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terça-feira, 16 de julho de 2013

Até sempre, Partido Socialista

O PS fecha a porta do diálogo ao BE mas mantém-na aberta para o Governo (PSD+CDS+Cavaco). Amigo Seguro e demais colaboracionistas, um pequeno apontamento sobre este acontecimento. Com este acto definiram o rumo que pretendem para o PS, o que clarificou a vossa posição na geografia política portuguesa. Confesso que vossas excelências perderam uma oportunidade de recolocar o PS no espectro político que, alegadamente, se dizem originários. Em concreto, há muito que fugiram da tríade de princípios que deveria guiar-vos e, ao que parece, foram por um caminho sem retorno. Agora, o governo de Esquerda ter-se-à que fundamentar no que resultar de uma união do BE, CDU e demais movimentos sociais. Sem o PS, claro. A gravidade do momento assim o exige e assim espero. Até lá, caro PS, desejo-lhe uma profunda e dolorosa "pasokização". Fez por o merecer e eu, comum mortal, não o posso impedir. Nem quero.

sábado, 24 de novembro de 2012

A chantagem é sempre uma poderosa arma de coação política

Não se lembram de Teixeira dos Santos afirmar aos quatro ventos que não existia dinheiro para pagar salários? De várias personalidades do PSD e CDS e, agora, do governo a justificaram a demagógica frase de "não há alternativa" com a ameaça de que não há dinheiro para salários? Pois bem, há muito tempo que em outros espaços se desmontava esta mentira que servia (e serve) para justificar as opções políticas ao mesmo tempo que chantageavam o eleitorado. Esta mentira (de não haver dinheiro para salários) teve uma repercussão gigantesca nos resultados das eleições de 2011? Lembram-se do BE e do PCP defenderem a renegociação e o não ao empréstimo da "troika" naquele tempo? Como reagiria um funcionário público perante as declarações de Teixeira dos Santos de que não haveria dinheiro para o seu salário sem o empréstimo da "troika" e as propostas eleitorais do BE e do PCP que renunciavam ao mesmo empréstimo? Pois bem, a mentira, aliada a uma comunicação social manietada, levam ao empobrecimento e a degradação do Estado Democrático. Sem dúvida, e este exemplo é paradigmático.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Banca Central de Interesses

Após a aprovação, na generalidade, de um projecto de lei apresentado pelo Bloco de Esquerda que, a grosso modo, inscrevia na lei que em caso de incumprimento a entrega da casa ao banco saldasse o empréstimo subjacente, a maioria parlamentar do PSD e CDS conseguiram "envenenar" o espírito do projecto ao proporem uma legislação, na especialidade, que na prática elimina tal possibilidade. Esta acção foi entendida como uma cedência à pressão do lobby bancário. Posto isto, que não é de somenos importância, o PSD avançou com mais uma medida legislativa congruente com o padrão comportamental de um partido (e de uma maioria parlamentar) refém de interesses alheios à maioria dos cidadãos. Desta vez, estão dispostos a aumentarem o discricionariedade do credor a um limite inimaginável. Pretendem, agora, dispor aos bancos o poder de agravar os encargos ao devedor com o crédito à habitação quando houver lugar a uma renegociação, por motivo de divórcio, separação de bens ou falecimento de um dos cônjuge. Assistimos à total inversão do sentido de dever público. Arrisco a afirmar que o epíteto, clarividente, diga-se, que caracterizava os sectores dominantes dos partidos do "arco da governação" vai mudar. De "bloco central de interesses" passará a corresponder à "banca central de interesses", tal a promiscuidade e inversão de obediência que estes demonstram. A banca, invés do povo. A dividocracia, invés da democracia. As cornetas da mudança têm que soar, para bem de Portugal. 

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Para mim, a combatividade, jovialidade, inteligência e frontalidade de Ana Drago são atributos mais do que suficientes para coordenar o Bloco



(intervenção da deputada do BE sobre os inarráveis discursos do deputado e líder da JSD, Duarte Marques, que culpabilizara as gerações anteriores pela precariedade que grassa no tecido laboral português)

Saída de Francisco Louçã e o futuro do Bloco

bloco-de-esquerda

Francisco Louçã abandona o cargo de "coordenador" do Bloco de Esquerda através de uma carta dirigida aos "ativistas e ao povo do Bloco". Um passo (quase) brilhante. De uma forma inteligente despede-se da liderança mas sem "se despedir da luta", no entanto desvirtua a carta ao dar indicações claras do modelo organizacional (coordenação bicéfala) que ele pretende para o Bloco, dando a entender um certo paternalismo que, na minha opinião, é altamente pejorativo. Francisco Louçã é, sem dúvida, um político carismático e que certamente marcará a política portuguesa da III República. Um dos mais "bem preparados" políticos, possuidor de uma eloquência e de uma inteligência ímpar, orador mais importante da política portuguesa, Francisco Louçã retira-se da liderança do Bloco com um feito único: conseguiu, juntamente com os fundadores, constituir e singrar um projeto político desafiador. Claro que Francisco Louçã não escapa à crítica. Padece, também, de virulentos devaneios mundanos. Atente-se ao caso com o eurodeputado Rui Tavares e com o jornalista Daniel Oliveira. É o seu principal defeito, uma certa alergia a uma "social democracia" bloquista que se manifesta em vários ataques pessoais totalmente despropositados. 

Adiante. A escolha do modelo diretivo e dos seus atores acontecerá em novembro, na convenção bloquista. Ali se discutirá o futuro do Bloco. Vários nomes, dos possíveis, foram "lançados" publicamente, dos quais se destacam João Semedo, Catarina Martins e Ana Drago. Muitos mais haverão e é digno que se apresentam publicamente. Simpatizantes e militantes de base devem conhecer publicamente a disponibilidade e as propostas que irão a escrutínio interno. É democrático e politicamente saudável que este processo aconteça sem o atual "ruído mediático" (como está a acontecer propositadamente).

terça-feira, 24 de abril de 2012

demasiado cedo

179323_10150381472875106_415125205105_16923993_71389_n partiu em hora precoce um dos mais íntegros e memoráveis políticos da esquerda e da democracia portuguesa, ainda que, e talvez por isso, nunca tenha chegado ao poder.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

"Um governo de esquerda em Portugal voltará a fazer da Galp, a EDP e a REN sociedades públicas, como eram até ao dia em que foram assaltadas"

A presidente argentina decretou a nacionalização da filial da Repsol, apesar das ameaças guerreiras do governo espanhol. Segundo o governo argentino, a Repsol tinha deixado de investir, canalizava os lucros para acumulação sem produção, e por isso o défice energético e as importações petrolíferas do país estavam a subir desmesuradamente. Em resposta, tornou público o que de facto é ou dever ser público, o uso dos recursos naturais do país.
A energia deve ser pública. É um bem comum e é um recurso natural: por isso mesmo, as Constituições de muitos países consideram esses recursos um bem inalienável. Entregá-los a monopólios ou a oligopólios significa ineficiência, incompetência e prejuízo para os consumidores e toda a economia.
Não é preciso seguir este exemplo argentino. Basta ter bom senso. Um governo de esquerda em Portugal voltará a fazer da Galp, a EDP e a REN sociedades públicas, como eram até ao dia em que foram assaltadas.

Por Francisco Louçã.

quarta-feira, 14 de março de 2012

sensatez

a proposta do bloco de esquerda pela possibilidade de cidadãos em dificuldades poderem "entregar casa ao banco para liquidarem empréstimo", libertando-os do encargo mensal, é sensata e é justa. tanto é porque aos bancos tem de estar inerente a responsabilidade sobre os riscos dos seus empréstimos, sem se aninharem na almofada dos contribuintes e clientes cumpridores. aliás, se assim fosse desde o início, talvez não estivessem agora agarrados a uma crise de liquidez.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 30 de maio de 2011

voto útil

Agostinho Lopes

a tendência de bipolarização, em torno dos dois grandes da clubite partidária, pode por em risco a eleição de deputados que são uma mais valia na ruptura com o presente estado de desgraça. entre estes, está o deputado agostinho lopes, reeleito por braga nas listas da cdu em 2009, ou mesmo josé manuel pureza, líder da bancada bloquista, eleito por coimbra (círculo que, de resto, perdeu 1 mandato para faro nestas eleições).

do deputado da cdu, do circulo bracarense, pode dizer-se que é  somente dos mais activos membros do parlamento, assertivo nas comissões parlamentares e digno representante da região. responde a todas as solicitações que lhe façam via e-mail, está permanentemente atento à situação social e económica do distrito e não é raro vê-lo a desdobrar-se em prospecções pelas terras de basto para lhe medir o pulso. é certamente um voto útil para quem vacila entre o branco e o nulo, e não concorda com o programa da troika assinado pelo triunvirato do ps, psd e cds. sobretudo quando o empréstimo e a austeridade são tomados sem qualquer "auditoria internacional, credível, à dívida portuguesa”.

sábado, 19 de maio de 2007

A Cefalização do Governo e o Coma da Militância

A renovação, ou a intervenção micro-cirúrgica, feita no Governo de Sócrates apenas contribui para o eucalipto. Sem António Costa, Sócrates é a estátua na rotunda e Pedro Silva Pereira, o pombo que lhe arrula ao ombro... Sem oposição que atice o Partido Socialista - em Lisboa ou em Cabeceiras - e com figuras aparentemente maiores que elas próprias a acumular as suas funções e as que deviam ser dos outros, sobra uma militância ensonada, sem debate e sem mobilização. Perde-se a força motriz de transformação social.
Que o diga, Pedro Nuno Santos - o Secretário-geral da JS - que bem tenta mexer na máquina por uma questão em que estamos deveras atrasados. Aliás, diga-se, que a não consagração do direito do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo vai contra a Constituição Portuguesa - os deputados andam, na sua maioria, a violá-la por negligência.
De resto é vê-los, aos deputados do PS, amorfos que nem se dignam em atestar que se parecem com tudo menos com deputados do Partido Socialista. Sim, talvez com os do PPD /PSD, esses amuados por um líder mais pequeno que o palanque - e não é piada sobre alturas (não tenho com que me gabar) é mesmo da pequenez política. Mas nesta questão nem o PCP e os Verdes escapam. Dos do PP, nem vale a pena falar...
Mas adiante. É um Governo, bom ou mau, como o País, de uma só cabeça grande, demasiado grande, demasiado só.