Sinceramente não entendo porque é que a RTP faz a cobertura integral da visita do Presidente do Vaticano, quando a SIC e a TVI já estão a assegurar a transmissão da coisa.
Mostrar mensagens com a etiqueta Estado Secular. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Estado Secular. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, 11 de maio de 2010
sábado, 9 de janeiro de 2010
Na ressaca de ontem, a resposta devida a quem de direito
© Bruno Simões Castanheira/JN
Caro Francisco Fraga.
Muito me honra a réplica, sobretudo não sendo eu deputado da nação tão pouco deputado local. Condição que não me arranca, nem nos arranca, de todo, do palco da cidadania, onde talvez “político” não seja realmente termo que abone nestes tempos.
Mas voltando ao assunto. O meu caro Francisco Fraga, define o casamento entre um homem e uma mulher pela rigidez dos elos mais fracos que a compõem: os filhos.
Para si, se entendi, não há um verdadeiro casamento sem filhos e portanto, não há casamento para quem a Natureza deixou de ser mãe para ser madrasta (ainda que haja madrastas melhores que muitas mães de BI), nomeadamente mulheres e homens inférteis ou outra condição física que os impossibilite cumprir o desígnio com que foram deitados ao mundo: ter filhos.
Aliás, basta que um casal decida não ter filhos que o casamento deixa de ser cama onde possam deitar-se. Para si, se entendi, é dever de gente casada ter filhos. Ora, se o Francisco tem essa visão – desculpe o termo – “procriadeira” do casamento, eu respeito completamente. E se suporta essa “factualidade”, para não dizer fatalidade, na Bíblia, e não sendo eu crente, respeito, mas não concordo. Até porque a entendo como uma visão redutora da existência. No entanto, ainda que considere que ambas opiniões numa matérias desta possam ser debatidas, nunca devem ser referendadas e impostas aos outros.
Por outro lado, sendo o Direito "propriedade da sociedade que regula", global ou nacional, em que todos têm iguais deveres e a obrigações para com o Estado, não pode haver uns com mais direitos que outros.
Daí que no meu entender, o que a nova lei faz é tornar neste domínio o Estado Português mais secular, justo e universal. Um Estado que simplesmente passa a respeitar o direito de duas pessoas adultas à sua vida em comum, independentemente de tudo. E aí o casamento civil - repito, civil – é um contrato que existe para celebrar na lei, com garantias e deveres, um contexto de conjugalidade, nada mais.
De resto, uma pessoa quando ama outra - penso que é um sentimento que conhece -, manifesta uma diversidade de afectos, cria expectativa de vida sob o mesmo tecto, de partilha de objectivos, projectos e responsabilidades para com o outro e do outro para consigo. Isto é igual, quer se seja heterossexual ou homossexual. E longe está essa igualdade de abrir precedente à poligamia. A existir o precedente, este foi criado no momento em que se fundou o contrato na lei. Tanto heterossexuais como homossexuais em Portugal partilham as mesmas interrogações acerca de uma conjugalidade vivida a mais do que 2 pessoas. É, na minha opinião, um debate completamente diferente.
Quanto ao referendo, este é um instrumento que deve ser utilizado em democracia quando estiverem em cima da mesa ideias cuja aplicação afectem a qualidade de vida todos os cidadãos, como reorganização (política) das instituições e administração públicas, e projectos nacionais que envolvam recursos públicos. A exemplo: regionalização, tratados internacionais e até eventos como Europeus e Mundiais.
Nunca o Referendo deve ser utilizado como instrumento de arremesso de considerações sobre as outras pessoas, segundo cor de pele, crenças religiosas, género, identidade e orientação sexual, sobretudo quando estas não prejudicam a nossa própria existência e o modo de vida.
Se acha exemplar que as democracias que referiu o usem nesta matéria - eu não acho-, também não devia torcer o nariz com tanta veemência o facto da maioria desses Estados consagrarem na lei o que a Republica Portuguesa passou a consagrar desde ontem (ainda que falte a promulgação do Presidente).
Não me querendo alongar mais.
Os meus sinceros cumprimentos.
Vítor Pimenta.
Em anexo: este artigo oportuno de Paulo Pinto de Alburquerque, no DN.
Etiquetas:
Casamento Civil,
Direitos-Humanos,
Estado Secular
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
domingo, 5 de outubro de 2008
Serviço Católico de Televisão
Domingo, dia do Senhor na RTP, com eucaristia em directo na hora que antecede o Jornal da Tarde. Podem católicos, outras pessoas de fé, atirar-me pedras, mas com que fundamento tem a Televisão Pública de fazer o trabalho de uma instituição religiosa? Porque é que é gasto dinheiro e tempo de antena da televisão do Estado na promoção do cristianismo? Não terá a Igreja Católica emissão que chegue nos templos, nos altifalantes que espalha nas romarias, na Renascença ou na TVI? Não haveria outras e melhores maneiras de prestar serviço público?
Por aquela hora, a SIC transmite programas sobre vida selvagem. Com todo o respeito e até que me provem contrário, vejo como mais divinal e profícuo o que me diz David Attemborough, na locução de Eduardo Rêgo, que a lenga-lenga de um padre de braços ao alto que toda a gente esquece assim que sai adro fora.
Mas não será por acaso que as homilias aumentaram na realidade do vazio de consequência dos discursos políticos. Tragicamente, parece a única coisa que o Estado tem para oferecer.
Por aquela hora, a SIC transmite programas sobre vida selvagem. Com todo o respeito e até que me provem contrário, vejo como mais divinal e profícuo o que me diz David Attemborough, na locução de Eduardo Rêgo, que a lenga-lenga de um padre de braços ao alto que toda a gente esquece assim que sai adro fora.
Mas não será por acaso que as homilias aumentaram na realidade do vazio de consequência dos discursos políticos. Tragicamente, parece a única coisa que o Estado tem para oferecer.
Etiquetas:
Estado Secular,
Laicismo,
Religião
segunda-feira, 10 de março de 2008
Isto sim é PS... mas OE!

Em Portugal, o 25 de Abril, encostou o espectro democrático, hipocritamente, do centro para a esquerda, quando não o devia. Sobrou este centrão híbrido, rosa-laranja, que não é nada e é tudo, que não se lhe descortinando grandes diferenças, engonha o país em questões menores sem um verdadeiro confronto político, para além das guerras de carácter e do insulto cínico. E sem uma agenda política, sem uma definição clara de um rumo, não há maneira de estancar a sangria de gente, das bases de apoio, ao longo dos zigue-zagues governativos. Sina, alías, de Governos portugueses seguídos, uns atrás dos outros.
Em Espanha não. Há uma clara Direita, e há uma clara Esquerda. E o PSOE é o que vejo de um partido socialista/social-democrata realmente: de esquerda, laico, moderno, humanista e batendo-se pelas questões fracturantes de Sociedade - dos direitos e liberdades civis - sem medo de as assumir, com a força de bases ideológicas congruentes com as pessoas que o compõe. Há ideais em Espanha. Aqui, vai havendo um circo de idiotas. Olé!
Imagem do Público.es
Etiquetas:
Espanha,
Estado Secular,
Partido Socialista,
Política,
PSOE
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Capela Casa Mortuária
A crítica no Corso de Carnaval arcoense vale porque já vai penosa a espera. Compreende-se: é coisa da Saúde Pública e da dignidade. Mas tem gralha a baforada.... Sendo o Estado laico, na pessoa da Câmara Municipal/Junta de Freguesia, quem vai construir o espaço para velório, este não pode ser uma capela, cristã, com cruzes em cima. É, quanto muito, uma Casa Mortuária: local neutro, quanto muito versátil, sem cruzes ou estrelas de David, crescentes ou minaretes permanentes. Só transformado por vontade da família e em respeito ao finado.Porque senão contrariar-se-ia o princípio secular do Estado Português. E portanto, não se admite que o dinheiro dos contribuintes, muitos deles são doutras religiões ou de nenhuma, financie um local de culto religioso católico. O Estado não é confraria da Igreja.
Etiquetas:
Arco de Baúlhe,
Cabeceiras de Basto,
Estado Secular,
Laicismo,
Saúde Pública
Subscrever:
Mensagens (Atom)