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sábado, 19 de setembro de 2015

É PàF espatifar?

Coligação PàF - Distrito de Braga 

Leitor, queira fazer o exercício de dizer: PàF!
O som resultante quase que poderia ser uma onomatopeia da acção de espatifar ou ser-se espatifado por algo ou alguém.

Segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa espatifar tem os seguintes significados:

1. [Informal] Espedaçar.

2. Rasgar, fazer em retalhos.

3. [Figurado] Estragar;

Comecemos pelo primeiro e atentemos para tal em alguns indicadores:

De Espedaçar:

As Terras de Basto perderam 3445 habitantes em dez anos, sendo que todos os concelhos de Basto perderam população desde 2001. Dos quatro, Cabeceiras de Basto foi o mais prejudicado com o movimento migratório, perdeu em dez anos 6,5% da sua população, ou seja, 1137 habitantes.

Mas estarão as Terras de Basto em inconformidade com o resultados dos responsáveis políticos desta PàF (e já agora igualmente da outra força política do 'arco da governação', aka, amigalhaços da alternância) no resto do país?

Não. Pois claro que não. As Terras de Basto estão na linha da frente desta dinâmica migratória que o 'académico' Poiares Maduro referiu, e passo a citar, "uma tendência desde a Segunda Guerra Mundial". Na verdade, serão mesmo necessárias situações catastróficas para que a malta dê à sola. Ora veja-se: nos últimos 5 anos (4 com Passos Coelho no leme) Portugal perdeu 200 mil habitantes (110 mil só em 2013), tornando-se a maior sangria populacional nos últimos 100 anos.   Devem ser estas tendências de que nos falava Poiares Maduro para amenizar a questão. Talvez para o mesmo, os movimentos massivos de 'emigração' que vêm da Síria, do Paquistão, do Iraque, e do Norte de África também serão uma 'tendência' desde a Guerra do Iraque.

Portugal tem ficado, assim sendo, espedaçado de gente. Elas saem deste pedaço, entre a Europa e o Atlântico, para um outro qualquer. Serve aqui como uma luva  a onomatopeia PàF.


De Rasgar, fazer em retalhos:

Parece que a taxa de desemprego desceu 1,8 pontos percentuais em relação ao anterior trimestre deste ano.
Eu percebo. Há muito mais emprego em Portugal: há os estágios profissionais a mascarar emprego a sério; há o subemprego a mascarar o emprego a sério; há o actual Governo que aposta na precariedade (ou flexibilização para gerar competitividade) e claro... o meu preferido: há menos gente para empregar, dada a sangria populacional da emigração nos últimos anos (aqui o 'rasgar' vai de encontro por acção-reacção ao 'espedaçar').
Recentemente um amigo escreveu,e passo a citar: "sabem qual foi o período histórico com menor taxa de desemprego em Portugal? Foi imediatamente após a Peste Negra. 'Eliminar' pessoas, por morte ou emigração, ajuda sempre a melhorar algumas estatísticas económicas, sobretudo as que usam percentagens."

Portugal passou assim a ser um país retalhado. Entre o retalho dos que ficam e o retalho do que tiveram (e têm) de partir.

De estragar:

Quando olho para a foto acima, não fugindo à regra de todas as outras que compõem a onda azul e laranja, penso logo numa campanha Primavera-Verão da Benetton e confesso que é mesmo difícil perante tal imagem enternecedora e de confiança, acreditar que esta gente será mesmo capaz de privatizar (a preço da China que a Three Gorges e a Fosun agradecem) Portugal inteiro.
Depois lembro-me de Saramago que Sousa Lara (PSD) 'empurrou' para Lanzarote e, PàF!, acordo perante as suas palavras:

"Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e
o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa,
privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E
finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os
Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas
privadas, mediante concurso internacional.
Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a
todos."


A palavra Espatifar significa ainda, em sentido figurado, "Dissipar".
Dia 4 de Outubro cabe ao leitor decidir se PàF será apenas uma incómoda onomatopeia ou uma realidade que lhe dissipará o futuro.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Noite das facas longas, porque ganhar é relativo


O semi-eterno candidato à liderança do Partido Socialista, António Costa, pulveriza as tréguas assinadas com Seguro, e avança com uma candidatura à liderança do PS. Esperemos, então, pelo congresso extraordinário - que depende da marcação por parte da atual direção ou de um pedido rubricado por metade das federações (e demais agremiações locais) do PS. Note-se que a vitória de Pirro alcançada por PS de Seguro nas eleições para o parlamento europeu foi o limite traçado por Costa, aquando o acordo com Seguro, no qual se instituiu o clima de "paz pobre" no PS. No entanto, o PS alcançou uma vitória eleitoral e as elites internas entram em ebulição. Porém, e atendendo às circunstâncias que envolvem estes partidos, as hostes do PSD e CDS, após uma derrota história, estão num silêncio tumular. Por vezes o silêncio é a melhor defesa. A única, diga-se. Veremos. Não poderia deixar de destacar a acalmia perturbadora de um outro aglomerado político que sofreu uma derrota esclarecedora nas eleições para o parlamento europeu. Obviamente, falo do Bloco de Esquerda. Algo vai mal naquele reino e ninguém se mexe e muito menos admite/aceita a derrota. Temo pelo pior. Em conclusão, em Portugal, a nação das expectativas, as vitórias e derrotas eleitorais são sempre relativas. Há quem ganhe sempre. Há quem nunca perca. Há quem ganhe e inicie uma guerra civil. Há quem perca e não se passe nada.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Claro que havia dinheiro em 2011 para pagar salários e pensões

O que importa destacar é que também neste ponto Barroso mentiu quando fez alusão a que não haveria dinheiro [em 2011] para «pagar salários e pensões».
Ouvi a mentira do "não há dinheiro para pensões e salários" em 2011 e continuo a ouvi-la, incessantemente. Se em 2011 a mentira foi usada como uma táctica política-terrorista com a intenção de captar votos para os partidos do bloco central hoje ela surge para fundamentar e prolongar uma política económica e socialmente arrasadora. Como devemos adjectivar quem conscientemente e demagogicamente mente? Claro, de mentiroso ou mitómano (caso o comportamento seja patologicamente recorrente). Portanto, são mentirosos a roçar o mitómono o eurodeputado Nuno Melo e o nosso conhecido emigrante Durão Barroso, excelsos seres na arte de mentir, pois continuam ainda hoje a mentir, provocando o medo e o terror, por forma a coagir o eleitorado a aceitar as suas contraproducentes teses.  Quem sabe, não estarão a tentar "lavar" a mentira que proferem repetindo-a mil vezes até que seja aceite como verdade. Ainda há quem esteja atento, meus senhores.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Frente de vitória e liberdade, um esboço

O Manifesto 3D (Dignidade, Democracia e Desenvolvimento) anunciou que vai formalizar, esta semana, a proposta ao Bloco de Esquerda, à Comissão Instaladora do LIVRE e à direção da Associação Renovação Comunista para uma candidatura conjunta às eleições europeias. Esta proposta, que deverá conter uma base programática com respostas à crise, é entendida como a consequência lógica de outros acontecimentos (como os congressos da esquerda) que visa alimentar o sonho de uma frente eleitoral da esquerda portuguesa que ombreie ou ameace a hegemonia política do centro e da direita política portuguesa. Parte dos pressupostos correctos: a) a alternativa ao choque neoliberal da sociedade portuguesa desenha-se dentro das instâncias europeias; b) que a crise é supranacional e de foro ideológico; e c) é com a união (de propostas e figuras) das esquerdas que poderá haver uma alternativa política real e concretizável. A acontecer, será algo inédito em Portugal e um excelente prenúncio para as próximas legislativas.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Estúpidos consensos

"Quatro cafés, dois restaurantes, duas lojas de móveis, uma escola de música, dois cabeleireiros, uma farmácia, um minimercado. Antes tinha mais lojas, duas de decoração, uma de tapeçarias, outra de electrodomésticos e mais umas quantas que já não recordo. Fecharam todas devido a falta de clientes. Os cortes salariais, os aumentos de impostos sobre o trabalho, sobre o consumo e sobre a propriedade, a escalada de preços de bens essenciais como combustíveis, electricidade e gás natural, todos eles fornecidos por empresas mantidas à margem da crise pela assinalável representação que registam nos partidos que têm sido Governo, reduziram o rendimento que os clientes de todas estas lojas tinham disponível para consumir e os resultados destas e de outras políticas erradas da última década vêem-se no papel pardo que tapa as montras das lojas fechadas. As pessoas que nelas trabalhavam deixaram de se ver por lá. A minha rua é assim, uma rua como tantas outras.
Hoje, logo pela manhã, Nos cafés de todas estas ruas, ouviram-se maravilhas sobre o último consenso alcançado entre António José Seguro e os partidos da maioria quanto à reforma do IRC. “É muito bom sinal que tenham chegado a acordo em matéria tão sensível” e “são as pequenas e médias empresas que criam emprego”, vomitava um especialista em domesticação aos microfones da Antena 1. Ouviram-no, sem sobressalto, proprietário e clientes, habituados como toda a gente a estes “toda a gente sabe”. E, no próximo ano, alguns destes últimos deixarão de aparecer com tanta frequência depois de constatarem como o seu rendimento disponível sumiu em nova carga brutal de impostos sobre o trabalho e fruto de mais cortes sobre salários e sobre pensões. Por essa razão, o dono do café verá os seus lucros reduzirem-se novamente e, muito provavelmente, quer para reduzir custos, quer porque o movimento não justifica ter uma empregada, não renovará o contrato da rapariguita que ali trabalha. O mesmo para as lojas da vizinhança, que os clientes deste e dos outros cafés visitam a seguir ao pequeno-almoço. O mesmo para os funcionários dispensados pelas lojas de móveis, que deixarão de ir almoçar ao restaurante. O mesmo para o filho do dono do restaurante, que já não poderá frequentar a escola de música. O mesmo para o professor de música, que já não andará lá pela rua a tomar café e a almoçar no restaurante.
António José Seguro acordou com a maioria reduzir 2% o IRC a empresas que lucram milhões, num país onde o trabalho e o consumo contribuem com mais de três quartos para a receita fiscal e 19 das 20 cotadas no PSI-20 pagam impostos sobre lucros na Holanda. Aceitou protelar para as calendas reduções no IRS e no IVA, tão brutalmente aumentados nos últimos anos. Em troca, a maioria aceitou uma redução de 25 para 17%na taxa de IRC aplicável a lucros até 15 mil euros, lucros esses que, para acontecerem, como vimos atrás, necessitam de clientes com poder de compra.
Temos, assim, que, graças ao último consenso, uma pequena ou média empresa que sobreviva à diminuição do rendimento disponível das famílias e a um IVA nos 23% irá pagar menos 1200 euros em IRC no próximo ano. São estes hipotéticos 1200 euros que Seguro alega irão manter e criar empregos. Ao mesmo tempo, uma empresa que lucre, vá lá, 10 milhões de euros anuais (empresas como a EDP fazem lucros de 10 milhões em menos de três dias), irá pagar menos 200 mil euros por ano graças à descida da taxa de IRC dos actuais 25 para os 23%. O consenso de Seguro deu migalhas aos pequenos para justificar as panificações inteiras que deu aos grandes. O consenso de Seguro acentua ainda mais o desequilíbrio de uma fiscalidade que já sobrecarregava demasiado o trabalho e o consumo para aliviar o capital. Mas um consenso é um consenso, os consensos são importantes para o país e essas coisas. E Seguro mostrou ser um digno sucessor aos comandos de um consenso que se vai reinventando para proporcionar a uma minoria a riqueza consensualmente obtida a empobrecer a restante maioria. Esquerda consensualizada e direita, arco da governação, não saímos disto." in [O País do Burro]

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Desassossegar

O grito de Edvard Munch


Desassossegar precisa-se, desassossegar é imperativo, desassossegar deverá ser a bandeira erguida em cada mão, acordando, os que pela bandeira do sossego tem sido levados pela mão há demasiado tempo. Há cerca de três anos tomei conhecimento da figura de Alexis de Tocqueville, e pela sua mão foi escrita a seguinte frase que nunca esqueci; passo a citar: “Os excessos cometidos em nome da liberdade podem fazer dela odiosa, mas não poderão ser obstáculo para que ela seja bela e necessária.”.O desassossego necessário é aquele que se levanta como crença, como crença na democracia e que não poderá ser deturpada seguindo aquilo que abusivamente e ilegitimamente se comete em seu nome. O apelo do desassossego só fará sentido se todos, em vários sentidos, o apropriarmos. 

Aqui, direciono-o, especialmente aos jovens, que como eu, vivem hoje entre as malhas que entrelaçam a incerteza trazida pelo desemprego e as teias da descrença generalizada nos decisores políticos. Esta descrença deve-se, em primeiro lugar, ao discurso politico que na sua maioria se rege por fórmulas especialmente delineadas para dizer pouco em muitas palavras tão enfadonhas e repetitivas que esgotam a paciência a um santo. E em segundo, à construção mediática desse discurso político como vindo de lugares excelsos como um qualquer Olimpo e proferida por endeusados seres com poderes de oratória incompreensíveis ao comum mortal cidadão. Não o digo só aos jovens mas é preponderante que estes tenham na decisão um lugar cativo porque é a eles que mais afecta o flagelo do desemprego. Não podemos deixar que a descrença na "classe política" nos afaste da esfera do politico. O ser humano em sociedade é por natureza politico, a politica diz assim respeito a qualquer processo de administração, de organização, de tomada de decisão. Perceber a palavra política como apenas e só a actividade profissional de um político é negar completamente o direito ( e até poder) mobilizador e participativo que a cada cidadão pertence. Entristece-me, profundamente, neste sentido ouvir cada vez mais por onde passo impregnado nos discursos juvenis "não me interessa nada a politica". Minha gente, isto é uma prenda de mão beijada para os senhores dos inquestionáveis poderes instalados. 

Segundo o INE, a taxa de desemprego nos jovens dos 15 aos 24 anos de idade era no 1º trimestre de 2012 de 36,2%, pelo que no trimestre homólogo de 2013 se situou nos 42,1%. Com os indicadores de crescimento económico decadentes e a dependência externa tudo aponta para uma contínua subida do desemprego. E nós? Continuaremos a apontar para contínuo sossego? Não. Não podemos. O desemprego tem efeitos desastrosos. A nível económico conduz ao empobrecimento e rupturas familiares. Ao nível social à exclusão. Ao nível pessoal a graves crises identitárias com repercussões psicossociais. O trabalho é um direito e participar de forma organizada em reafirmá-lo um dever. 

Por isso, aos jovens, a todos, apelo à organização, à vontade e ao desassossego de ousar participar activamente no debate, no associativismo, nos espaços públicos das discussões localmente situadas, sempre interrogando criticamente as decisões que afectam as nossas vidas. Está visto que as organizações de poder local e central falham, está visto que as supranacionais falham ainda mais, está visto que a Europa falhou. Cabe-nos pensar em conjunto, localmente, deixando os grilhões partidários e a apatia do desinteresse para assumir o desassossego da participação cívica dando um safanão a quem nos tem incutido a sonolência. Para além disso, e citando o pintor francês Eugène Delacroix, "o segredo para não ter tédio é ter ideias." Ter ideias, dar-lhe corpo e forma, e abri-las ao espaço público da discussão, abre caminho a estratégias, abre caminho ao planeamento, abre acima de tudo a possibilidade que a discussão livre, a maior arma que a democracia nos trouxe, permite - a inclusão. 



sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Mensagem do atual Presidente da Câmara de Cabeceiras? Só nas Páginas Amarelas

Como sabemos o culto de personalidade é uma marca da governação unipessoal do nosso ex-presidente da Câmara Municipal, Joaquim Barreto. Meses após as últimas eleições autárquicas, o principal órgão de comunicação da Câmara Municipal na Internet continua a dar destaque a um ex-presidente de Câmara Municipal. Caso único, neste Portugal peculiar. Esta situação é agravada ao saber que a página da Câmara Municipal de Cabeceiras nas Páginas Amarelas na Internet tem a mensagem do atual presidente da Câmara, China Pereira e a página principal, o site da Câmara Municipal, continua a destacar a mensagem do ex-presidente da Câmara em vez da do atual. Conclusão: o atual presidente de Câmara, China Pereira, escreveu a sua mensagem dirigida aos munícipes mas, devido a qualquer força de bloqueio dada ao culto à personalidade de ex-presidentes, a que vale, no site da Câmara, é a do outro, a sombra. E esta, hein?
http://cabeceirasdebasto.pt/

http://cm-cabeceiras-basto.pai.pt/ms/ms/camara-municipal-de-cabeceiras-de-basto-cabeceiras-de-basto-4860-355-cabeceiras-de-basto/ms-90050239-p-6/

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Regabofe comunicativo

Quem gere as páginas do facebook e do site da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto continua a publicar comunicados e notas de imprensa tendenciosas. Sublinhe-se que estes meios de comunicação entre a instituição (Câmara Municipal) e os cidadãos são financiados pelo erário público e devem, pois tratam-se de meios geridos por um órgão de governação, transmitir informação politicamente isenta e apartidária. Não é o acontece. Para mim é um ato moralmente condenável (penso até que seja algo ilegal) publicar e difundir (1,2,3 e 4) comunicados e informações faciosas com o intuito de enganar e condicionar os incautos leitores. É penoso verificar que, após algumas denúncias, a forma de comunicar e partidarizar a comunicação camarária continue como está. Quem tem, agora, a função  de fiscalizar o atual executivo deve condenar este tipo de atuação, exigindo responsabilidades e responsáveis. Entretanto, o regabofe comunicativo continua num meio de comunicação camarário perto de si.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Somos, socialmente, uma colectividade pacífica de revoltados

Meio milhão de crianças perdem abono de família em três anos 

Os apoios estatais às crianças diminuem ao mesmo tempo que a riqueza dos super-ricos aumenta. A transferência da riqueza está de vento em popa, da base para o topo, do pobre para o rico, do trabalhador para o rendeiro. De facto, o povo, esta entidade mística, é de uma elasticidade notável. O governo e a classe dominante agradecem. 

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Quando a verdade é uma consequência lógica

Assunto: cerimónia da tomada de posse dos novos Órgãos Autárquicos do Município; 
Autor: MM; 
Tese: 
Ser democrata é saber aceitar os resultados.
Ser democrata é saber comportar-se quando se ganha e/ou quando se perde.
Ser democrata é saber quando, onde e como intervir.
Ser democrata é saber respeitar os demais.
Ser democrata é saber respeitar a Lei, os regulamentos, as regras previamente definidas. 

Segundo MM (aqui), conhecido cronista, ser democrata é cumprir (ser verdade) todos os requisitos (proposições) atrás descritos. Assim, MM, classifica, claramente, como "não democrata" (ver a prova aqui) o "primeiro candidato eleito na lista mais votada". Engraçado.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Houve sempre quem desconstruísse a mentira, por mais hegemónicos que fossem os argumentos desta


Aproveitando a celebração do centenário do nascimento de Álvaro Cunhal, figura grada da política portuguesa e muito denegrida pelos "vencedores" da história, deixo aqui as palavras sábias e premonitórias de Carlos Carvalhas, um outro histórico comunista português.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Dom Barreto, o mortal

«(...) deixo um pedido de desculpas a todos por qualquer erro ou emissão cometido durante o exercício das nobres funções de Presidente de Câmara.» [Joaquim Barreto]

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Projectos políticos e outros apontamentos


Ouvi, com atenção, a entrevista da Rádio Voz de Basto a José Joaquim Teixeira, o declarado candidato à presidência da Comissão Política do PSD local. A grosso modo, gostei da entrevista. José Joaquim foi claro, assertivo, corajoso e inteligente. Não teve qualquer pejo em dar a sua opinião independentemente dos tópicos em discussão e das perguntas pertinentes do entrevistador, Manuel Ribeiro. Porém, porque há sempre um "mas", José Joaquim salientou, por diversas vezes, que o Movimento Independentes Por Cabeceiras (IPC) não tinha um projecto político e era apenas a figura e sombra de Jorge Machado. A determinado ponto da entrevista, José Joaquim afirma que na disputa eleitoral das últimas eleições autárquicas apenas houve dois projectos políticos: "o do PS e do PSD" (sic). Vejamos: 
  •  um projecto político pode ser entendido como uma obra colaborativa que segue um planeamento pensado e estruturado para atingir um determinado objectivo político. O movimento IPC tinha-o. O objectivo era vencer as eleições, ganhando a câmara municipal, dando a edilidade ao movimento. Foi dito e escrito em vários momentos. Para o atingir, o movimento, colaborativamente, engendrou métodos novos: inovou no contacto com a população (tendo discursos simples e fora do comum), criou vários instrumentos para recolher ideias e propostas, calcarreou cafés e espaços públicos para ouvir e registar os anseios da população e elaborou um conjunto de princípios políticos que definiam os eixos principais da nossa atuação governativa. Em suma: elaboraram uma carta de compromissos (1), um programa e um manifesto eleitoral verdadeiramente participativo (2,3) e definiram equipas (4) com competências essenciais para a governação autárquica. Equipas que, ao nível das competências, eram "à prova de bala". O que tinham os outros, os únicos que apresentaram "projectos políticos"? O PSD apresentou como bandeira eleitoral um conjunto de "dez princípios", com algumas medidas avulsas e centradas no discurso fátuo de serem a única alternativa e os fieis depositários da democracia cabeceirense. O PS recalcou programas antigos, lutou por uma política de "continuidade", assente em figuras gastas e usou métodos de caça ao voto de questionável legitimidade. Apenas isso. Como pode dizer que o movimento IPC não tinha "projecto político"? Tinha-o e ainda o tem;
  •  Jorge Machado, nosso cabeça de lista do movimento IPC, era pura e simplesmente a pessoa com as melhores competências, humanas e técnicas, para dirigir os assuntos autárquicos. Facto inquestionável. No entanto, ele é apenas uma pessoa. O movimento é, e foi, muito mais que uma pessoa. Foi, e é, um projecto político, com todas as características atrás expostas. Este movimento foi, e é, um verdadeiro retrato da sociedade cabeceirense. O movimento, colectivamente, pensou e agiu. Não foi a extensão de Jorge Machado. O movimento, colectivamente, fez escolhas. E continua a escolher de uma forma colaborativa e transparente. Algo estranho, para as outras forças políticas, baseadas em personalidades e em simbologia e emoção clubística. Foi, e ainda é, um colectivo que orgulhosamente lutou para que as competências de uma equipa, encabeçada por Jorge Machado, fossem usadas em prol da comunidade. Embora a figura de Jorge Machado é, por si só, a cola que nos une a todos, o movimento excedeu a figura em destaque. 

Concluindo, José Joaquim, inteligente como é, tenta, subliminarmente, classificar o movimento IPC como o projecto pessoal de Jorge Machado. É estratégico, pois disvirtuar o conjunto, personalizando-o, é a a forma mais rápida de conquistar o eleitorado social-democrata que viu no movimento IPC o espaço de cidadania e de ação política que não encontraram em lado algum. O movimento IPC tem, como teve, um projecto político bem definido e público. A sua carta de compromissos, o seu manifesto, o seu programa eleitoral e as pessoas que o constituem são a prova cabal que há um projecto político sólido e real.

Para consulta dos mais distraídos:

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O teatro dos apoios

A lista de apoios da candidatura de China Pereira e Joaquim Barreto, publicados no site do PS de Cabeceiras de Basto, é uma verdadeira lista de coagidos. Nesta, como na outra, os signatários para sobreviverem têm que abdicar de vontade própria, da livre associação política (garantida pela nossa Constituição), e, essencialmente, da capacidade de escreverem um texto de apoio. O que importa é a simulação de uma qualquer vaga de apoio que, de facto, não existe.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Silly season

Ao ler os discursos de apoio às candidaturas do PS à CM de Cabeceiras noto que existem duas palavras que estão constantemente repetidas nos textos. São elas: "incondicionalmente" e "Barreto". Assim, concluo que o acto de apoiar incondicionalmente encerra aquela popular expressão: "nem que seja um burro eu voto no punho", dado que, segundo os próprios, haja o que houver, aconteça o que acontecer, o voto nas listas daquele partido está, sem quaisquer condições, garantido; ao ler repetidamente o nome "Barreto" (há mais referências ao nome Barreto de que ao nome China Pereira, é só contar) leva-me a associar que quem é o cabeça de lista à câmara é o famigerado Barreto, tendo este, como conhecido apoiante, que dispensa um pouco do seu tempo para levar Barreto à cadeira do poder executivo, China Pereira.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Até sempre, Partido Socialista

O PS fecha a porta do diálogo ao BE mas mantém-na aberta para o Governo (PSD+CDS+Cavaco). Amigo Seguro e demais colaboracionistas, um pequeno apontamento sobre este acontecimento. Com este acto definiram o rumo que pretendem para o PS, o que clarificou a vossa posição na geografia política portuguesa. Confesso que vossas excelências perderam uma oportunidade de recolocar o PS no espectro político que, alegadamente, se dizem originários. Em concreto, há muito que fugiram da tríade de princípios que deveria guiar-vos e, ao que parece, foram por um caminho sem retorno. Agora, o governo de Esquerda ter-se-à que fundamentar no que resultar de uma união do BE, CDU e demais movimentos sociais. Sem o PS, claro. A gravidade do momento assim o exige e assim espero. Até lá, caro PS, desejo-lhe uma profunda e dolorosa "pasokização". Fez por o merecer e eu, comum mortal, não o posso impedir. Nem quero.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Espelho meu, espelho meu, há alguém mais fotografado do que eu?

Ao ver a página oficial da Câmara Municipal de Cabeceiras no facebook tiro ilações relevantes: o presidente da Assembleia Municipal é o eleito mais fotografado de sempre, atrás do omnipotente edil; é, provavelmente, o presidente de Assembleia Municipal que mais inaugurações, eventos, e festas foi no corrente ano; que não terá qualquer dificuldade em escolher as fotografias em que melhor ficou junto ao eleitorado, dada a quantidade da amostra; e não se preocupará com despesas de publicidade, quando despir a capa de presidente de Assembleia Municipal e assumir o papel de candidato à Câmara nas próximas eleições. Enquanto, isso, o passivo contribuinte pensa que esta situação é algo normal e recorrente nas responsabilidades de um presidente de uma Assembleia Municipal. Fazendo uma analogia, para melhor nos entendermos, e transportando esta realidade local para o âmbito nacional, é o mesmo se víssemos a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, em tudo o que fosse evento e "corta-fita", com a agravante de ser publicitada nos canais oficiais do Estado Português.

terça-feira, 28 de maio de 2013

A 'próxima esquerda'

A 'próxima esquerda' e os instalados, por Henrique Monteiro
Não partilho alguns do pressupostos e preconceitos que aqui pululam. No entanto, Henrique Monteiro, toca em algo essencial para a Esquerda: a cobertura política daqueles que não estão, não são, representados no sistema vigente. Acrescento algo mais, a Esquerda terá que mudar o discurso político. Tem de desmontar a ideia do "crescimento infinito", combater o "modo de vida consumista", defender uma nova ordem social e económica (baseada na cooperação) e preparar-se para a mudança de ciclo civilizacional -que virá com a inevitável escassez da energia baseada em combustíveis fósseis. Só assim poderá cumprir o seu pergaminho de defender os "mais vulneráveis" e o progresso em direcção a um novo modo de estar e viver em sociedade.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Estalinismos

Nos alvores do verão quente de 2013, a pré-pré campanha eleitoral para as eleições autárquicas deste ano está a evidenciar muitos dos vícios Estalinistas. Eles, os corvídeos, analisam os likes nas redes sociais, vigiam os encontros entre pessoas nas ruas e nos estabelecimentos públicos e, quem sabe, já vasculham os caixotes do lixo de certas e determinadas pessoas. Para além disso, há a decorrer a enésima perseguição judicial. É uma azáfama 'controladeira' que visa garantir, à Situação, um número de votos que possa manter o seu peculiar 'regime' democrático. Portanto, peço que quando se encontrarem perante tais situações afirmem, de uma forma veemente, que o (neo)feudalismo não é compatível com um regime verdadeiramente democrático e que, acima de tudo, eles passam mas nós ficamos.