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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

à moda de braga

confiança saboaria

braga podia ser património mundial se muito do seu património não tivesse sido destruído pela mão de santos da cunha ou, nos anos 80 e 90, por mesquita machado. neste sentido, a decisão da câmara municipal de braga em comprar a velha "saboaria confiança" é um acto de contrição louvável mas tardio e caro. os valores da aquisição rondam os três milhões e meio de euros por metade de um imóvel que fora comprado por uma sociedade, em 2002, por cerca de dois milhões e meio de euros. um péssimo negócio para o erário público e óptimo para o privado. pior ainda quando se sabe que o mesmo foi conduzido por um vereador socialista e o vereador da oposição, e também candidato laranja em 2009, ricardo rio. ainda que a música que dão seja diferente, a sintonia parece perfeita para estas coisas.

adenda: o exemplo que sirva para sensibilizar as autarquias de cabeceiras e os proprietários de algum património, também  industrial, que ainda resta de pé.

domingo, 27 de novembro de 2011

quinta-feira, 28 de abril de 2011

o nome das ruas

os 3 da toponimia


a notícia é antiga mas a falta de discussão há muito me enerva. a câmara municipal de cabeceiras de basto montou uma outra comissão cheia da gente do costume para dar nomes às ruas das vilas deste concelho, arreados que foram homens com conhecimento, como o estimado professor alexandre vaz. só mais um pecado original num processo que devia envolver o maior número possível de pessoas e documentos pela importância destes assuntos na preservação da memória colectiva e na identidade específica destas populações.

se nas matérias das outras vilas não me vejo na legitimidade de mexericar, já correndo a lista da toponímia proposta para arco de baúlhe, depressa a náusea dá lugar ao vómito. fica à vossa consideração: rua do bairro da cerca nova 1,2,3 até 7; alameda (quê?) do carvalhal, rua e travessa das gaiteiras; mais umas quantas ruas e travessas de quantos lugares e lugarejos há. foi este o modo escolhido. não se vê uma única referência a acontecimentos históricos e a personalidades locais e nacionais, excepção seja à  rua da viscondessa do peso da régua, que tão daimosa foi com o município, quando na propriedade dela foram arreigar obra.


de resto, onde está uma rua da liberdade? não há direito? uma praceta ou rua de camilo castelo branco, que tantas referências fez a arco de baúlhe na sua novela de "eusébio macário"? onde está uma rua do zé do telhado, cujo bando se juntou várias vezes na casa da ramada, na quintã? e a rua bento elísio de azevedo, daqui natural e deputado na assembleia constituinte de 1975? e um jardim ou uma praça júlio henriques, talvez em frente à "casa do povo" onde nasceu o mais ilustre cientista arcoense, que tem uma monumental alameda em coimbra? onde está uma referência a alfredo machado, presidente de junta nos anos 60 e responsável por uma das primeiras revoluções urbanísticas no arco (1,2 e 3)? onde está uma travessa do pintor abel croca? porque não rua padre manuel gonçalves, arquitecto da famosa (goste-se ou não) igreja do barco nas caxinas, em vez de rua do alambique?

não me alargando em mais comentários e propostas, isto é o que dá quando se tem como referência no arco apenas e só o presidente da junta.

terça-feira, 12 de abril de 2011

a vaca de abel croca

a vaca de abel croco

croca, croque ou croco. não sei. nunca ninguém fez por escrever a alcunha do homem de quem desconheço as feições e só reconheço o traço nas telas que algumas casas do arco guardam: paisagens, retratos de família ou outros temas. abel (hei-de tentar saber mais do artista) trocava umas pinceladas por comer e beber. mais uma de tantas pessoas que desaguaram no arco nas últimas décadas a trocar o que podiam dar por algo que lhes calasse o estômago. morreu algures na década de 80 mas ressoa em conversas e permanece nalgumas paredes. como na parede do edifício do talho novo (propriedade da câmara) onde se pendura esta vaca de rosto humano, entre a ingenuidade da arte rupestre e um qualquer esboço de picasso. está resguardada do sol por um toldo roto. é lindíssima mas corre o risco de se perder com o tempo e a insensibilidade dos homens, se nada for feito. tal como se perderam algumas ilustrações nas paredes ardidas no incêndio da casa do povo, nos esquecidos arcos da festa da senhora de remédios encomendados pela comissão do sr. campos, ou  nos belos e fartos peixes que enfeitavam o branco da velha peixaria do senhor júlio (da peixaria, passo a redundância). o que resta, devidamente inventariado, merecia certamente a exposição digna que abel croca nunca chegou a ter.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

não havia necessidade

estação ferroviária de arco de baúlhe

os trabalhos de arrancamento da linha do tâmega, para o projecto tolo da ciclovia, já se prolongaram estação terminal adentro. uma vergonha gritante, maior ainda quando a autarquia local (sim, junta de freguesia) e a população arcoense, e cabeceirense em geral, assiste impávida e serena a este grande atentado ao seu património e memória. 

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

requiem pelo tua

A Linha é TUAhoje o governo patrocina mais uma barbárie contra o património e a cultura do país, nada que surpreenda, aliás, no executivo com a pior política cultural de que há memória, no ministério de canavilhas. mas aqui é o ajuntamento à pompa da edp que arranca irreversível com as obras no vale do tua iniciando o processo de submersão de uma das linhas ferroviárias mais belas do país. tudo pela construção de uma barragem que é somente uma forma desactualizada e ineficiente de produção eléctrica (já me cansei de o dizer).

mas desenganem-se os que pensam que esse seja o único motivo subjacente. a destruição sistemática da ferrovia pelo país é também a imposição aos portugueses, sobretudo aos contribuintes da minguante classe média portuguesa, do paradigma rodoviário cavaquista, continuado pelos governos socialistas e sd's que lhe seguiram: caro, egoísta, ecologicamente desastroso, muito menos seguro, mas altamente lucrativo para as concessionárias de autoestradas, construtoras e sector petrolífero. as mesmas que sustentam o rodopio normalizado entre governantes e as suas administrações.

um outro motivo é o controlo das reservas e distribuição de água. com a mercantilização do sector público, mais cedo ou mais tarde, os credores da dívida do estado, exigirão a privatização da água que ficará nas mãos das maiores empresas portuguesas (ou não) e dos seus accionistas. com um sistema de justiça corrupto, que beneficia uma elite de privilegiados, a coorporatização da economia portuguesa tornará a democracia uma crescente ilusão, se já não o é.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Postal Estragado

Os pinheiros e carvalhos rompem as bermas da autoestrada. É o espaço que lhes resta depois de tudo em redor ter sido tomado por espécies importadas. Árvores tais, trazidas pela cor do dinheiro, desenquadradas que desarranjam ecossistemas e paisagens. Aliás, não fosse a floresta autóctone sacrificada pela monocultura do eucalipto, e Portugal era um país bem mais bonipto.

sábado, 5 de junho de 2010

Bem Haja

Ferro de Engomar de Arco de Baúlhe

aos proprietários, por não terem cedido à tentação de demolir e optarem por recuperar (ainda em fase de acabamentos) este emblemático edifício de Arco de Baúlhe, carinhosamente apelidado de "Ferro de Engomar".

terça-feira, 20 de abril de 2010

Máquina do Tempo | 5

Rua da Recheira I Rua da Recheira

segunda-feira, 29 de março de 2010

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Pérolas e porcos

3 2006_Oeste_Este © Sociedade Martins Sarmento

Dois painéis de gravuras rupestres de Donim, Guimarães, estão completamente destruídos. A denúncia foi feita pela pena de António Amaro das Neves, presidente da Direcção da Sociedade Martins Sarmento, impregnada do repúdio que merecem estes suídeos que se ajeitam em profanar, com as gadanhas de máquina escavadora, valores arqueológicos desta natureza. Desgraça que não nos é alheia.

Não há muito tempo, em Pedraça (Cabeceiras de Basto), se desfez em pedaços o que restava do Picadeiro de D. Nuno Álvares Pereira, uma pérola local, para mor do alargamento de horizontes a um empreiteiro. Apesar do protesto, por parte de historiadores e amadores locais de arqueologia, a Câmara Municipal - que se saiba - não pediu na altura esclarecimentos nem interpôs acção ao prevaricador. No lugar, ergue-se agora mais um palacete parolo rodeado de um escadório de pedras. a encimar orgulhoso o morro sobre a Igreja do lugar.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Marcas de Baúlhe | "Manel e Maria"

Painel Azulejo: Manel e Maria

O painel de azulejos que encima o Largo da Serra, é um verdadeiro ex-libris da vila. Muitas vezes ignorado pelos arcoenses, a obra é um belo postal de Arco de Baúlhe, digno de uma foto para qualquer forasteiro de passagem. Não obstante, está degradado. Devia por isso ser recuperado, protegido e dignificado.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Crimes de Lesa Pátria



Há uns largos meses atrás, a Câmara Municipal de Cabeceiras promoveu a visualização de "Ainda Há Pastores" no Centro Hípico, de modo a consciencializar a quem assistiu para as vidas solitárias, entre o amor e o sacrifício, de alguns homens e mulheres a guardar gado nos montes. O mesmo gado que nos dá carne, leite e derivados.

Ora, pelas mãos do mesmo Jorge Pelicano, surge uma outra oportunidade, também para abalar consciências e abrir olhos sobre a forma como decisões políticas, aparentemente progressistas, destroem muita nossa riqueza incalculável por mor de obras públicas com efeito prático nulo na melhoria das condições de vida das pessoas. Um desses crimes de lesa pátria é a Barragem do Tua e a submersão de uma das mais belas ferrovias do mundo. Os maiores cúmplices - se não forem repensadas as escolhas - hão-de ser este governo e autarcas distraídos pela suposta boa-fé dos megainvestimentos. Fica, por isso, a proposta à consideração dos habituais promotores de eventos. Parem, escutem e olhem pelo menos uma vez que seja.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Marcas de Baúlhe | Serração José Guilherme de Sousa & F.

serração arco de baúlhe

Quem descer a Rua da Recheira nota que a velha serração que acordava o burgo pelas 8 e enchia os olhos de serrim a transeuntes, está a ser desmantelada. No lugar, sem novidade nenhuma, hão-de fazer-se apartamentos e lojas. Desconheço o projecto entrado na câmara para licenciamento, mas seria uma pena se não preservasse algumas das paredes que fizeram a história da indústria da madeira em Arco de Baúlhe.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

sábado, 1 de agosto de 2009

"a carga pronta metida nos contentores"

Estação Ferroviária de Arco de Baúlhe

us contentores

Com tanta solução em redor, não se percebe ainda a ideia peregrina de fazer de dois contentores forrados a madeira, enfiados no meio dos carris em frente à Estação Ferroviária, o tal Centro de Documentação para o Museu das Terras de Basto. É feio e sobretudo uma nódoa de desconsideração pelo património. Pronto, para não me precipitar em apreciações estéticas, digamos que é, no mínimo, polémico.

domingo, 26 de julho de 2009

Um Tesouro



Concordo que só com muito cordelinho mexido, neste país assim feito e herdado, se conseguiria restaurar aquele que é o instrumento musical mais valioso do concelho. O presidente da câmara de Cabeceiras, para o bem e para o mal, tem essa grande vantagem adaptativa. Aos foles renovados do velho órgão de tubos que encheu ontem aquela igreja e a alma de quem o ouviu, juntou-se o vazio da presença do virtuoso compositor local Joaquim Santos, justamente lembrado.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Criminoso... | 2

Entulho Na Ponte Velha

... à excepção de uma casa exemplarmente construída, na zona em redor da Ponte Velha abundam os odres. O último está vergonhosamente à vista. É-me, neste sentido, igual ao litro que incomode o que digo de fulano ou de Sicrano, maior incómodo dá a quem lá passa o monte de entulho que alguém acomodou a escassos metros de um dos símbolos de Arco de Baúlhe. Revoltante tamanha falta de insensibilidade.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Marcas de Baúlhe: O Prédio "Ferro de Engomar"

Prédio "Ferro de Passar" de Arco de Baúlhe

O esguio prédio em verdete, de janelas e persianas verdes, com aqueles floreados de ferro na varanda e o candeeiro a lembrar séries de detectives, é uma das imagens de marca de Arco de Baúlhe. Ergue-se a meio da Avenida Capitão Elísio de Azevedo e tem um carisma do seu tamanho. É dos edifícios contemporâneos que mais gosto na vila...