Carnaval: que jeito fez não haver tolerância de ponto!
Enganou-se quem esperava que a nossa Câmara fosse desafiar o Governo, “decretando” tolerância de ponto concelhio na Terça-Feira de Carnaval (21 de Fevereiro), tal como aconteceu nos concelhos vizinhos de maioria socialista: Montalegre, Vieira do Minho e Mondim de Basto.
A pretexto de serem terras com enraizadas tradições carnavalescas, e porque têm autonomia para isso, muitos Municípios por este País fora (alguns deles liderados até por ilustres autarcas do maior partido da coligação governamental) decidiram não riscar o Feriado de Entrudo do calendário local, fazendo ouvidos de mercador às directrizes nacionais. Outras autarquias socialistas, porém, negando a “intolerância de ponto”, aproveitaram o ensejo para marcar uma posição política contra o Governo.
Todavia, o Presidente da nossa Câmara e proeminente dirigente socialista, contra todas as expectativas, entendeu por bem acatar as ordens vindas do Terreiro do Paço, indiferente ao facto de o Arco de Baúlhe, por tradição, aproveitar a secular folga do Dia de Carnaval para exibir o popular e concorrido corso carnavalesco, o qual atrai milhares de forasteiros à nossa vila, com os benefícios que daí advêm para o comércio local.
Como as últimas edições do burlesco e satírico Carnaval arcoense têm configurado fortes dores de cabeça ao autarca, pelas alusões directas e humorísticas a algumas situações relacionadas com a actividade municipal, não sei até que ponto o nosso Presidente não aproveitou a “boleia” do Governo para tentar esvaziar aquela “inoportuna e impertinente” iniciativa, organizada anualmente com grande êxito pela “insubmissa” ARCA, e que é já parte integrante das principais tradições da região e tem lugar de destaque no cartaz das grandes realizações do concelho, com mais pergaminhos, afinal, que a “plastificada” Festa da Orelheira e do Fumeiro.
Dou um prémio a quem encontrar uma outra explicação plausível que justifique este inusitado alinhamento com o Governo, que é proporcional ao distanciamento (nesta matéria) da posição oficial do seu partido. Quem gasta dinheiro (que não tem) onde não deve, entre o sumptuoso e o estapafúrdio, de certeza que não é solidário com a “malfadada” Troika…
Um arcoense atento


















