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domingo, 18 de dezembro de 2016

Pela boca morre o peixe


Santo António pregando aos peixes


Após os resultados eleitorais de 2013, quando a água da fervilhante campanha ainda não tinha esquentado, já os barões da mordaça, do Partido Socialista em Cabeceiras de Basto, atiçavam as suas hostes contra o ‘amadorismo’ do Movimento Independentes por Cabeceiras (IPC).

Toda a gente sabe (até esses barões da mordaça sabem) que não era contra o amadorismo que se atiçavam mas sim contra a própria incompreensão dos tais ‘amadores’ terem conseguido o mesmo número de vereadores eleitos (3) tendo estado muito próximos da vitória. O fenómeno político inédito em Cabeceiras de Basto quase derrubava o regime de duas décadas. Esteve perto. O Partido Socialista apanhou as parcas canas de uma vitória com sabor a derrota (lembro que apregoavam aos seus mais fiéis peixes que elegeriam cinco vereadores) e a procissão continuou. A luta na rua passou para a Assembleia Municipal. Estranho disseram alguns, dado que o ‘palco’ de discussão das estratégias políticas seria à partida as reuniões do Executivo Municipal. Mas cedo se percebeu que aquele que anteriormente habituado ao protagonismo de culto da personalidade não poderia abdicar de tal e a figura do Presidente eleito, Dr. Serafim China Pereira, foi relegada para segundo plano pelos barões do partido (do qual China Pereira parecia cada vez mais isolado). Afinal não estavam assim tão ‘unidos pela nossa Terra’.

As sessões de Assembleia Municipal atingiam recordes inéditos. Horas a fio, pela noite dentro, sessões que tiveram de ser prolongadas para outros dias, ataques pessoais teatralmente ensaiados entre a ‘bancada’ do PS e o Presidente da Assembleia Municipal, que em vez de um mero árbitro (assim como previsto nos Estatutos da sua função) transformava-se num ponta (de uma) lança atacando tudo e todos numa linguagem muitas das vezes insultuosa. Tudo isto constituiu uma táctica de guerra declarada, sob um objectivo que os bafientos barões pensaram ser de fácil resolução – esmagar os ‘amadores’ porque não estavam preparados, dividindo assim a sua (presumível) frágil base de apoio.

Assembleia após Assembleia o IPC revelou perseverança e prudência suficiente para não entrar no mesmo jogo desprezível para o qual os barões esfaimados tentavam arrastar. A táctica de guerra revelou-se desprovida de estratégia e tal como alertou o milenar Sun Tzu, “tácticas sem estratégia são o ruído antes da derrota”. O PS sofria a primeira; depois de menosprezar a autoridade legítima do seu Presidente eleito, este utilizaria a mesma ribalta da guerra que o desautorizava para trocar o punho pelo ‘murro na mesa’ e declarar que não compactuaria mais com os barões que o humilhavam publicamente. Acabaria por pedir a demissão. Os peixes graúdos de boca larga começavam a perder oxigénio.

De 2013 a 2016 a teatralidade continuou, mas perdendo força e consistência. Os barões mudavam de táctica e retraíam-se para outros palcos. As distritais do PS vieram e os resultados de Braga fizeram redobrar os peixes e as suas largas bocas. Mas o IPC já não eram esses “amadores”. Apresentavam-se cada vez mais sólidos e consistentes, capazes de articular particularmente bem as suas posições entre a Assembleia e o Executivo. Fizeram propostas, aprovaram algumas, saíram reprovadas muitas outras (apenas pelo preconceito de confundir inimigos com adversários políticos que toldava a vista até da ala mais dialogante do PS).

Tudo isto e três anos passaram, cheios da grandiosidade do mote do ‘Mosteiro a Património da Humanidade’, no fundo tão grande em conteúdo quanto os balões festivos – apenas de ar e pouco mais. O Presidente que sucedeu a China Pereira revelava que não estava preparado para a tarefa. Da sua incapacidade não é culpado. Culpe-se o partido por o deixar naquela posição de se ver empurrado para uma posição para a qual não foi eleito tendo de um lado os cacos da ala que apoiava China Pereira e do outro os barões que continuariam a desautorizá-lo.

Do seu lado, como escreveu o meu amigo Vítor Pimenta, o Presidente tinha “provavelmente o elemento mais competente política e tecnicamente dos vereadores com pelouro”. Tinha, pois já não tem mais. Isabel Coutinho renunciou aos seus pelouros por considerar que "a par da ausência de recursos, por diversas vezes foram tomadas decisões em matérias da minha responsabilidade, legal e política, ou sem o meu conhecimento ou com a mera comunicação das mesmas". Leia-se daqui o mesmo que poderá ser lido para a demissão de China Pereira: os barões do PS não têm cultura democrática, nem para com os seus próprios membros eleitos.

Agora pense caro leitor, pense e pergunte quem são realmente os “amadores”. Um movimento independente que em 3 anos se constituiu solidamente na cena política cabeceirense ou os barões de um partido que no mesmo período derrubaram dois dos seus membros eleitos?

No sermão de Padre António Vieira, este refere-se a Sto. António como tendo mudado o púlpito e o auditório, começando a pregar aos peixes. É bom que o PS saiba mudar antes de mais os peixes de onde recebem o pregão, porque esses vão morrendo pela boca que pregam, levando o Partido para esse mesmo caminho.

A democracia é tão mais forte quanto mais coesas sãos as forças políticas que representam as pessoas. Não é de um partido despedaçado que Cabeceiras precisa. Espero que 2017 traga algo necessariamente novo para além do próprio ano. 2017 tem de ser mudança!...

Um bom natal e um novo 2017.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Mensagem do atual Presidente da Câmara de Cabeceiras? Só nas Páginas Amarelas

Como sabemos o culto de personalidade é uma marca da governação unipessoal do nosso ex-presidente da Câmara Municipal, Joaquim Barreto. Meses após as últimas eleições autárquicas, o principal órgão de comunicação da Câmara Municipal na Internet continua a dar destaque a um ex-presidente de Câmara Municipal. Caso único, neste Portugal peculiar. Esta situação é agravada ao saber que a página da Câmara Municipal de Cabeceiras nas Páginas Amarelas na Internet tem a mensagem do atual presidente da Câmara, China Pereira e a página principal, o site da Câmara Municipal, continua a destacar a mensagem do ex-presidente da Câmara em vez da do atual. Conclusão: o atual presidente de Câmara, China Pereira, escreveu a sua mensagem dirigida aos munícipes mas, devido a qualquer força de bloqueio dada ao culto à personalidade de ex-presidentes, a que vale, no site da Câmara, é a do outro, a sombra. E esta, hein?
http://cabeceirasdebasto.pt/

http://cm-cabeceiras-basto.pai.pt/ms/ms/camara-municipal-de-cabeceiras-de-basto-cabeceiras-de-basto-4860-355-cabeceiras-de-basto/ms-90050239-p-6/

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Regabofe comunicativo

Quem gere as páginas do facebook e do site da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto continua a publicar comunicados e notas de imprensa tendenciosas. Sublinhe-se que estes meios de comunicação entre a instituição (Câmara Municipal) e os cidadãos são financiados pelo erário público e devem, pois tratam-se de meios geridos por um órgão de governação, transmitir informação politicamente isenta e apartidária. Não é o acontece. Para mim é um ato moralmente condenável (penso até que seja algo ilegal) publicar e difundir (1,2,3 e 4) comunicados e informações faciosas com o intuito de enganar e condicionar os incautos leitores. É penoso verificar que, após algumas denúncias, a forma de comunicar e partidarizar a comunicação camarária continue como está. Quem tem, agora, a função  de fiscalizar o atual executivo deve condenar este tipo de atuação, exigindo responsabilidades e responsáveis. Entretanto, o regabofe comunicativo continua num meio de comunicação camarário perto de si.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Da Estónia para Cabeceiras, um projecto educativo

Após a Estónia, é a Finlândia (que possui um dos sistemas de ensino mais reputado do mundo) a querer incluir o ensino da programação de computadores aos alunos do primeiro ciclo de ensino [1]. O objectivo é claro: desenvolver, nos alunos, certas capacidades que a programação exige, do raciocínio lógico e matemático à linguística. Naturalmente, que o ensino dos fundamentos da programação de computadores fornecerá aos "nativos digitais", que habitam as nossas escolas, uma nova forma de relacionamento inteligente com a tecnologia digital que os rodeia. 

Curiosamente, ou não, o movimento Independentes Por Cabeceiras defendeu uma medida semelhante no seu programa eleitoral [2]. Estava previsto naquele programa eleitoral a execução de medidas de promoção do ensino da informática e das Ciências da Computação nos Centros Escolares do concelho, fornecendo equipamento computacional de baixo custo (e.g. Raspberry Pi) e recorrendo a voluntários (numa primeira fase do programa) para a formação de professores e educadores. Uma boa medida que, mais ou cedo ou mais tarde, espero, vir a ser concretizada. 

Fontes:

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O meu coração também é azul e branco


Este Domingo, 17 de Novembro, às 15 horas, no Campo de Jogos de Morgade, o Desportivo de Arco de Baúlhe recebe o rival Atlético Cabeceirense, naquele que é o mais escaldante derby das Terras de Basto. Os tempos são outros, mas a pele ainda brota com as emoções e as razões sociológicas e políticas que condimentavam o embate no passado. Histórias que certamente davam um bom livro. Ainda que de sangue vermelho, ali o meu coração é azul e branco.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Quando a verdade é uma consequência lógica

Assunto: cerimónia da tomada de posse dos novos Órgãos Autárquicos do Município; 
Autor: MM; 
Tese: 
Ser democrata é saber aceitar os resultados.
Ser democrata é saber comportar-se quando se ganha e/ou quando se perde.
Ser democrata é saber quando, onde e como intervir.
Ser democrata é saber respeitar os demais.
Ser democrata é saber respeitar a Lei, os regulamentos, as regras previamente definidas. 

Segundo MM (aqui), conhecido cronista, ser democrata é cumprir (ser verdade) todos os requisitos (proposições) atrás descritos. Assim, MM, classifica, claramente, como "não democrata" (ver a prova aqui) o "primeiro candidato eleito na lista mais votada". Engraçado.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Dom Barreto, o mortal

«(...) deixo um pedido de desculpas a todos por qualquer erro ou emissão cometido durante o exercício das nobres funções de Presidente de Câmara.» [Joaquim Barreto]

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A pasteurização

A JSD tenta lavar a sua face e a do partido, desvinculando-se do voto favorável de Mário Leite, na recente nomeação dos órgãos  da Basto Vida. Ao mesmo tempo, procura branquear o processo, confundindo esta posição com a Jorge Machado, em 2010, e fazendo por macular o movimento "Independentes Por Cabeceiras". Primeiro, tal como o PSD não é apenas e só Mário Leite, o IPC não é apenas e só Jorge Machado. Segundo, em 2010, o nomeado para o cargo executivo da Basto Vida não era o presidente da Assembleia Municipal. 

Depois, há um facto que a JSD não pode esconder. A posição de Mário Leite não foi  isolada. Houve o consentimento de várias figuras no PSD que já sabiam de antemão da sua  nomeação para os cargos, nomeadamente Abílio Alves, primeiro à Assembleia Municipal, assim como Senhorinha Pires e Telmo Bértolo, e que de algum modo se tornaram cúmplices da decisão. Isto, para não falar do que se foi sucedendo em algumas assembleias de freguesia, onde se têm verificado outras posições concertadas entre os dois partidos e que vinculam, quase irremediavelmente, os sociais-democratas, mesmo os que agora torcem o nariz. A vaga de fundo da nova liderança pode tentar pasteurizar o sucedido, mas o PSD está coalhado para os próximos anos.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Projectos políticos e outros apontamentos


Ouvi, com atenção, a entrevista da Rádio Voz de Basto a José Joaquim Teixeira, o declarado candidato à presidência da Comissão Política do PSD local. A grosso modo, gostei da entrevista. José Joaquim foi claro, assertivo, corajoso e inteligente. Não teve qualquer pejo em dar a sua opinião independentemente dos tópicos em discussão e das perguntas pertinentes do entrevistador, Manuel Ribeiro. Porém, porque há sempre um "mas", José Joaquim salientou, por diversas vezes, que o Movimento Independentes Por Cabeceiras (IPC) não tinha um projecto político e era apenas a figura e sombra de Jorge Machado. A determinado ponto da entrevista, José Joaquim afirma que na disputa eleitoral das últimas eleições autárquicas apenas houve dois projectos políticos: "o do PS e do PSD" (sic). Vejamos: 
  •  um projecto político pode ser entendido como uma obra colaborativa que segue um planeamento pensado e estruturado para atingir um determinado objectivo político. O movimento IPC tinha-o. O objectivo era vencer as eleições, ganhando a câmara municipal, dando a edilidade ao movimento. Foi dito e escrito em vários momentos. Para o atingir, o movimento, colaborativamente, engendrou métodos novos: inovou no contacto com a população (tendo discursos simples e fora do comum), criou vários instrumentos para recolher ideias e propostas, calcarreou cafés e espaços públicos para ouvir e registar os anseios da população e elaborou um conjunto de princípios políticos que definiam os eixos principais da nossa atuação governativa. Em suma: elaboraram uma carta de compromissos (1), um programa e um manifesto eleitoral verdadeiramente participativo (2,3) e definiram equipas (4) com competências essenciais para a governação autárquica. Equipas que, ao nível das competências, eram "à prova de bala". O que tinham os outros, os únicos que apresentaram "projectos políticos"? O PSD apresentou como bandeira eleitoral um conjunto de "dez princípios", com algumas medidas avulsas e centradas no discurso fátuo de serem a única alternativa e os fieis depositários da democracia cabeceirense. O PS recalcou programas antigos, lutou por uma política de "continuidade", assente em figuras gastas e usou métodos de caça ao voto de questionável legitimidade. Apenas isso. Como pode dizer que o movimento IPC não tinha "projecto político"? Tinha-o e ainda o tem;
  •  Jorge Machado, nosso cabeça de lista do movimento IPC, era pura e simplesmente a pessoa com as melhores competências, humanas e técnicas, para dirigir os assuntos autárquicos. Facto inquestionável. No entanto, ele é apenas uma pessoa. O movimento é, e foi, muito mais que uma pessoa. Foi, e é, um projecto político, com todas as características atrás expostas. Este movimento foi, e é, um verdadeiro retrato da sociedade cabeceirense. O movimento, colectivamente, pensou e agiu. Não foi a extensão de Jorge Machado. O movimento, colectivamente, fez escolhas. E continua a escolher de uma forma colaborativa e transparente. Algo estranho, para as outras forças políticas, baseadas em personalidades e em simbologia e emoção clubística. Foi, e ainda é, um colectivo que orgulhosamente lutou para que as competências de uma equipa, encabeçada por Jorge Machado, fossem usadas em prol da comunidade. Embora a figura de Jorge Machado é, por si só, a cola que nos une a todos, o movimento excedeu a figura em destaque. 

Concluindo, José Joaquim, inteligente como é, tenta, subliminarmente, classificar o movimento IPC como o projecto pessoal de Jorge Machado. É estratégico, pois disvirtuar o conjunto, personalizando-o, é a a forma mais rápida de conquistar o eleitorado social-democrata que viu no movimento IPC o espaço de cidadania e de ação política que não encontraram em lado algum. O movimento IPC tem, como teve, um projecto político bem definido e público. A sua carta de compromissos, o seu manifesto, o seu programa eleitoral e as pessoas que o constituem são a prova cabal que há um projecto político sólido e real.

Para consulta dos mais distraídos:

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A coligação oficiosa

A sair do forno, da primeira reunião de Câmara, a nomeação de Joaquim Barreto para presidente da Basto Vida. Com um pequeno "golpe de estado", o ex-presidente de câmara fica, ou melhor, mantém uma parte substancial da função executiva camarária a reboque da empresa municipal de referência. Tudo sob (ou sobre) o olho do agora Presidente do Conselho Fiscal, Abílio Alves, o outro cabeça de lista à Assembleia Municipal, mas pela coligação "Cabeceiras+Futuro". Já a presença municipal no Conselho Geral do Mega-agrupamento de Escolas fica entregue a Domingos Machado, com a companhia, surpresa das surpresas, de Senhorinha Pires e Telmo Bértolo. Não obstante a incompatibilidade moral de membros do órgão supervisor da actividade camarária, a Assembleia Municipal, tomarem posse da "mão visível" ou, talvez possamos dizer, da "muleta" do executivo de China Pereira, a nomeação passou facilmente no crivo da votação em reunião de Câmara. Quem desfez empates foi Mário Leite, o vereador eleito pelo PSD/CDS que tinha aquele jingle de campanha "o tempo do barretismo acabou". Parece que não. Podiam ter dado um pelouro ao homem.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

O delírio de grandeza, parte dois

Não bastasse uma cerimónia de insuflação do ego, que fez sombra à sua tomada posse, o Presidente de Câmara que se segue fez o seu ensaio do discurso da continuidade: candidatar o centro de Cabeceiras a Património da Humanidade. Eu sei que o amor à terra pode elevar qualquer vilarejo ao melhor lugar do mundo, desde que seja o dos nossos afectos, mas há coisas que já  não são de se ter coração a mais, antes razão a menos.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A terra após o terramoto



                                                        Lisboa, terramoto de 1755                            



Mantenham a calma. Não é realmente de um terramoto como fenómeno de vibração brusca e passageira da superfície terrestre que aqui se tratará. Aqui é usada a alusão ao fenómeno geológico como metáfora ao abalo e agitação social causados em determinados momentos na vida em sociedade por acontecimentos específicos que instauram uma ordem ou desordem específica nas nossas relações. Como tal fazer a análise a esses acontecimentos só é possível de forma devidamente clara e distanciada (em termos de julgamento) após a agitação, isto é, quando já terramoto terminou a sua acção e podemos então levantar os “escombros” e ver o que estes escondem por de entre a poeira acumulada. 

Falo, objectivamente, das eleições autárquicas em Cabeceiras de Basto da qual se apuraram os resultados no último dia 29 de Setembro. A metáfora empregue assenta como luva no referido acontecimento eleitoral pelo alvoroço e expectativa que em especial estas autárquicas despoletaram. Fora uma ausência de modéstia ou qualquer parcialidade de que me possam acusar, penso ser inevitável considerar que a agitação se deveu à presença de um agente que até aqui não tinha entrado em cena – a candidatura de um movimento independente.

O movimento de cidadãos Independentes por Cabeceiras oficializou a sua candidatura em Abril de 2013 e nos cinco meses de existência através de uma campanha que instaurou sobretudo uma lufada de ar fresco no incentivo à cidadania participativa conseguiu um resultado de 4535 votos para a Câmara Municipal e a conquista da presidência de duas Juntas de Freguesia ( Cavez e Pedraça). No entanto estes números surpreendem pouco quando enunciados isoladamente. Ora vejamos, o que é verdadeiramente novo e surpreendente é o efeito desta candidatura nos resultados das outras forças políticas, em especial no resultado do Partido Socialista e no resultado da coligação PSD.CDS-PP. 

Em relação a 2009 o Partido Socialista perdeu a maioria absoluta, isto é, em termos absolutos 2767 votos que se traduz em queda de 36% e que dita uma perda de dois vereadores em relação aos cinco conseguidos em 2009. Quanto à coligação Cabeceiras + Futuro, perde 1501 votos, isto é, uma queda de 52% em relação a 2009 e menos um vereador.

A análise desta “terra” politica após o “terramoto” eleitoral redunda, por mais voltas que déssemos sobre postulados de teoria politica em duas conclusões: em primeiro lugar na eficácia da estratégia adoptada na campanha pelo movimento de cidadãos IPC que se dirigiu de forma muito vincada desde o início em ouvir e dar voz ao cabeceirenses e em segundo lugar a uma mensagem de claro desagrado por parte dos eleitores quanto aos partidos políticos e à centralização inerente à própria estrutura. É certo que a conjuntura nacional poderá ter tido efeito nesta desacreditação dos partidos junto da população mas não creio que esse factor tenha sido preponderante aqui, em Cabeceiras de Basto.

Aposto antes em dois outros factores: por um lado a nomeação em processo obscuro de Serafim China Pereira como candidato à Câmara Municipal pela comissão politica concelhia do Partido Socialista (ou talvez da vontade imposta por uma pessoa só); e por outro lado na ausência de um candidato da coligação Cabeceiras + Futuro com força suficiente para gerar à sua volta um ambiente de alternativa e uma real possibilidade de vitória. 

Para além disso, ressalva-se a ausência de maioria para o Partido Socialista que se vê implicado na necessidade, inédita, de negociação com a oposição. Sob os ombros Serafim China Pereira, que em breve tomará posse como Presidente de Câmara, carrega essa responsabilidade de diálogo com a condicionante de que representa uma força politica que se caracteriza por uma ausência de cultura politica nesse sentido, e que até por vezes se tornou símbolo de autoritarismo na figura do Presidente em cessação de mandato. Tudo isto envolto numa conjuntura de profundo desemprego, em aumento das desigualdades sociais, num contexto de envelhecimento populacional e na fuga para o litoral e estrangeiro de jovens cada vez mais qualificados. É, portanto, imperativo o diálogo e a estruturação de um plano de desenvolvimento regional que tenha como principal objectivo o crescimento económico. Porque sem economia todos os indicadores acima se agravarão. Veremos com que diálogos e silêncios se revestirá este mandato. Mas veremos, acima de tudo, que “terramotos” se darão sob nossos pés. Aqui estaremos, atentos, a aguardar.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O teatro dos apoios

A lista de apoios da candidatura de China Pereira e Joaquim Barreto, publicados no site do PS de Cabeceiras de Basto, é uma verdadeira lista de coagidos. Nesta, como na outra, os signatários para sobreviverem têm que abdicar de vontade própria, da livre associação política (garantida pela nossa Constituição), e, essencialmente, da capacidade de escreverem um texto de apoio. O que importa é a simulação de uma qualquer vaga de apoio que, de facto, não existe.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Silly season

Ao ler os discursos de apoio às candidaturas do PS à CM de Cabeceiras noto que existem duas palavras que estão constantemente repetidas nos textos. São elas: "incondicionalmente" e "Barreto". Assim, concluo que o acto de apoiar incondicionalmente encerra aquela popular expressão: "nem que seja um burro eu voto no punho", dado que, segundo os próprios, haja o que houver, aconteça o que acontecer, o voto nas listas daquele partido está, sem quaisquer condições, garantido; ao ler repetidamente o nome "Barreto" (há mais referências ao nome Barreto de que ao nome China Pereira, é só contar) leva-me a associar que quem é o cabeça de lista à câmara é o famigerado Barreto, tendo este, como conhecido apoiante, que dispensa um pouco do seu tempo para levar Barreto à cadeira do poder executivo, China Pereira.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

à roda das contas



Uma suposta "avaria no quadro eléctrico", poste sim, poste não, esteve na origem de vários acidentes com cicloturistas  no troço cabeceirense da ciclovia, onde dificilmente se distinguem obstáculos em horas de breu. Mas antes de tecer quaisquer considerações sobre as falhas técnicas ou humanas, olhemos aos números, tendo em conta a diferença na qualidade e no brio dos trajectos de ciclovia em Cabeceiras (Arco de Baúlhe e Vila Nune) e Celorico:
Celorico de Basto, ~ 24 Km: ~ 4.000.000 € ou seja: 167.000 €/km
Cabeceiras de Basto,  ~ 4 Km: ~900.000 € ou seja: 225.000 €/km

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Espelho meu, espelho meu, há alguém mais fotografado do que eu?

Ao ver a página oficial da Câmara Municipal de Cabeceiras no facebook tiro ilações relevantes: o presidente da Assembleia Municipal é o eleito mais fotografado de sempre, atrás do omnipotente edil; é, provavelmente, o presidente de Assembleia Municipal que mais inaugurações, eventos, e festas foi no corrente ano; que não terá qualquer dificuldade em escolher as fotografias em que melhor ficou junto ao eleitorado, dada a quantidade da amostra; e não se preocupará com despesas de publicidade, quando despir a capa de presidente de Assembleia Municipal e assumir o papel de candidato à Câmara nas próximas eleições. Enquanto, isso, o passivo contribuinte pensa que esta situação é algo normal e recorrente nas responsabilidades de um presidente de uma Assembleia Municipal. Fazendo uma analogia, para melhor nos entendermos, e transportando esta realidade local para o âmbito nacional, é o mesmo se víssemos a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, em tudo o que fosse evento e "corta-fita", com a agravante de ser publicitada nos canais oficiais do Estado Português.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Estalinismos

Nos alvores do verão quente de 2013, a pré-pré campanha eleitoral para as eleições autárquicas deste ano está a evidenciar muitos dos vícios Estalinistas. Eles, os corvídeos, analisam os likes nas redes sociais, vigiam os encontros entre pessoas nas ruas e nos estabelecimentos públicos e, quem sabe, já vasculham os caixotes do lixo de certas e determinadas pessoas. Para além disso, há a decorrer a enésima perseguição judicial. É uma azáfama 'controladeira' que visa garantir, à Situação, um número de votos que possa manter o seu peculiar 'regime' democrático. Portanto, peço que quando se encontrarem perante tais situações afirmem, de uma forma veemente, que o (neo)feudalismo não é compatível com um regime verdadeiramente democrático e que, acima de tudo, eles passam mas nós ficamos.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

dia histórico


porque é 25 de Abril e porque Cabeceiras de Basto tem uma candidatura independente nas próximas autárquicas.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Dois pesos e duas medidas

- Em março de 2011 o jornal "O Basto" apontava como candidato do PS à autarquia cabeceirense China Pereira. China Pereira não desmentiu nem confirmou a notícia. O PS de Cabeceiras de Basto (em particular o núcleo administrativo) não exige clarificação e, China Pereira, é eleito a 16 de novembro de 2012, em plesbícito interno, o candidato oficial.

 - Em julho de 2012 o mesmo jornal levantava o véu e pontificava a candidatura de Jorge Machado à presidência da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto. Jorge Machado não confirma nem desmente a notícia. O PS de Cabeceiras de Basto (em particular a brigada inquisitorial) exige uma clarificação e a Jorge Machado é-lhe retirada a confiança política. 

Conclusão: para a cúpula administrativa do PS de Cabeceiras de Basto não desmentir nem confirmar notícias do jornal "O Basto" é um ato de traição, algo contrário aos valores daquele partido. Porém, China Pereira continua no partido e é o candidato oficialíssimo.

quarta-feira, 20 de março de 2013

auto da arca do inferno

É triste e grave quando uma Câmara Municipal, a cobro de uma questiúncula técnica, insiste numa guerra absurda com uma associação do concelho. Isto é o contrário da sensatez  expectável por parte do poder público, que deveria fazer uso dos meios que lhe são dotados pela Lei e pelos contribuintes para gerir com igualdade e respeito a sua relação com as instituições, em prol do bem de toda a comunidade.

Até podíamos supor que o município teria a sua razão neste caso dos técnicos camarários na vistoria ao Lar da ARCA, mas ao invés de tomar uma atitude serena e conciliadora, a Câmara de Cabeceiras de Basto optou por fazer uso dos seus órgãos de comunicação para alimentar "autos-de-fé".

Posto isto, é bom que na reflexão sobre o quotidiano das nossas vidas, a gente se vá lembrando que uma Câmara é bem mais que as pessoas que a encabeçam e, sobretudo, é bom que todos se lembrem, na altura certa e não só de vez em quando, de quantos aparentemente se julgam acima e ao largo da responsabilidade que o exercício do poder público e democrático exige.