequeno-almoço. O mesmo para os funcionários dispensados pelas lojas de móveis, que deixarão de ir almoçar ao restaurante. O mesmo para o filho do dono do restaurante, que já não poderá frequentar a escola de música. O mesmo para o professor de música, que já não andará lá pela rua a tomar café e a almoçar no restaurante.
António José Seguro acordou com a maioria reduzir 2% o IRC a empresas que lucram milhões, num país onde o trabalho e o consumo contribuem com mais de três quartos para a receita fiscal e 19 das 20 cotadas no PSI-20 pagam impostos sobre lucros na Holanda. Aceitou protelar para as calendas reduções no IRS e no IVA, tão brutalmente aumentados nos últimos anos. Em troca, a maioria aceitou uma redução de 25 para 17%na taxa de IRC aplicável a lucros até 15 mil euros, lucros esses que, para acontecerem, como vimos atrás, necessitam de clientes com poder de compra.
Temos, assim, que, graças ao último consenso, uma pequena ou média empresa que sobreviva à diminuição do rendimento disponível das famílias e a um IVA nos 23% irá pagar menos 1200 euros em IRC no próximo ano. São estes hipotéticos 1200 euros que Seguro alega irão manter e criar empregos. Ao mesmo tempo, uma empresa que lucre, vá lá, 10 milhões de euros anuais (empresas como a EDP fazem lucros de 10 milhões em menos de três dias), irá pagar menos 200 mil euros por ano graças à descida da taxa de IRC dos actuais 25 para os 23%. O consenso de Seguro deu migalhas aos pequenos para justificar as panificações inteiras que deu aos grandes. O consenso de Seguro acentua ainda mais o desequilíbrio de uma fiscalidade que já sobrecarregava demasiado o trabalho e o consumo para aliviar o capital. Mas um consenso é um consenso, os consensos são importantes para o país e essas coisas. E Seguro mostrou ser um digno sucessor aos comandos de um consenso que se vai reinventando para proporcionar a uma minoria a riqueza consensualmente obtida a empobrecer a restante maioria. Esquerda consensualizada e direita, arco da governação, não saímos disto." in [O País do Burro]

domingo, 16 de setembro de 2012

cara de pau

o senhor paulo portas fez o sua omilia dominical, dando uma de pôncio pilatos, coitadinho, lavando a  iniquidade das mãos enquanto chutava para os outros da coligação a ideia peregrina do aumento da t.s.u.. a pobre alma caridosa até terá esperneado contra a medida, mas não quis desgraçar o casamento. só se esqueceu de que a gestão da taxa é da responsabilidade do ministro da tutela da segurança social, um ex-motorizado pedro mota soares, que entretanto trocou a vespa pela alta cilindrada da viatura do estado, figura que há pouco mais de um ano liderava os centristas no parlamento e era uma astro ascendente daquela nomenclatura.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Bando de filhos da puta

Aqui que ninguém nos ouve

Acabei de ouvir Miguel Relvas dizer, com o seu já habitual ar de sabujo, que o apoio aos mais desfavorecidos é uma preocupação permanente deste Governo. Perante a impossibilidade de ser ouvido por esta gente, perante esta espécie de surdez desprovida de qualquer noção de civilidade no serviço prestado ao país, vou escrever como se eles não nos estivessem a ouvir.

Que país é este que aceita que um bando de filhos da puta confisque impunemente o resultado do trabalho de milhões de pessoas? Quão insensível é preciso um bando de filhos da puta ser para anunciar ao país uma redução do salário mínimo? Eu sei que muita gente sente já ter assistido a isto antes, mas este não é um bando de filhos da puta qualquer. É uma espécie refinada de filho da puta, tão perigosa pela sua ignorância quanto pela capacidade inesgotável de mandar um país inteiro para o caralho que o foda. Bem sei que é um bando de filhos da puta com maioria absoluta. Infelizmente, demasiados eleitores desconheciam, à data das eleições, que estavam a mandatar um bando de filhos da puta com tão especial vocação para foder o mexilhão. Quiseram acreditar que este não era um bando de filhos da puta. Infelizmente, jamais imaginaram que este viesse a tornar-se o maior bando de filhos da puta que o país já viu no poder, e a mais séria ameaça ao modo de vida de todos os que diplomaticamente têm aceitado a pior forma de governo, salvo todas as outras.

Está ali um bandalho dum funcionário descansado na televisão a dizer-me que as empresas são locais de cooperação entre patrões, empregados e a cona da mãe dele. Amigo: locais de cooperação o caralho que ta foda. Este pulha dum cabrão, que nunca trabalhou numa puta duma empresa na vida, assim como a maioria destes inefáveis cabrões, que eu podia alegar não terem outro nome, não fosse o facto de já os ter apresentado como filhos da puta, mas dizia eu, este filho da puta, bandalho e pulha dum cabrão, sobejamente merecedor de todos os insultos que me forem ocorrendo, diz-me que a empresa é um local de cooperação. As empresas, cabrão desumano, são locais onde as pessoas convivem de forma mais ou menos saudável com um modo de vida/ocupação de tempo que, de forma mais ou menos saudável, aceitam ao longo de parte das suas vidas. Então explica-me lá, ó javali cagado pela arca, em que é que uma empresa é um local de cooperação, e não uma desesperada forma de prisão, quando um bando de filhos da puta destrói qualquer possibilidade de as pessoas terem uma remota esperança de construir algo edificante a que possam chamar vida, esperar que esta subsista, se mantenha e evolua positivamente sem a ajuda, mas especialmente sem a constante sabotagem, de um bando de filhos da puta. Se o referido bando de filhos da puta nos estivesse a ouvir, ouvir-se-ia por esta altura um deles dizer, de forma inacreditavelmente ponderada, dotado da mais fina filha-da-putice - que este bando de filhos da puta confunde com elevação, humanidade, sentido de estado e afins – diria que eu, e vocês todos, passámos estes anos todos a viver acima das possibilidades.

Mas quais anos, meu filho da puta? E quais possibilidades? Trabalho que nem um cão há 6 anos, a tempo inteiro mais as horas todas que não me pagaram, e o número de reduções salariais que tive, impostas por este bando de filhos da puta, é já próximo do número de empregos que tive na minha ainda curta carreira. Comprei um carro em segunda mão, uma mota para poupar no que não podia gastar com o carro, e vou jantar fora e ao cinema. Comprei uns discos, uns livros, fiz meia dúzia de viagens baratas, comprei uns móveis do Ikea e, durante o processo, paguei uma renda e uma catrefada de impostos. Vá lá, tentei ser feliz sem pedir ajuda a ninguém nem ir preso. Aceitei o mais serenamente que pude as regras do jogo, isto é, trabalho, trabalho e trabalho para usufruir do resto e conservar, em doses iguais, a saúde mental e a ambição, a primeira das quais começa a desvanecer-se, como se lê. E, no final de uma semana de 60 horas de trabalho que aceitei de bom grado por considerar justa e saudável a "relação de cooperação" mantida com quem me paga, ligo a rádio e é-me anunciada, por um filho da puta de currículo construído a favores, é-me anunciada a ideia peregrina com que este bando de filhos da puta, sem critério nem humanidade, resolveu premiar um país inteiro, que na sua maioria vive em muito piores condições do que eu.

Reduzir o salário mínimo? Aumentar ainda mais a precariedade de quem trabalha a recibos verdes? Transferir uma soma obscena de dinheiro dos trabalhadores para as empresas num país com clivagens sociais e económicas absolutamente trágicas, numa esperança infundada de que isso promova emprego? Isto já não cabe na cabeça de ninguém, e há um bom motivo para existir hoje uma impensável maioria que vai de António Nogueira Leite a Bagão Félix, passando pelos 4 sem abrigo que contei de casa até ao trabalho, mais as lojas falidas. Não é simbolismo nem retórica nem injustiça poética: isto é a vida, conforme ditada por um bando de filhos da puta, a abater-se sobre um país inteiro, dia após dia, cêntimo após cêntimo, impossibilidade após impossibilidade. Haverá um pingo de decência nestas cabeças? Milhões de vozes manifestam em uníssono a vontade literal de esganar estes filhos da puta, ao mesmo tempo que consideram, infelizes, a hipótese de fugir do seu próprio país, e estes filhos da puta aparentam não sentir nada. Foda-se, reduzir o salário mínimo. Há gente que merece o pior de nós. E é assustador que aí se inclua o Governo do meu país.

Vasco Mendonça in Sinusite Crónica.

sábado, 8 de setembro de 2012

Espoliação fiscal em nome do capital


Passos Coelho anunciou ontem aos portugueses, lendo de um papel e titubeando, a maior transferência de riqueza já mais vista em Portugal. Com aumento das contribuições (de 11% para 18%) à Segurança Social, de uma forma socialmente insensível, os trabalhadores dependentes sentirão mais um ataque ao seu poder de compra ao mesmo tempo que é reduzida a contribuição das empresas para a Taxa Social Única. Assim, as grandes empresas, as verdadeiras beneficiadas, terão um "encaixe" de milhares de milhões de euros que, sob o lema da criação de emprego, irão magnanimamente transferi-los para muitos lados, menos para o "emprego". É histórico. Resumidamente, o cobrador-mor (Passos de Coelho) irá retirar dois salários aos trabalhadores da função pública e um salário aos trabalhadores do sector privado. Assim, continuará a financiar a banca, a pagar juros insuportáveis, interesses, compadrios, etc. Deixando de fora, a Educação, Saúde e Segurança Social. Mas no fim de tudo, ele ama-nos e sacrifica-se por nós (está mais velho, não está?). Um exemplo, sem dúvida. 

Não se conhecendo ainda, em profundidade, os pormenores destas e de outras medidas que sairão da cartola do primeiro-ministro, algo é evidente: são inconstitucionais, economicamente estúpidas e decalcadas de uma religião económica que se dá pelo nome de "neo-liberalismo". Repetir a receita, que não funcionou em lado nenhum, é uma prova de que o governo ou está internacionalmente manietado ou é universalmente suicida. Além do mais, a desonestidade intelectual do primeiro-ministro é gritante. Usando a "desculpa" da decisão do Tribunal Constitucional para impor estas contraproducentes medidas tenta esconder o seu falhanço com os resultados do orçamento de Estado deste ano. Argumentar que isto é uma consequência do que o Tribunal Constitucional decretou, no sentido que torna equitativo o "sacrifício", é uma valente peta. O que não é equitativo era a contribuição dos rendimentos do trabalho com os rendimentos de capital (está no acórdão), ou seja, em termos simples, os trabalhadores contribuem muito mais do que os especuladores. O TC decretou que deveriam acabar com estas diferenças e não estendê-las a todos os trabalhadores. Equivale a afirmar que devemos ser equitativos na desigualdade. É estúpido e paradoxal. Além disso, alguém ouviu o Passos de Coelho a zurzir com a mesma rapidez e frigidez tecnocrática alguma medida que incida sobre rendimentos de capital? Outra coisa, o que fará o agora excelso cidadão honorário de Cabeceiras de Basto, o irrepreensível Cavaco Silva? Fazer cumprir a Constituição e o Estado de direito ou fazer, mais uma vez, um "frete" (e com as consequências que se viram nos resultados orçamentais) ao mais extremista governo que alguma vez fora empossado em democracia?

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Uma opção ideológica há muito escrita nos programas de alguns partidos


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Sobre a questão da suspensão dos quatro feriados

tabela-ferias 

Obviamente que a "suspensão" de 4 feriados não está relacionado com a produtividade. A questão é outra, mais do foro da ideologia económica que os nossos governantes idolatram. 

 (o gráfico apresenta os dias de férias -o que inclui os feriados nacionais e o período de férias normal- de notar que países mais produtivos que o nosso têm mais dias de lazer. Coincidências não existem.)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

sexta-feira, 1 de julho de 2011

as virgens ofendidas

a coligação psd-cds que ocupa a assembleia municipal irritou-se com o declínio da maioria socialista em apreciar um voto de congratulação ao governo e deputados eleitos. tudo bem que não difere da habitual pompa montada pelo ps em contextos semelhantes. mas qual a utilidade destas iniciativas? é este ainda o tipo de propostas que a única oposição eleita tem para apresentar em cabeceiras?

sábado, 14 de maio de 2011

gosto disto

(...) não vale a pena entrar numa “guerra de território”, a freguesia pode continuar a existir como território e identidade, o que é necessário é agregar Juntas de Freguesias. Várias freguesias podem agrupar‐se numa única Junta e Assembleia de Freguesia, devendo, neste particular, ter‐se em especial atenção a realidade rural, as distâncias geográficas, os equipamentos ou as redes de transportes existentes.

a proposta lançada pelos populares e sustentada no que disse ontem paulo portas em debate com passos coelho é realista e mais consensual que uma fusão cega de freguesias e municípios.  no que concerne ao aumento da dimensão e capacitação financeira ao nível das freguesias, esta pode passar pela agregação de várias juntas numa só, mantendo as unidades territoriais anteriores uma mesa de voto (um ciclo eleitoral), onde podem eleger membros para uma só assembleia de freguesia(s) e daí um executivo. isto permite um aumento das competências de decisão e de intervenção, mantendo as anteriores relações históricas e afectivas das populações. assim, como disse portas, uma junta "não tem de andar a pedinchar ao presidente da câmara", como acontece actualmente e que muitas vezes obriga os eleitores a alinhar o sentido de voto da assembleia de freguesia com o voto para a assembleia e câmara municipal.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Po-po-po-populismo

O líder do CDS quer por os beneficiários do Rendimento Social de Inserção a limpar a floresta. É fácil cair no goto do discurso populista de Paulo Portas. Sobretudo quando os mais distraídos se esquecem do RSI estar muito aquém de um salário mínimo, que a grande maioria dos beneficiários são crianças e idosos, e que a limpeza de floresta de privados deve estar a expensas dos seus proprietários.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008